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A vida dupla da babá: Santa de dia, Scarlat à noite romance Capítulo 54

"Érick"

Eu dirigi em silêncio por quase quarenta minutos. A irritação causada por aquele professor estava me corroendo. Como ele ousava se aproximar dela? Será que ele não sde dava conta de que ela estava fora do alcance dele? Dele e de qualquer outro.

Eu respirei fundo, a tensão dentro do carro era tão grande que eu sentia o peso do nervosismo da Lorena ao meu lado. Ela estava encolhida, os olhos fixos na estrada, como se esperase pelo pior. E pelo jeito, ela achava que estava sendo levada para o abate, mas a verdade era que eu a estava levando para a única parte de mim que ninguém tinha acesso, nem a Alice ou a minha mãe.

Eu saí da estrada principal e entrei em uma trilha de cascalho cercada por árvores centenárias. Ao final do caminho, a pequena casa de pedra e madeira surgiu, à margem de um riacho que cortava a propriedade. Eu havia comprado essa casa logo que fiquei viúvo, sozinho e com uma garotinha para criar. Tudo parecia tão sufocante e encontrar esse lugar foi como conseguir respirar de novo. Ninguém sabia que este lugar existia. Era o meu refúgio. E, hoje, eu o compartilharia com ela, porque era o único lugar onde eu respirava sem precisar controlar tudo.

Eu estacionei e desliguei o motor. O silêncio da natureza nos permitia ouvir o som do riacho correndo como uma melodia feliz.

- Onde estamos, Sr. Albelini? - A voz dela era um sussurro trêmulo. - Se vai me demitir, por que não fez isso na escola? Ou na sua casa? Para quê me trazer para o meio do nada?

- Desça do carro, Lorena. - Eu disse a ela com a voz baixa e tentyando não ser rude.

Ela obedeceu, mas ficou parada junto à porta, abraçando o próprio corpo como se estivesse com frio. Eu contornei o carro e parei à sua frente. Os raios de sol infiltravam-se pelas copas das árvores, iluminando o rosto tenso dela com uma luz dourada, dando aos seus olhos um tom aveludado de café fresco.

- Este lugar não consta em nenhum registro da empresa. Ninguém vem aqui. Ninguém sabe que ele existe. - Eu dei um passo à frente, invadindo o espaço pessoal dela. - Agora você sabe. Você disse à Alice que o quarto novo, para onde eu te transferi, te dá medo. Mas eu acho que a verdade não é essa, não é, Lorena?

Ela arregalou os olhos, a surpresa desmanchando sua máscara de frieza.

- A Alice... - Ela abaixou a cabeça e quando ergueu tinha uma determinação velada em seus olhos. - Sr. Albelini, não interessa se eu tenho medo ou não, não é mesmo? O senhor vai me demitir, eu já sei. Só não entendo, por que me trazer até aqui?

- Este lugar... é onde o mundo não entra. - Eu ergui o queixo dela e apontei para a casa - É pequeno, é quente e é meu. E hoje, é o lugar onde você vai me dizer por que diabos estava chorando escondida no closet. E eu te trouxe para cá, porque aqui você vai conhecer o verdadeiro Érick Albelini. E daqui, você não pode fugir.

- O que isso significa? - Ela me encarou com os olhos marejados.

Capítulo 54: O refúgio das confissões 1

Capítulo 54: O refúgio das confissões 2

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