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A vida dupla da babá: Santa de dia, Scarlat à noite romance Capítulo 202

"Lorena"

Eu estava chegando na vila depois de levar mais uma porta na cara, mais uma entrevista de emprego na qual eu fui rejeitada. De acordo com a recrutadora, eu não tinha o "perfil" para a vaga. Eu já tinha ouvido isso tantas vezes desde que o meu ex-noivo me roubou, mas eu só queria entender qual o perfil que eles esperavam de uma contadora, já que parecia não ser suficiente ter um diploma e experiência na área. Além da entrevista, em alguns lugares o meu currículo sequer tinha sido recebido.

E tinha sido assim todos esses dias. No começo eu até consegui algumas entrevistas, mas agora, eu sequer conseguia deixar o meu currículo nas empresas. E foi quando eu vi o sedã preto estacionado em frente a vila que eu tive certeza do que estava acontecendo. Érick Albelini estava se vingando.

Eu não era tão cega a ponto de pensar que o Érick havia voltada atrás. Ele não voltava atrás, ele destruía quem o incomodava. Ele com certeza tinha colocado o meu nome numa espécie de lista negra ou seja lá o que for e estava usando o poder que tinha para impedir que eu conseguisse um trabalho. Será que ele não entendia que já tinha me destruído? O que mais ele queria?

O Alberto saiu do carro enquanto eu me aproximava e veio em minha direção com um sorriso afetuoso.

- Srta. Lorena. Como a senhorita está? - O Alberto tinha aquela voz suave e gentil, sempre respeitoso.

- Ora, Alberto, eu não estou mais na hierarquia Albelini, vamos esquecer essa coisa de "senhorita". - Eu me esforcei para sorrir para ele. - Você veio nos visitar ou o seu patrão exige mais alguma coisa de mim.

- Lorena, o senhor Érick está sofrendo. E pelo que vejo, você também. Não transforme o que você sente em rancor. - Ele me encarou por um momento, eu segurava as lágrimas, eu não estava me permitindo chorar. - Olha, eu queria ter vindo ver vocês antes, mas não foi possível. Será que eu sou bem vindo?

- Claro que é. Vamos entrar. - Eu o convidei, mas ele parou perto do carro e abriu o porta malas.

- Lorena, o Sr. Albelini mandou trazer as suas coisas. Tudo, inclusive as jóias. Nos bancos tem mais coisa. - O Alberto respondeu e se abaixou para começar a tirar as malas do carro.

- Não quero! - Eu respondi cortante. - O que ele mandou dizer, Alberto? Porque eu sei que o Albelini sempre tem algo a dizer.

- Lorena... - O Alberto estava relutante, mas eu o encarei firme, sem lhe dar alternativa. - Ele mandou dizer que é tudo o que você vai conseguir dele.

Eu dei uma risada curta, sem humor, sem acreditar no que o homem que jurava me amar estava fazendo comigo. A frase entrou nos meus ouvidos como álcool em uma ferida aberta. "Tudo o que eu consegui dele." Ele estava tripudiando sobre mim. Ele achava que podia me comprar, que eu tinha um preço numa etiqueta. Achava que eu aceitaria o papel de golpista interesseira que ele havia desenhado na sua mente. E isso me doeu ainda mais, porque todo aquele tempo juntos e ele não me viu realmente, porque se tivesse visto, teria pelo menos me ouvido.

- Pois diga ao seu patrão, que eu não sou uma prostituta e que eu também não preciso da caridade dele. - Eu respondi, me mantendo firme.

- Mas, Lorena, o Sr. Albelini foi bem claro...

- E eu estou sendo ainda mais clara, Alberto. - Eu o interrompi. - Eu saí daquela casa com as mesmas coisas que tinha quando entrei. Eu não sou uma prostituta e não sou uma interesseira. O dinheiro do salário eu já transferi de volta para a conta pessoal dele. E essas roupas e joias vão voltar exatamente pelo mesmo caminho que vieram.

- Lorena, eu entendo, mas... essas coisas são suas, foram presentes...

Capítulo 202: Lealdade inabalável 1

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