Entrar Via

A vida dupla da babá: Santa de dia, Scarlat à noite romance Capítulo 300

"Julian"

O Andrey e eu estávamos nos escondendo na minha sala, cada um jogado em uma ponta do sofá, quando a porta foi empurrada sem qualquer cerimônia no final da tarde e o baque ruidoso de uma maleta profissional de couro sendo largada de qualquer jeito na mesinha de centro me fez abrir os olhos e erguer a cabeça. O Balthazar De La Vega, desfez o nó da gravata e jogou-se no dofá entre o Andrey e eu com um semblante tomado por uma exaustão corporal monumental.

- Eu já gerenciei transações de alto risco em toda a Europa, Beaumont. Já atravessei semanas em negociações com os maiores e mais difíceis tubarões do mercado internacional, D'Ávila. Mas eu juro por Deus que eu nunca vi uma mulher com a disposição e os punhos de ferro da D. Heloísa Albelini. - O Balthazar desabafou com um riso ríspido e cansado, passando a mão pelo rosto. - Eu estou completamente destruído. Ela passou as últimas quatro horas me prensando em conferências internacionais com os bancos da Suíça sem me dar um milésimo de segundo para respirar. E não é que ela deixe o trabalho pesado para mim, ela trabalha tanto quanto eu, mas está lá naquela cadeira tomando uma xícara de chá como se tivesse passado o dia observando as flores.

- O segredo está no chá, De La Vega, vai por mim, tem alguma coisa naquele chá. - Eu declarei.

O Andrey soltou uma gargalhada alta e ríspida do outro lado do sofá, servindo uma dose generosa de uísque puro e estendendo o copo ao nosso mais novo cão fiel.

- Bem-vindo ao clube, De La Vega. Nós estamos justamente nos escondendo dela. - O Andrey debochou de forma amigável, dando de ombros. - Nós passamos meses correndo atrás do próprio rabo achando que você era o cérebro do Simão, quando na verdade estávamos todos operando debaixo das ordens da mamãe Albelini. E ela é impiedosa. Aquela mulher tem mais disposição e determinação do que o Érick e nós dois juntos conseguiríamos prever debaixo deste teto.

- Nem a desastrada é desastrada mais. - Eu reclamei. - Escutem o que eu estou dizendo, a dama do chá está subvertendo a ordem antes estabelecida.

- Ela é a verdadeira Soberana deste império, Julian. Me surpreende que nunca tenha assumido o negócio. - O Andrey concordou com um meio sorriso irônico. - O Érick que sangre o orgulho dele nesse exílio auto imposto... e que lute pelo poder quando voltar.

- Hum... não, ele não vai precisar lutar. Ela vai entregar tudo de volta. - O Balthazar sorriu. - Ela gosta de ser o cérebro por trás, não o rostinho bonito que o mundo vê. Acreditem, eu trabalho para ela há tempo demais, ele gosta de estar nas sombras.

- Trabalha para ela há tanto tempo e ainda está choramingando que ela tem muita disposição?! Acho que você é um fracote, De La Vega. - Eu zombei dele.

- Eu trabalho para ela há muito tempo, mas nunca trabalhei diretamente com ela. Geralmente eram reuniões, ou nada mais que alguns poucos dias, mas já tem um mês que ela assumiu o comando aqui. Um mês! - O Balthazar chiou.

- Porra, tem um mês que eu mal falo com a Marcelina. - Eu grunhi. - Eu estou tão sobrecarregado com tudo aqui, que quando chego em cada ela já foi para a boate e quando ela chega, eu já estou aqui com a D. Heloísa.

- Ah, é, você e o sortudo que tem a atenção daquela beleza da Pandora. - O Balthazar deu um sorriso.

- Só a atenção mesmo, porque ela está mantendo as mãos do Julian amarradas. - O Andrey riu.

- Ela disse que é para resolver toda essa bagunça primeiro e depois nós conversamos. Mas por enquanto podíamos ser amigos. - Eu bufei. - Tudo culpa do orgulho do Albelini.

- Ah, que interessante! Querem saber, acho que vou acompanhar vocês. - Ela falou alegremente.

- D. Heloísa... aquilo não é lugar para a senhora. - Eu falei um tanto preocupado com a reputação da mãe do meu amigo.

- E por que não, Julian? Por que é um clubinho de homens? Ou por que as mulheres dançam semi nuas? E me corrija se eu estiver errada, mas eu acho que a mulher pela qual você anda suspirando serve mesas lá. - Ela me encarou severamente. - Preste atenção, Julian, e aprenda uma lição valiosa: o meu lugar, é onde eu quiser! Quem determina o que é bom ou ruim para mim, sou eu mesma. E essa regra se aplica a todas as mulheres. Se vocês, homens de negócios e respeitados no mercado, vivem naquele lugar e a reputação de vocês não se abala, por que a minha seria abalada? Porque eu sou mulher? Ah, querido, não seja antiquado. Além do mais eu tenho uma reputação mais do que estabelecida. E eu quero ver uma coisinha lá com os meus próprios olhos. Então, vocês vão comigo ou eu terei que ir sozinha?

A D. Heloísa se levantou decidida.

- O Érick vai nos matar quando souber onde levamos a mãe dele. - Eu comentei com o Andrey, que já estava oferecendo o braço para a D. Heloísa.

- Quer saber, Julian, o Érick não está podendo reclamar de nada. Ele tomou tantas decisões ruins que nós já estamos há meses limpando a sujeira dele. E eu vou achar o máximo ver a D. Heloísa controlando aquele Trono. Vamos, covardes! - O Andrey saiu rindo com a D. Heloísa.

- O mundo é das mulheres, Beaumont! Até eu que sou inglês sei disso. Vamos! É sexta feira! - O Balthazar deu dois tapinhas nas minhas costas antes de sair.

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: A vida dupla da babá: Santa de dia, Scarlat à noite