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A vida dupla da babá: Santa de dia, Scarlat à noite romance Capítulo 302

"Julian"

A gargalhada da Dona Heloísa Albelini ecoou pelo camarote, e a Marcelina não se fez de rogada, ela foi até o bar e quando voltou trazia os copos e três garrafas de vodka. Ela serviu as doses duplas, incluindo uma para ela, e, com o desdém e o vocabulário questionável de sempre, ela nos ofereceu o pacto para uma voltinha no inferno, enquanto a desastrada dava pulinhos e batia palmas como se estivesse num parque de diversões e o Balthazar e o Andrey morriam de rir. Só eu estava preocupado com a presença de uma das damas mais respeitáveis da cidade naquela lugar de reputação duvidosa.

- Vamos lá, pecadores, quando eu contar três, todos nós selamos o pacto juntos. Lembrem-se, bebam de uma vez ou dobrem a entrada. - A Marcelina avisou. - Um... três!

Todos nós viramos as doses e a D. Heloísa e a desastrada foram as primeiras a bater os copos na mesa. Nos deixando boquiabertos.

- O que foi? Nós não bebemos como homens. - A Desastrada comentou com desdém. - Somos superiores até nisso. - Ela zombou de nós, fazendo as outras duas rirem.

A Pandora fez o seu espetáculo, a D. Heloísa e a desastrada batiam palmas e dançavam em seus lugares enquanto viravam taças de champanhe e eu observava a cena imaginando o que o Érick diria quando voltasse e soubesse de toda a verdade, inclusive que sua mãe era a mulher por trás da Infernal.

Assim que a farra assentou no camarote e a Marcelina se sentou arfante, a Dona Heloísa ajeitou o terno de alfaiataria vermelho e recuperou a pose de soberana.

- Eu não me divertia assim há anos! - A D. Heloísa segurou a mão da Marcelina com carinho.

- Mas agora me contem, que caralho de auditoria de elite é essa aqui? - A Marcelina quis saber. - Julian? Andrey? O que a realeza Albelini está fazendo dentro deste antro de perdição?

- Aparentemente a realeza Albelini vai onde quer. - Eu respondi e a D. Heloísa riu.

- Ele aprende rápido! - A D. Heloísa riu de mim. - Pandora, você está pronta para deixar este lugar? Eu vim negociar o seu resgate.

A Marcelina colocou o copo na mesa com as mãos trêmulas, olhando para cada um de nós como se pedisse uma explicação. Mas nem eu, nem o Andrey e muito menos o Balthazar sabíamos do que a senhora falava.

- Ah, isso vai ser muito divertido! - A desastrada falou alto ao meu lado me dando uma cotovelada nas costelas e encheu os copos outra vez. Ela sabia o que a D. Heloísa ia fazer.

- A senhora está falando sério, D. Heloísa? Porque não tem nada que eu queira mais do que sair da boate. Não que eu me importe de trabalhar aqui, mas é que eu quero ir além desse lugar. - A Marcelina explicou.

- Eu já ofereci te levar além deste lugar. - Eu resmunguei emburrado.

- É que eu também quero ir além da sua cama, Beaumont. - A Marcelina respondeu com aquela rispidez que ela usava só para fingir que não dava a mínima para mim.

- Ir além da minha cama... ou seja, você vai estar lá também. - Eu sorri convencido para ela.

- Vai sonhando! - Ela bufou e se virou para a D. Heloísa, fingindo me ignorar.

- E você está certíssima em querer ir além, Pandora. E eu, nomeada rainha das rainhas por vocês... - A D. Heloísa deu uma olhadinha em torno de nós com um sorriso malicioso. - Decreto que os seus dias de rainha absoluta deste Trono oficialmente chegaram ao fim. - A D. Heloísa revelou com um sorriso convencido. - Marcelina, eu sou o sócio oculto da holding. Ou melhor, era. Eu comprei as ações porque tive medo do plano do Érick falhar. E eu estava certa, não porque o plano falhou, mas porque o meu filho cometeu uma suscessão de erros. Mas como ele resolveu viajar, eu tive que assumir o controle de tudo.

- Como assim o Albelini viajou? - A Marcelina perguntou.

- Ele viu a Lorena grávida chegando na vila com outro cara e concluiu que ela seguiu em frente e está grávida de outro. A Lorena está grávida! - O Andrey explicou, ainda inconformado que tenhamos escondido algo tão importante.

- Você é minha, Pandora! Vamos ver por quanto tempo você consegue resistir trabalhando do meu lado todos os dias. - Eu rosnei num sussurro possessivo, espalmando a mão na cintura dela. - Você está me mantendo a um braço de distância há muito tempo, sempre com uma desculpa diferente. Mas agora acabou a piada do "apenas amigos". Eu sei que você me quer como eu te quero, Baby.

A Marcelina segurou o meu colarinho com os dedos firmes, dando um sorriso atrevido que me prendia nele.

- Você continua sendo um engomadinho convencido, Baby. E o seu dinheiro e o seu rostinho bonito continuam não me impressionando. - Ela sussurrou perto dos meus lábios.

- Eu sei que você não se impressiona com dinheiro e aparência, Baby. Mas eu sei que você gosta de mim como eu gosto de você. Para quê dificultar sze a gente pode ser feliz?

- Eu já te disse, Baby, eu sou um espírito livre, ninguém me controla e homens como você...

- Homens como eu tratam suas mulheres como rainhas, com devoção, ficam aos seus pés.

- É assim que você faz?

- É assim com você, Baby! Você acha mesmo que eu estaria insistindo tanto com uma mulher só para levá-la pra cama algumas vezes? Você sabe que não, Marcelina. Você já fez de mim gato e sapato, já tem certeza de que eu vou grudar em você e não vou soltar mais. Você sabe que eu não sou idiota como o Érick.

- Eu não sei de nada! - Ela sorriu desafiadora. - Mas acho que eu vou gostar de ver você tentar me controlar na holding e tentar me converncer a te dar uma chance.

- Eu já te convenci! - Eu não dei tempo para que ela respirasse. Invadi a boca dela com um beijo devastador, possessivo e faminto, fundindo a nossa pele no escuro do corredor enquanto a música da boate pulsava ao fundo. Pela primeira vez em meses eu senti que tudo estava perto de terminar bem.

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