"Julian"
Meus olhos deslizaram pelo corpo da Marcelina. Ela vestia o uniforme do Grupo Albelini, mas ele havia sido totalmente customizado. A saia tinha sido cortada, a nova bainha estava no meio da coxa, e apertada, colada aos quadris de um jeito que desafiava as leis da Holding. Os três primeiros botões da camisa social estavam abertos, revelando o topo do colo dela e uma correntinha de ouro. A camisa estava tão justa que os botões pareciam que saltariam das casas a qualquer momento. As mangas estavam dobradas até os cotovelos. E o colete preto estava aberto. Ela parecia uma executiva que tinha acabado de sair de um clipe de rock.
- Bom dia, chefe! - A Marcelina disse, olhando diretamente para o Érick, ignorando completamente o meu quase infarto. - Pronta para o primeiro dia de trabalho. Achei que quem escolheu o meu uniforme tem um gosto meio... fúnebre, então fiz uns ajustes funcionais. Facilita a locomoção.
- O que essa marginal do chiclete fez com aquele uniforme lindíssimo? - A Adelaide soprou atrás de mim.
Eu olhei para o lado e vi Adelaide estática perto do buffet, com o bule de prata na mão. O olho esquerdo dela piscava tão rápido que parecia uma asa de beija-flor batendo. Ela parecia prestes a ter um derrame.
O Érick olhou para Marcelina, depois olhou para mim. Eu ainda tentava limpar o canto da boca com um lenço, com os olhos cravados nas pernas daquela capetinha. Um sorriso de canto de boca surgiu no rosto do meu amigo. Ele percebeu o estrago.
- O uniforme está... eficiente, Senhorita Marcelina. - O Érick disse, a voz grave ecoando pela sala. - Julian, limpe o paletó. Você tem uma reunião importante hoje à tarde. Espero que não se engasgue.
Eu limpei a boca, ajeitando o nó da minha gravata, sentindo o sangue pulsar nas minhas têmporas. A Marcelina puxou a cadeira bem ao meu lado, cruzando as pernas de forma lenta, torturando deliberadamente cada neurônio que me restava, e se curvou na minha direção.
- Bom dia, Baby! Você não parece ter dormido muito bem. - Ela provocou, deixando o rastro do seu perfume no meu nariz.
- É, eu não dormi, tinha uma tempestade na minha cabeça. - Eu respondi sem conseguir desviar os olhos do decote dela.
- Os meus olhos estão aqui em cima, Julian. - Ela ergueu o meu queixo com um dedo.
- Juju, você tá vermelho. - A Alice apontou, dando uma risadinha enquanto comia um pedaço de morango. - Viu? A ajudante da fada chegou e você já até esqueceu o pesadelo!
- Na verdade, Lili, acho que o meu pesadelo se tornou realidade. - Eu resmunguei, encarando a Marcelina com aquele sorriso malicioso sentada ao meu lado.
- Deixe os pesadelos para o Conselho, Julian. - O Érick cortou, limpando a boca com o guardanapo de linho e se levantando. Ele se inclinou sobre Lorena, deixando um beijo no rosto dela. - Tenho uma reunião com os diretores agora de manhã, Fada. Te vejo no almoço. Julian, você sabe o que fazer.
- Como sempre! Mas antes vou alinhar uns detalhes com a nossa nova equipe. - Eu respondi, assumindo meu tom corporativo, me levantei e me aproximei dele, aproveitando que a Adelaide tinha saído da sala. - Vou com as garotas levar a Lili na escola, assim nós podemos conversar sem espiões.
O Érick assentiu antes de sair da sala com passos firmes. Eu olhei para a Alice, que terminava seu suco alheia ao que a cercava.
- Lili, o que acha de o Juju te levar para a escola hoje? - Eu sugeri, abrindo o meu melhor sorriso de tio coruja. - E podemos levar a Lolô e a Lina junto. O que você acha?
- Eba! Vai ser o carro das fadas! - Ela bateu palminhas, pulando da cadeira. - Vou pegar a minha mochila!



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