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A vida dupla da babá: Santa de dia, Scarlat à noite romance Capítulo 342

"Érick"

A Lorena deslizou os dedos pela tampa, desfez o laço de fita e abriu a caixa devagar. No mesmo instante ela prendeu a respiração, toda a cor sumiu das suas bochechas ao focar as pupilas no tecido preto com detalhes vermelhos do espartilho, na saia curta, nas botas de salto e na peruca vermelha.

O figurino da Scarlat. Completo.

- Érick... por que você está me dando isso? - Ela gaguejou num fio de voz trêmula, o semblante inteiramente desfeito de medo do que eu diria.

- Porque eu me casei com a doce babá, mas quero passar a noite com a minha pecadora. - Eu respondi baixo.

- Você ainda pensa nela. Essa dúvida sempre me assombrou, qual das duas você idealiza e qual das duas você ama. - Ela falou com a tristeza se insinuando em sua voz.

Eu ainda estava ajoelhado aos seus pés e segurei as mãos dela com um aperto suplicante, a forçando a olhar diretamente nos meus olhos.

- Presta atenção no que eu tenho para te dizer, Lorena. - Eu implorei. - Eu me casei com a santa e doce babá que cuidava da minha filha. Uma mulher forte que já passou por tanta coisa, mas não perdeu essa doçura que me encanta e eu amo cada centímetro dessa mulher profundamente. Mas eu quero passar a minha lua de mel inteira com a Scarlat! Porque eu também amo o lado atrevido, devasso, pervertido, safado e perigoso que você me entregou naquele camarote desde a primeira noite.

- Ontem, na boate, você me chamou de Scarlat. Eu fui a Scarlat para você. Eu... eu pensei que fosse a última vez e... - Os olhos dela estavam marejados. - Por que você quer isso? Você não sabe qual das duas você ama? Ou você ama a Scarlat e...

- Lorena, você não vê? - Eu perguntei e ela me olhou confusa. - Então escuta. É engraçado, o Julian jogou na minha cara que eu não quis ver a verdade, que eu me enganei desde o início. E ele tinha razão. Desde a primeira vez que eu vi a babá, havia algo... uma eletricidade, uma atração magnética, eu não sabia porque você me despertava instintos tão... primitivos e emoções conflitantes. Enfim, eu nao resisti a você, como nunca resisti a ela. E quando eu tive você... eu sempre sentia a presença dela. O toque na minha alma sempre foi o mesmo.

- Por que você a queria, mesmo quando estava comigo, era nela que você pensava. É nela que você pensa. - Ela declarou com tristeza, como se falássemos de outra pessoa.

- Nada disso, Lô! Eu sempre estive com você e só com você, mesmo quando eu não sabia que era você. O seu toque, o seu beijo, tudo me confundia, porque eu estava beijando e tocando a mesma mulher. A mesma que vestida de santa ou de pecadora, sempre me deixa louco. - Eu passei o polegar pelo rosto dela, secando a lágrima que caiu. - Sabe como eu soube que a Meduza não era a Scarlat real?

- Não, você nunca me disse como descobriu. - Ela me encarou com os grandes olhos castanhos ansiosos.

- Porque ela me beijou. Não era o mesmo beijo. Eu soube no exato momento que não era a verdadeira Scarlat. E quando eu te beijei pela primeira vez, eu pensei na Scarlat, é o mesmo beijo, porque é a mesma pessoa. Percebe? Não é a roupa que faz a Scarlat, porque ela não é um personagem. No fim das contas, Lô, você é ela! Você sempre foi ela e ela sempre foi você. Você é a Scarlat, aquela mulher atrevida, destemida, irônica, sensual, linda, que faz o meu sangue ferver e me possui, me transforma num viciado necessitado. E eu vi a Scarlat em você todas as vezes que eu te vi reagir, como quando você defendeu a Alice na escola, ou quando você enfrentou os membros do antigo Conselho. Eu vejo muito mais dela em você hoje dentro da empresa, comandando aquele lugar como se tivesse nascido sabendo o que fazer. Em algum momento a Scarlat e você começaram a se fundir na minha mente, porque a Scarlat é você! E o meu coração sempre soube disso. Mas você também é a minha doce babá, que se entrega, que confia, que tem medo e enfrenta, que tem uma capacidade de amar inesgotável e resiliente. Eu vejo a minha doce babá quando você pega a minha filha no colo...

- A nossa filha! - Ela declarou.

Capítulo 342: Encontrando o paraíso 1

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