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A vida dupla da babá: Santa de dia, Scarlat à noite romance Capítulo 242

"Érick"

O Andrey serviu três doses generosas de whisky puro. Eu peguei o meu copo e virei de uma vez, sentindo o líquido queimar a minha garganta sem derreter o gelo do meu peito, que só aumentou quando o meu cérebrou comparou aquilo a "dose do pecador" que a Lorena servia naquele antro. O Julian fez o mesmo, os olhos fixos em mim com um sofrimento contido e um desprezo cortante.

Eu estava encarando a fotografia no jornal, a imagem da Victória abraçada a mim e a manchete "casal do ano". Aquilo me incomodava e eu não sabia se era porque havia saído do meu controle ou se se era porque tornava aquele casamento real.

O Andrey continuava sentado exatamente o Julian e eu no sofá, mantendo os braços cruzados, os olhos sérios vigiando a garrafa que já estava na metade. Ninguém se mexia. Ninguém recuava um milímetro. E, assim como o Andrey, a má vontade e o rancor estavam instalados entre nós.

- Você ainda não percebeu o tamanho do buraco onde está se enfiando, Albelini. E vai levar todos nós junto. - O Julian quebrou o silêncio após virar a terceira dose, a voz voltando para aquele tom calmo e cirúrgico que ele costumava usar nas reuniões. Ele largou o copo sobre a mesa e me encarou de frente, os olhos brilhando com uma seriedade implacável. - Nãop acredito que esse jornal não acenda os seus alertas.

- Isso... pode ter sido alguém da empresa. Algum paparazzi nos flagrou e um desses jornalistas que vivem de mexericos da vida alheia correu atrás de informações. - Eu respondi irritado.

- Você acha mesmo isso? Logo você, Érick, que gasta milhões por ano com inteligência privada para blindar a sua vida pessoal? - O Julian me olhava com reprovação.

- E como você vai explicar isso, Beaumont? Vai confessar que foi você? - Eu respondi com cinismo, tentando ignorar o que começou a queimar na minha mente. - Os jornalistas de colunas sociais vivem caçando o meu sobrenome.

- Não esse tipo de notícia, seu idiota orgulhoso! - O Julian vociferou, inclinando o corpo na minha direção. - Alguém queria tornar o seu casamento público. Essa foto foi posada, Érick. O ângulo, o enquadramento, a iluminação... tudo ali está perfeito, foi desenhado milimetricamente para vazar vinte e quatro horas depois de você pedir a Victória Lemos em casamento. Você está até esboçando um sorriso! Você só sorria com a Lorena...

- Não fala o nome dessa mulher, porra! - Eu reclamei.

- Ah, tá! Vai fingir que não a agarrou ontem na frente de todo mundo naquele camarote? Vai negar que estava morrendo de ciúme do consultor que estava dando em cima dela descaradamente? - O Julian apontou e não, eu não poderia negar. - Você ama aquela mulher, Érick. Por que não pode parar com essa pirraça e escutar o lado dela?

- Por que ela mentiu, traiu a minha confiança... porque ela está sed prostituindo naquele maldito lugar! - Eu senti toda a dor de dizer cada palavra como se fossem facas me atravessando.

- ELA NÃO É PUTA! - O Andrey e o Julian gritaram comigo.

- Você é cego, só pode! - O Julian colocou a mão sobre os olhos. - Você a chama de piranha interesseira, mas a mulher não aceitou um centavo seu até hoje, ela não aceitou nem um só vestido, ela mandou de volta as roupas, sapatos e jóias que você mandou entregar, ela nunca usou a porra do cartão de crédito, ela devolveu cada centavo que ganhou como babá na sua casa, ela...

- O que você disse, Julian? - Eu me virei para ele de repente. Eu não entendia do que ele estava falando.

Ele me encarou como se estivessem nascendo chifres na minha cabeça.

- Em que mundo você vive, Albelini? - O Andrey soltou de repente. - Eu mesmo devolvi o dinheiro que você jogou na Lorena na boate. Cada centavo. O Alberto voltou com as malas para casa com tudo o que você havia comprado para ela. E a sua assistente me perguntou o que era aquele depósito na sua conta feito pela Lorena. Eu só descobri porque o Julian me contou o que ela fez e ela realmente devolveu cada centavo que você pagou a ela como babá.

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