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A vida dupla da babá: Santa de dia, Scarlat à noite romance Capítulo 180

"Érick"

O homem que cruzou a porta tinha no máximo quarenta anos, postura aristocrática, cabelos escuros impecavelmente alinhados com fios precocemente grisalhos nas têmporas e olhos de um castanho muito escuro. Ele vestia um terno sob medida cinza de uma alfaiataria tão exclusiva que o caimento perfeito não deixava duvidar que era da alta costura tradicional. Carregava uma pasta de couro com fechos de ouro envelhecido.

Ele caminhava com a postura fria e calculista de quem está acostumado a fusões e aquisições como quem j**a Monopólio e a arrogância silenciosa de quem pertencia a uma linhagem que mandava no mercado há séculos.

Ele parou diante da mesa, olhou para mim, depois para o Julian e o Andrey, e fez um aceno de cabeça milimetricamente polido. Tudo nele gritava dinheiro, poder, imponência.

- Senhores. Bom dia. - Ele disse com a voz grave e pausada, e um sotaque sofisticado e sem pressa. - Meu nome é Balthazar de la Vega. Sou o representante legal da De la Vega & Associados, operando sob mandato expresso do fundo soberano que adquiriu as cadeiras remanescentes do conselho de administração do Grupo Albelini.

- Bom dia, Sr. De la Vega. Eu sou Érick Albelini e estes são nossos sócios Julian Beaumont e Andrey D'Ávila. Vamos nos sentar. - Eu apontei para a mesa e nós nos dirigimos a ela, cada um tomando o seu assento.

- Me desculpem pelo atraso, mas houve um pequeno incidente no vôo. Porém, acredito que a minha presneça na primeira parte da reunião era dispensável. - O Balthazar comentou polidamente.

- Certamente nada com o que se preocupar, eu apenas estava tomando posse das ações que adquiri recentemente. - Eu avisei.

- Claro. Fui informado sobre isso. Imagino que os senhores não estejam muito felizes com a aquisição do meu cliente. Mas já adianto que ele não tem intenção de se desfazer dessas ações. - O Balthazar parecia bem informado e preparado.

O Julian estreitou os olhos instantaneamente ao ouvir o discurso perfeito, polido e objetivo daquele homem. Eu conhecia aquele olhar do meu amigo e sócio, a mente dele estava vasculhando todos os escritórios jurídicos de alta linhagem do planeta, e o fato de ele não conseguir associar o sobrenome De la Vega a nenhuma das nossas alianças o estava deixando profundamente irritado.

- Sr. De la Vega... - O Julian assumiu o tom profissional, a voz firme e agressiva. - O compliance da holding exige a abertura imediata do beneficiário final do fundo de ações para a validação das cadeiras adquiridas. Nós não aceitamos procurações às cegas, não importa o tamanho do seu brasão ou peso do seu sobrenome.

O Balthazar de la Vega deu um sorriso de canto, um movimento puramente profissional que não alterou em nada a frieza dos seus olhos. Ele abriu a pasta de couro, retirando um calhamaço de papéis espesso, com o selo holográfico do Banco Central e as assinaturas da junta comercial.

- Tudo o que o compliance do Grupo Albelini exige está aqui, Sr. Beaumont. Validado, auditado e chancelado pelas autoridades financeiras internacionais há exatamente duas horas. Os vinte por cento estão legalmente sob a nossa custódia. - Ele deslizou os papéis sobre a mesa elegantemente. - O meu cliente não tem o menor interesse em criar atrito ou interferir na presidência do Sr. Érick Albelini. Pelo contrário. Fomos instruídos a dar apoio incondicional à nova gestão. Considerem-nos o seu aliado mais silencioso. E mais poderoso.

Eu olhei para o Julian, que folheava os papéis com uma velocidade absurda, o maxilar tão travado que dava para ouvir o ranger dos dentes. O rosto dele era uma máscara de pura frustração. Ele me passou os documentos, mas o olhar dele dizia tudo. Os documentos eram perfeitos. Intocáveis. Uma engenharia jurídica brilhante. Mas o nome do verdadeiro dono do dinheiro continuava sendo um segredo trancado sob uma holding internacional.

Eu encarei o Balthazar de la Vega. Ele sustentou o meu olhar sem piscar. A calmaria dele me irritava. Quem diabo estava por trás daquele homem? Quem tinha o poder de engolir vinte por cento da minha empresa pelas minhas costas e se sentar na minha mesa sem que eu pudesse fazer nada para impedir?

- Um aliado silencioso que gasta tanto dinheiro em uma aquisição não é um aliado, De la Vega. É uma ameaça invisível. - Eu resmunguei, apoiando as duas mãos na mesa, me inclinando na direção dele. - Eu não gosto de segredos no meu Conselho.

Capítulo 180: O novo sócio 1

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