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A vida dupla da babá: Santa de dia, Scarlat à noite romance Capítulo 301

"Julian"

O rastro de fumaça, a música pulsando de forma ruidosa e as luzes de neon da Infernal pareciam exatamente as mesmas de meses atrás, mas o falso equilíbrio daquele ambiente noturno foi estraçalhado no mesmo milésimo de segundo em que o nosso grupo entrou. O Barão, que estava postado perto da entrada avaliando a clientela de ricaços que chegava para decidir qual bajular mais, travou lentamente com o copo de uísque a meio caminho da boca, os olhos quase saltando das órbitas ao processar quem liderava o nosso grupo. E ele não foi o único.

A D. Heloísa Albelini entrou no recinto com o seu impecável terno de alfaiataria vermelho, exalando uma elegância tradicional e uma autoridade tão absurdas que a névoa da boate pareceu abrir espaço para ela passar. Era incrível como ela não destoava do ambiente, mas parecia governá-lo. Como se fosse um tipo de Deusa flutuando entre o profano. E para coroar o surrealismo daquele acontecimento, a recepcionista desastrada, que tinha aceitado o convite da D. Heloísa com a empolgação de uma adolescente convidade para o seu primeiro baile de deubutantes, vinha logo atrás, tropeçando sutilmente nos próprios pés enquanto tentava olhar para todos os lados, com os olhos brilhando de puro frisson ao lado da sua "madrinha".

- Ela acbou de entrar e já domina o lugar. - Eu falei com o Balthazar ao meu lado e ele riu.

- É a postura, Beaumont! Ela não pede licença, ela ocupa o lugar que ela quer. E é por isso que eu trabalho para ela, porque é um privilégio para mim. - O Balthazar sorriu. - Eu aprendo muito com ela.

- Senhor tenha piedade! Albelini... se o seu filho estivesse aqui, eu estaria em sérios problemas. - O Barão balbuciou num sussurro atônito, vindo ao nosso encontro com passos rápidos.

- Deixe de ser antiquado, Barão. - A D. Heloísa rebateu com um meio sorriso orgulhoso, sem recuar um milímetro. - Se o meu filho estivesse aqui, ele estaria abrindo o caminho até "O Trono". Vamos, sei que é o melhor camarote da casa e o que tem o melhor serviço. E se prepare, hoje eu vim fazer uma auditoria visualm saber se o nosso acordo está sendo cumprido.

- Tudo corre conforme "A Fonte" determina, Albelini. - O Barão deu uma piscadinha para a D. Heloísa que deu uma risada atrevida e foi em direção ao camarote, mas eu segurei o Barão pelo colarinho.

- O Érick não está aqui, mas eu estou. Flerta com ela de novo e eu convenço a Pandora a arrancar os seus olhos com o picador de gelo. - Eu ameacei e o Barão engoliu em seco.

Subimos as escadas em sincronia, com o Andrey e o Balthazar se divertindo com a audácia da D. Heloísa, que se sentou na poltrona de couro como uma rainha. Nós nos sentamo no sofá ao lado e a Amália se aproximou do vidro observando o salão fascinada.

- Hajam naturalmente, meninos. Eu não preciso de seguranças. - A Dona Heloísa ditou as ordens com aquela voz mansa e impositiva.

- Olha ela lá, senhora! - A Amália falou tão empolgada que dava pulinhos e a D. Heloísa se levantou e foi até o vidro, observando atentamente.

A curiosidade me pegou. Eu fui até elas e olhei na direção que elas olhavam. De repente eu me senti como se tivesse tomado um chá alucinógeno e estivesse vendo uma realidade paralela e totalmente psicodéloca. Eu esfreguei os olhos e olhei outra vez para a mulher no cubículo do caixa. Mesmo sentada ali, como se fosse uma criança de castigo, usando um vestido preto de mangas compridas e gola alta, com uma peruca preta longa e lisa e um batom vermelho berrante eu ainda podia reconhecê-la.

Adelaide.

Capítulo 301: Ela está colhendo o que plantou 1

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