"Lorena"
“Eu estou perdendo a cabeça por você”. As palavras do Érick pairaram no ar entre nós, carregadas de uma honestidade para a qual eu não estava preparada. Não era o milionário arrogante falando, era o homem que me beijou no escritório, o homem que me disse que eu o deixava louco, aquele que guardou o meu sutiã sizendo que eu tirava a sua paz.
Ele não esperou que eu processasse a confusão no meu peito e na minha cabeça. Ela não me beijou como se precisasse de oxigênio. Ele segurou minha mão, um gesto surpreendentemente gentil, e me levou para dentro da pequena casa de pedra.
O interior era confortável e de bom gosto. Parecia um daqueles chalés das pinturas em tela numa paisagem bucólica e que te faz imaginar como deve ser calmo viver ali. Com certeza era um pequeno recanto de paz e descanso. Diferente da casa dele de linhas retas e modernas, paredes brancas e decoração de revista, aqui havia madeira rústica, o conforto de coisas simples e uma lareira de pedra que parecia o coração do lugar. Era quente. Era acolhedor. Era... humano.
- Por que você me trouxe aqui, Érick? - Eu perguntei com a voz baixa enquanto olhava tudo com um certo encanto. Sem perceber eu usei o nome dele sem o título como ele pediu naquele dia no escritório. A palavra soou como um segredo compartilhado.
Ele parou diante de mim e pela primeira vez notei o cansaço no seu rosto, um cansaço que ele escondia de todo o mundo.
- Finalmente parou com o "Sr. Albelini". - Ele deu um pequeno sorriso. - Gosto de ouvir o meu nome saindo da sua boca. Você não imagina o quanto parece sexy nos meus ouvidos, sua voz baixa dizendo o meu nome. Isso é sinal de que eu vou ser perdoado.
- Não seja um cretino convencido e confiante. Isso não é sinal de nada. Apenas que aqui você não é o meu chefe!
- É, aqui eu não sou o seu chefe. Eu sou apenas o homem que quer você e não sabe lidar com isso. - Ele deu um passo em minha direção, diminuindo a distância até que eu pudesse sentir o calor que emanava dele. - E foi por isso que eu te trouxe aqui. Porque eu queria que você olhasse pra mim e realmente me visse. - Ele tocou o meu rosto com as pontas dos dedos.
- Você poderia fazer isso em casa. Era só falar comigo.
- Não, tinha que ser aqui, porque aqui não tem Adelaide pressionando você, não tem o Julian nos interrompendo, não tem o risco de um flagra da Alice. Aqui você não vai se distrair ou sair correndo. Aqui você precisa olhar e vai ver que eu sou apenas o homem que não consegue parar de pensar em como você fica linda quando está brava. O homem que se sente um miserável por ter feito você chorar. O homem que quer aprender a lidar com você e poder beijar você com calma.
Meu coração martelou no peito. A armadura que eu construí durante todos aqueles dias estava ruindo. De onde havia saído aquele Érick de voz sedutora, palavras gentis, gestos sutis? Eu não estava preparada para ele.
- Eu não entendo. Me assusta não saber o que esperar. Num momento você é um rompante de possessividade e no outro você é o próprio frio do Ártico. De manhã você me beija como se não pudesse mais esperar por aquele beijo e à noite você invade o meu quarto e faz a... e me possui como se estivesse marcando um território em guerra, mas depois simplesmente dá as costas e se retira. Na manhã seguinte você é um tirano babaca que me mudou de quarto e se afastou. E na semana seguinte você me ignora como se eu fosse um fantasma.



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Os comentários dos leitores sobre o romance: A vida dupla da babá: Santa de dia, Scarlat à noite