"Érick"
Eu estava segurando a mão da Lorena enquanto dirigia. Ela tinha um meio sorriso satisfeito no rosto e uma paz que parecia inabalável. Mas quando eu fiz a curva e peguei a rodovia, ela se agitou.
- Para onde nós estamos indo? - Ela perguntou com visível preocupação.
- Nós estamos indo para casa. - Eu respondi calmamente e beijei a sua mão.
- Esse não é o caminho de casa! - Ela observou começando a ficar nervosa. - Érick, eu deixei leite para o Marco só para um dia, com uma reserva técnica para mais um, nós não podemos simplesmente sair da cidade.
- Calma, minha Fada. Nós não vamos longe. Apenas vamos na nossa casa. - Eu a encarei por um momento.
- A casinha do riacho. - Ela sibilou.
- Sim. Nossa casa secreta. O único lugar no mundo que pertence apenas ao nosso amor, é apenas nosso e onde ninguém vai nos perturbar. - Eu confirmei. - Quando eu te vi com o Lucas na vila, eu fui para lá. E a casa ainda tinha o seu cheiro e a sua lembrança em cada canto. Por isso eu fui para a Suíça, porque aqui, você já estava enraizada em toda a minha vida. - Eu confessei. - Agora eu quero te levar de volta para a nossa casa porque eu quero esquecer os dias que passei lá desesperado por você.
- Eu fico furiosa quando penso que você sumiu no mundo e deixou o seu único contato com a Alice. Érick, ela tem oito anos! - Ela me repreendeu outra vez.
- Me desculpa, Lô, eu não estava pensando direito, estava... morrendo de dor! E só não queria que todos ficassem me ligando ou fossem atrás de mim.
- Você perdeu o aniversário da sua filha!
- Mas não vou perder mais nada na vida de nenhum dos meus filhos. Nem da sua. - Eu garanti e parei o carro no acostamento da rodovia, me virando para ela. - Eu te prometi muitas coisas que se resumem a apenas uma: ser o homem que te mereça todos os dias. Isso inclui ser um pai exemplar, um marido apaixonado e um parceiro que não solta a sua mão por nada. Eu vou cumprir.
- Eu sei! E você é um grande pai, sempre foi. Só tem o péssimo hábito de tirar conclusões precipitadas.
- E eu prometi que não vou tirar mais conclusões sem falar com você. Sobre qualquer coisa.
- Por que você parou o carro?
- Porque eu não vou tirar conclusões e quero saber de você se você quer passar a nossa noite de núpcias na nossa casinha do riacho.
- É claro que eu quero! Eu adoro aquele lugar. - Ela sorriu e colocou a mão no meu rosto. - E assim que as crianças estiverem um pouquinho maiores, eu quero dar a volta ao mundo com você e os nossos filhos, para que não haja mais nenhum lugar para onde você possa fugir para me esquecer.

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