"Dalva Maria"
Quando eu cheguei a essa casa ela parecia um território de dor e sofrimento, a Alice chorava muito, o Sr. Érick bebia e se lamentava e a D. Heloísa tentava se manter firme para ajudar o filho. Eu até pensei que o Sr. Érick fosse se resolver com a Lorena muito rápido porque era claro que ele a amava, mas não foi o que aconteceu, porque essa tal Victória apareceu e ficou sussurrando no ouvido dele como um demônio. E como todo demônio aquela mulher prometeu maravilhas e entregou um inferno de dor e sofrimento. E agora se livrar dela parecia impossível.
Até eu já tinha percebido que aquela história de mulher elegante e de família importante que a Adelaide ficava contando era mentira. A Adelaide adorava se gabar de como a patroa era maravilhosa e como a Lorena era uma aproveitadora e isso me irritava profundamente porque a Adelaide estava muito equivocada. Cada vez que a Adelaide abria a boca para falar da Lorena eu tinha que respirar fundo para não arrancar aquele coque da cabeça dela. Felizmente ela já não estava na casa e a Victória esta sozinha, o que me deixava com mais liberdade para ficar de olho naquela mentirosa, porque eu sabia que era uma mentirosa, eu reconhecia os mentirosos a quilômetros. Foi assim quando eu fui trabalhar na casa da Lorena, assim que eu conheci o Carlos Eduardo e aquela amiga, eu sabia que eram dois mentirosos e que a Lorena era o tipo de pessoa que acreditava que todos tinham bom coração. E eu só fiquei lá por causa dela, porque era impossível não se afeiçoar aquela moça de sorriso fácil e tão dócil. A Lorena ganhou o meu coração muito depressa. E era por ela que eu estava disposta a qualquer coisa para arrancar a máscara daquela víbora da Victória.
Mas o Sr. Érick teve uma epifania quando enviou a equipe de segurança e me mandou trancar as portas dos cômodos para irritar aquela mulher. A Victória agora estava, além de irritada, isolada e encurralada naquela suíte de hóspedes e eu a monitorava em tempo integral. Se ela estava escondendo algo, só podia estar naquele quarto. E eu precisava encontrar, porque eu conhecia gente como ela e ela não seria vencida tão fácil.
Eu estava há semanas vigiando essa mulher, bancando a empregada que não dava a mínima para a vida dos patrões e que só estava ali pelo salário, mas ela ainda não tinha escorregado. Todos os dias ela fazia as refeições na cozinha, perguntava se o Sr. Érick tinha dado notícias, dava três ou quatro chiliques e se sentava perto da piscina, depois entrava e se trancava no quarto. Eu precisava encontrar alguma coisa para acabar com a farsa dela, pelo bem da minha Lorena e daquele bebê que já estava quase vindo ao mundo.
Eu sabia que a Victória estava mentindo sobre algo, mas eu não sabia o que, no entanto eu sabia, mesmo que a barriga dela estivesse crescendo, eu tinha o pressentimento de que havia algo errado. Então eu esperei que ela fosse se sentar perto da piscina como vinha fazendo todas as manhãs e corri para o quarto dela. Lá tinha que ter alguma coisa.
O silêncio nos corredores da casa fazia com que ela parecesse abandonada. E realmente estaria se não fosse pelos empregados e os seguranças andando pela casa e vigiando algumas portas específicas. Eu me apressei até o quarto da Victória e chamei o segurança que estava pelo corredor.
- Fica de olho e se a senhora estiver a caminho, me dê um sinal para que eu saia antes que ela possa me ver. - Eu pedi a ele que fez um aceno de cabeça em confirmação.
Eu girei a maçaneta e entrei nos domínios da serpente. O quarto parecia em ordem. Eu comecei a procurar pelas gavetas do quarto, qualquer coisa que pudesse ser uma pista sobre quem ela realmente era, mas eu não estava encontrando nada. Eu olhei até debaixo do colchão e não tinha nada. Então eu passei para o closet. Ali não estava tão bem arrumado assim, parecia tudo meio amontoado. Muitas roupas e sapatos por todos os lados e várias caixas empilhadas. Eu fui abrindo tudo e vasculhando e já estava quase desistindo quando encontrei, bem no alto, uma caixa grande que me deixou de queixo caído quando eu abri. Dentro saquela caixa havia várias barrigas falsas de silicone.
- Ah, mas eu sabia! Te peguei, bandida! - Eu murmurei, colocando a caixa no chão e me apreessando a tirar fotos. Mas quando eu estava colocando a tampa na caixa, o segurança tossiu lá fora, era a senha, a Victótia estava voltando.
Eu subi e coloquei depressa a caixa no alto, mas quando eu cheguei a porta do closet a maçaneta girou.
- Ai, sai de perto de mim com essa tosse, não quero pegar nenhuma doença de pobre! - A Victória disparou para o segurança que tossia desesperadamente.
Eu voltei correndo para o closet e tive apenas um segundo para encontrar um esconderijo. Eu me enfiei atrás dos vestidos longos e puxei para os meus pés um quadro que estava guardado ali. Eu só podia contar com a sorte para ela não me encontrar e para que ela saísse rápido do quarto.
- Ai que tédio é essa casa! - A Victória falou alto. - Não tem nada para fazer, ninguém para implicar... esses empregados todos parecem ser mudos. Nem fazem fofoca dos patrões. Na época da minha mãe era bem mais divertido.

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