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A vida dupla da babá: Santa de dia, Scarlat à noite romance Capítulo 243

"Dalva"

Era manhã de domingo. A Lorena estava arrasada e o trabalho na boate não estava fazendo bem para ela e o bebê. Ela estava exausta, com as olheiras profundas e o olhar triste. Não era só o foto dela estar escondendo a gravidez que estava sendo difícil, mas as aparições do Érick na boate não estavam sendo fáceis para ela. E agora a notícia do casamento. Eu precisava fazer alguma coisa pela minha Lô.

Eu ajeitei a alça da minha bolsa de mão, encarando a Lorena e a Marcelina no pequeno sofá do apartamento. As duas pareciam crianças chorosas porque a mãe vai sair e isso me fez sorrir. Essas meninas se tornaram minhas filhas, eram a família que eu não tinha. Eu não estava mais sozinha nessa vida.

- Eu preciso voltar para o trabalho, meninas. - Eu menti, forçando a minha voz a sair calma.

- Ah, Dalvinha, tão cedo? - A Lorena resmungou chorosa e eu dei um beijo demorado na testa dela.

- Fique firme, minha Lô. Beba a água e coma as panquecas que a Lina fez. Eu deixei comida pronta para vocês. Se alimentem e cuidem bem desse bebê. - Eu falei e me aproximei para dar um beijo na testa da Marcelina.

- Dalvinha, você sabe que a gente te ama. E eu ainda vou te tirar desse emprego chato que faz você ficar longe de nós. - A Marcelina falou cheia de determinação, me fazendo rir.

- Quando você se casar com o seu Baby, você me leva para trabalhar com você. - Eu brinquei e ela fez uma careta.

- Aquele engomadinho... Eu não vou me casar com ele. E se eu sair dessa vila, você, a Lô e o bebê saem comigo, nós sempre vamos ficar juntas. E não adianta vocês reclamarem. - A Marcelina puxou a mim e a Lorena para um abraço.

- Ainda bem que você se recusou a ir para a casa do Albelini comigo quando eu chamei. Não passou pela humilhação que a coitada da Lina passou por minha culpa. - A Lorena fungou e eu senti o peso da mentira que eu estava mantendo.

- Não é culpa sua que ele seja um idiota. - A Marcelina chamou a atenção dela.

Eu dei mais um beijo em cada uma a saí da vila com passos rápidos e determinados, mas o meu destino real não era a casa onde eu estava trabalhando. Eu peguei um táxi e cruzei a cidade até parar em frente à casa da Dona Heloísa Albelini. Eu não podia mais ficar de braços cruzados assistindo à minha menina definhar de exaustão, medo e desespero.

Toquei o interfone e a governanta pessoal da D. Heloísa me deixou entrar, ela já estava a minha espera, pois eu tinha avisado. A Alice estava passando o final de semana com ela, mas a D. Heloísa foi cuidadosa, ordenou que a neta continuasse no andar de cima brincando com os desenhos e mandou a governanta cuidar dela.

Eu olhei para aquela mulher elegante e altiva e reconheci nela as olheiras sob a maquiagem leve e a tristeza em seu rosto. Desde que op filho a expulsou, não havia outra palavra para aquilo, ela estava muito magoada, mas não se acomodou, eu sabia que ela estava aprontando alguma para aquela mulher que estava na mansão.

- O que aconteceu, Dalva? O Érick cometeu mais algum desatino? Como a Lorena está? - A D. Heloísa perguntou, a voz preocupada.

- D. Heloísa... eu quebrei o protocolo, me desculpe, eu não deveria vir, mas a situação na vila passou do limite do suportável. - Eu revelei, as lágrimas subindo aos meus olhos pela primeira vez em meses e ela me puxou para me sentar ao seu lado no sofá. - A Marcelina e a Lorena são como filhas para mim e as duas estão sofrendo. A Marcelina porque está com medo de se meter com o Julian e a Lorena... bem, a Lorena a senhora sabe.

A Dona Heloísa fechou os olhos por cinco segundos longos e mortais, processando o tamanho do desastre que o orgulho do Érick havia causado. Quando ela abriu os olhos, a parecia ter tomado uma decisão.

- Não se preocupa, Dalva. Eu vou resolver isso hoje ainda. Eu tenho uma amiga, ela se mantém fora da sociedade, porque passa a maior parte do tempo viajando. Ela viaja muito com o marido e a mãe idosa precisa de uma cuidadora que seja como uma dama de companhia à moda antiga. O salário é excelente, a minha amiga e o marido são ótimas pessoas e eu acho que a Lorena se dará bem lá. É uma pessoa que está fora do círculo do Érick. Ninguém do mundinho dele vai conseguir farejar a Lorena lá. Mas a Lorena precisa se mudar para lá, folgas nos finais de semana e se a minha amiga estiver viajando ela precisa ficar na casa. Mas a minha amiga é como você, um coração grnade demais e eu tenho certeza de que vai se afeiçoar a Lolô muito depressa. Você acha que ela aceita?

- Desde que ela não saiba que veio da senhora, tenho certeza que sim. - Eu respondi sentindo um alívio tomar conta do meu coração.

- Ótimo! Eu vou ligar para a minha amiga e se ela concordar, você liga para a Lorena.

- Obrigada, D. Heloísa. Eu vou indo agora. - Eu me levantei, pronta para ir embora.

- Mas de jeito nenhum! Senta aí e vamos conversar. Quando o Alberto vier buscar a Alice você vai junto. Nós vamos dizer para todo mundo que eu pedi para você vir para acompanhar a Alice porque não queria ir aquela casa... - Ela respirou fundo com tristeza. - E não quero mesmo.

- D. Heloísa, eu espero que seu filho abra os olhos logo.

- Eu também. Fica, Dalva, me faça um pouco de companhia.

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