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A vida dupla da babá: Santa de dia, Scarlat à noite romance Capítulo 173

"Lorena"

O salão de festas do luxuoso hotel brilhava como as jóias da alta sociedade hipócrita que me julgava. Homens de ternos que custavam o preço de um carro popular e mulheres cobertas de diamantes sorriam uns para os outros, enquanto escondiam os segredos mais aterradores. E eram aqueles mesmos falsos e mentirosos que se achavam no direito de me julgar. Eu sentia os olhares sobre mim, como se fossem lâminas frias prestes a me fatiar.

Eu caminhava com os dedos firmemente entrelaçados aos do Érick. O aperto dele era possessivo, quase apertado demais, como se ele realmente me segurasse, me impedindo de desabar. O vestido rosa pálido que Dona Heloísa escolhera parecia flutuar ao meu redor, me fazia parecer uma princesa injustiçada a qual o príncipe Albelini estava salvando e fazendo justiça. Mas, por dentro, eu me sentia vestindo uma armadura. Eu me sentia pronta para a batalha, com o melhor da minha Scarlat fervilhando sob a minha pele.

Logo atrás de nós, o Julian exibia o seu melhor sorriso rofissional, conduzindo uma Marcelina que parecia uma rainha gótica com seu vestido preto e olhos bem marcados pela maquiagem. Ela fingia olhar os lustres de cristal com tédio, mas eu sabia que ela estava mapeando cada rota de fuga e cada Conselheiro que ela degolaria antes de me tirar dali sem que os leões me atacassem.

Eu olhei para o grande salão, entre os convidados estavam, além dos conselheiros e suas esposas, os muitos diretores das empresas do Grupo, vários clientes e muitos empresários, todos homens e mulheres que pertenciam a um clube seleto de endinheirados. Isso seria torturante.

- Sorria, Fada. - A voz grave do Érick vibrou perto do meu ouvido quando paramos ao lado do bar e ele me entregou uma taça de champanhe. - Você é a mulher mais deslumbrante deste lugar. Deixe que esses abutres olhem. Eles sabem que não podem te tocar.

- Eu estou sorrindo, meu amor. - Eu murmurei, erguendo os olhos para ele e forçando a expressão mais serena que consegui. A verdade é que a Scarlat em mim queria sair e incendiar aquele lugar com os hipócritas dentro.

- Ah, como eu odeio esse jantar anual. - O Andrey se aproximou com um sorriso enorme que contrastava ferozmente com o humor nos seus olhos.

- Eu espero que este seja o último. - O Érick murmurou.

- É, mas antes temos que descobrir quem comprou aquelas ações e liquidar o nosso estimado Simão. - O Julian falou com o seu sorriso aberto, mas assim como o Andrey, aquele sorriso era apenas uma máscara.

- Lolô, me explica de novo porque a Tentação escolheu vir com esse idiota e não comigo? Eu sou muito mais interessante que esse chato e muito mais bonitão. - O Andrey reclamou, me fazendo rir de verdade.

- Felino, se conforma de uma vez, a Baby é minha, só minha! - O Julian puxou a Marcelina pela cintura, a fazendo colar nele.

- Sério, Tentação? Você escolheu esse sem graça? - O Andrey choramingou.

- Ah, Tigrão, é que o Baby vai ser mais fácil colocar na coleirinha para passear. - A Marcelina respondeu com um sorriso e se pendurou no ombro do Julian.

O corpo do Érick ficou tenso instantaneamente ao meu lado. Senti apertar a minha cintura, me puxando para mais perto, o maxilar travado de tensão.

- É um prazer conhecê-la, senhora. - Eu cumprimentei a esposa do Simão, que me respondeu com um aceno de cabeça. Aquela mulher parecia treinada para andar, sorrir e tomar pequenos goles de champanhe e nada mais.

- Vá direto ao ponto, Simão. - O Érick sibilou, a voz caindo para um tom perigosamente baixo. - Não gaste o seu estoque de falsidade com a minha mulher. Ela sabe exatamente quem você é.

- Que temperamento agressivo, Albelini. Eu pensei que você andasse mais calmo agora. - O Simão deu uma risada cínica. - Eu só estava admirando o bom gosto do seu... investimento.

- Simão, se não quiser protagonizar uma cena desagradável onde eu te arremesso por cima desse bar, é melhor tratar a minha mulher com mais decência. Você sabe muito bem que ela não é um investimento. - O Érick não estava sustentando mais o sorriso de aparência e o clima tenso podia ser percebido por qualquer um.

- Me desculpe, Albelini. Você está realmente muito sensível. - O Simão não tirou o sorrisinho cínico do rosto nem por um segundo. - Sabe, Lorena, você tem um rosto difícil de esquecer. Tenho a nítida impressão de já ter visto você em algum lugar. Talvez em uma atmosfera menos... formal?

O mundo pareceu perder o som por um segundo. Todos os meus sinais de alerta se acenderam. Eu não lembrava de ter atendido o Simão na boate, mas isso não significava que ele não tivesse estado lá quando eu servia mesas. Mas eu mantive a postura, certa de que ele estava testando o terreno. Estava blefando para ver se eu entrava em pânico na frente do Érick. Me lembrando do que o Julian disse: se ele tivesse algo, ele não esperaria para revelar no jantar.

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