"Lorena"
Enquanto o Érick ria do infortúnio do Julian, ele abriu a caixinha que o Alberto havia lhe entregado e tirou de lá uma gravata nova, a colocando no pescoço e dando o nó com a maestria de quem fazia aquilo desde antes de aprender a amarrar os próprios sapatos.
- É, Baby, acho que o Beto vai ter um ótimo dia hoje. - O Érick riu.
- Desculpe, Sr. Beaumont, mas essa mocinha é bastante surpreendente. - O Alberto respondeu com um sorriso discreto e piscou sutilmente para a Marcelina.
- Vai, Alberto, me dá uma dica, como eu faço pra ganhar um beijo da minha Baby? - O Julian perguntou como um garotinho emburrado, com a testa apoiada à mesa.
- Talvez, Sr. Beaumont, o senhor deva ser tão surpreendente quanto ela. Os Tsunamis não podem ser controlados, mas o senhor pode lidar com eles, com ações rápidas e reconhecendo os sinais. - O Alberto sorriu para o Julian. - Srta, Marcelina, meu dia será fantástico, obrigada! Se me dão licença.
O Alberto saiu enquanto o Érick e eu explodíamos em gargalhadas e o Julian encarava a Marcelina como se estivesse traçando um plano de ação rápida, mas quando ele desviou os olhos para o Érick, foi como se ele tivesse levado um choque.
- Minha nossa, Albelini, quantas pilhas tem nessa gravata? Está agredindo os meus olhos sensíveis. - O Julian quis saber, cobrindo os olhos ao ver a gravata "amarelo marca-texto" que o Érick tinha acabado de colocar.
- Que frescura! Por isso não ganha beijo de bom dia. - A Marcelina debochou.
- Coloca óculos escuros, Engomadinho, essa é a minha nova cor preferida. - O Érick respondeu e se virou para mim. - O que acha, Fada?
- Você mandou comprar uma gravata por causa da cor... - Eu me interrompi, encarando o Érick e vendo o desejo brilhar nos seus olhos azuis, me fazendo lembrar de como ele rasgou a minúscula calcinha de renda amarelo neon que eu usava na noite passada. - Acho que preciso voltar naquela loja do shopping e comprar cores novas, bem vivas. Elas ficam bem em você. - Eu me curvei e dei um beijo rápido no Érick.
- Ficam bem em você também. - Ele respondeu docemente. - Faça isso, Lô, saia um pouco, vá as compras com a Tsunami. E me surpreenda a noite. - Ele sugeriu com um sorriso bobo. - Gaste a porra daquele cartão de crédito sem limites que eu te dei, o qual as faturas continuam chegando zeradas.
- Eu não preciso de um cartão de crédito, Érick. Você ainda paga o meu salário de babá. Aliás, você aumentou o meu salário. E eu não tenho nenhum gasto. - Eu afirmei e ele revirou os olhos.
- Eu não te pago um salário, Lorena. Você não é minha funcionária há bastante tempo. Você é a minha mulher. E pode precisar de dinheiro para uma emergência. Eu só estou cuidando de você. - Ele me encarou seriamente. - Por favor, use o cartão.
A palavra "por favor" não me enganou, Érick Albelini estava dando uma ordem, mas eu não me sentia confortável para acatá-la. Contudo, eu também não queria chateá-lo, então eu me limitei a sorrir e lhe dar mais um beijo que o fez esquecer o cartão de crédito que ele havia enfiado na minha bolsa.
- Muito bem, casal chiclete, vocês não precisam esfregar na minha cara essa vidinha feliz de vocês. - O Julian brincou. - Érick, o Andrey está vindo com as últimas atualizações sa Suíça.

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