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A vida dupla da babá: Santa de dia, Scarlat à noite romance Capítulo 203

"Heloísa"

Eu era ingênua demais... quando entrei na família Albelini. Mas eu tive que aprender a ser como eles, a ficar sempre de olhos abertos e a fazer movimentos inteligentes para não ser engolida pelos lobos. Eu já não era mais ingênua, eu sabia jogar nesse tabuleiro de intrigas e traições dessa sociedade hipócrita. E eu conhecia o sangue Albelini. Conhecia o orgulho cego do meu filho.

Eu passei as últimas duas horas no quarto da Alice. A minha neta havia chorado como nunca, agarrada ao desenho do golfinho enquanto soluçava, antes de finalmente adormecer exausta. Eu limpei as lágrimas do rosto dela com o coração apertado.

Eu queria pegar o meu filho pelas orelhas e obrigá-lo a enxergar além do orgulho dele, mas isso não funcionaria. Eu precisava agir como o meu sogrome ensinou enquanto jogávamos xadrez nas tardes em que ele me visitava, era naquele tabuleiro que ele me ensinava como lidar com os meus adversários na vida. Eu precisava manter a mente fria, analisar as possibilidades e talvez recuar um pouco antes de voltar a avançar. E o Érick estava ocupado demais bancando a pedra de gelo para perceber que havia caído em uma armação cruel.

Eu desci as escadas e entrei no escritório sem bater. O Érick estava de pé perto do aparador, terminando de virar mais uma dose de vodca pura, vestindo aquele terno escuro e a gravata preta, um luto claro e auto-imposto. Meu filho ia se destruir se continuasse assim.

- A Alice dormiu. - Eu anunciei, a minha voz saindo linear, quase tão fria quanto ele queria parecer. Não era hora de ser a mãe amorosa, naquele momento eu era a avó irritada. - Mas o estrago que você fez na mente daquela criança vai demorar a passar. Você foi cruel com ela, Érick. Eu não esperava isso de você, não é assim que um pai deve agir.

- Eu fiz o que precisava ser feito, mãe. - Ele respondeu, o cinismo gelado mascarando a dor que eu sabia que o estava dilacerando por dentro. Ele amava aquela mulher, porque era tão difícil enxergar que estava sendo manipulado? - A Alice precisa esquecer aquela mulher. E eu exijo que a senhora me ajude comisso.

- Você não me exige nada, Érick! - Eu rebati e ele me encarou.

- Mãe... não torne isso mais difícil do que já é. - A voz dele era fria, mas o olhar era de uma dor lancinante.

- Érick, o que realmente aconteceu aqui? - Eu perguntei e coloquei a mão no seu rosto.

- A senhora sabe o que tem que saber. Eu não quero mais falar sobre isso. Preciso que a senhora me ajude com a Alice, que encontre uma nova governanta e uma nova babá para esta casa. Alguém de pulso firme. Que mantenha a ordem e que não tente me enganar.

Eu olhei para o meu filho por longos segundos. Ele achava que estava no controle. Coitado. Ele é quem estava sendo controlado e por uma ntira contada do jeito certo. Mas eu tiraria a venda dos seus olhos.

- Tudo bem, Érick. - Eu respondi, cedendo falsamente para manter as aparências e não afastá-lo de mim também, ele já estava praticamente isolado. - Eu vou me encarregar de encontrar as profissionais certas para a casa. E decidi que vou passar uns tempos morando aqui com vocês. Você claramente precisa de uma supervisão, principalmente para lidar com a Alice.

- Não se incomode em sair da sua casa. Você não...

- O que, Érick? Vai me colocar para fora também? Vai dizer que eu não sou bem vinda? Vai se fechar nos eu mundinho de orgulho e altivez? - Eu o encarei severamente.

- Não mãe. Faça como quiser. - Ele deu de ombros, virando as costas para mim.

Eu saí do escritório e, assim que pisei na sala, peguei a minha bolsa e o meu celular. Eu já sabia quais peças mover no meu tabuleiro antes do amanhecer. Disquei o primeiro número.

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