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A vida dupla da babá: Santa de dia, Scarlat à noite romance Capítulo 56

"Lorena"

O beijo de trégua que começou lento, meio inseguro e quase que pedindo passagem era um pedido de desculpas silencioso que me fez esquecer todos os motivos que eu tinha para ficar longe daquele homem. Mas não durou muito. E o perigo não era mais ele me demitir, mas sim eu nunca mais querer ir embora desse refúgio. Em segundos, ele se transformou em um incêndio que não se podia controlar. E não poderia ser diferente, mesmo ali, tentando se desculpar, era o Érick Albelini, ele era intenso.

No momento em que as mãos dele apertaram a minha cintura e ele me empurrou para o sofá novamente, seu corpo sobre o meu, o mundo lá fora e todos os problemas simplesmente virou cinzas.

Naquele momento, cercada pelo cheiro de mato e pelo calor do homem que eu deveria temer, eu percebi que estava perdida. Não importava se eu era a babá ou a garçonete; eu amava o modo como ele me segurava como se eu fosse a coisa mais preciosa do seu mundo.

- Eu senti falta disso... do seu calor... do seu beijo. - Ele rosnou contra a minha boca, um som rouco que vibrou direto no meu baixo ventre. - Do seu gosto, da forma como você estremece quando eu te toco.

Ele não esperou. Suas mãos subiram possessivas, ignorando o tecido do meu elegante vestido de babá, que agora parecia apenas um corte de tecido amarrotado. O Érick desabotoou os botões do vestido com uma urgência febril, e quando sua boca encontrou a curva do meu pescoço. Eu também havia sentido falta dele. Ele me tocava com a sede de um homem que esteve no deserto por dias.

Eu empurrei o seu paletó e o puxei para mais perto, minhas mãos se agarrando ao tecido até que ele se livrasse da peça. Ali, naquele sofá de couro caramelo, naquele pedaço de mundo que se descolava da nossa realidade, eu estava de novo entregue àquele homem.

Ele ergueu o corpo, tirou o paletó e a gravata, arremessando cada peça em uma direção. Os botões do meu vestido estavam abertos até a cintura, onde a saia se encontrava embolada. Os olhos dele desceram pelo meu corpo cheios de desejo.

Ele tornou a se deitar sobre mim, seus lábios exigentes procurando os meus. Enquanto ele me beijava, habilmente já tinha desabotoado o meu sutiã e puxava para fora dos meus ombros as alças da peça junto com as alças do vestido. No segundo seguinte, enquanto todas as minhas peças de roupa escorregavam pelo meu corpo, a sua boca também descia, como que marcando o ritmo que ele me deixava nua.

Ele beijava a minha pele, como quem atiça brasas procurando pelas labaredas. Ele me livrou das minhas roupas com um gemido em apreciação ao que via. Seuas mãos subiram dedilhando a minha pele por onde a sua boca tinha passado.

Ele apoiou as duas mãos ao lado da minha cabeça, pairando sobre mim enquanto me beijava e eu abria o seu cinto e empurrava sua calça e a cueca para baixo. Eu ouvi o baque dos sapatos dele no chão. Devagar ele tocou o meu corpo com o dele, mantendo um cotovelo ao lado da minha cabeça, enquanto sua outra mão deslizava pelo meu corpo e puxava a minha perna para cima.

Ele voltou a me beijar e esfregou o seu membro na minha intimidade, fazendo o meu corpo tremer de necessidade.

- Como você consegue esconder esse fogo? - Ele soprou as palavras junto aos meus lábios.

Ele me penetrou com uma lentidão que me fez morder o lábio inferior. Aquele movimento lento era obsceno e delicioso. Ele entrou completamente em mim, me fazendo arfar. A forma como ele me preenchia era perfeita. Ele se retirou completamente e voltou a me penetrar, dessa vez com um movimento rápido e preciso, me fazendo soltar um gemido agudo.

- Isso, gostosa, me mostra essa mulher que você esconde do resto do mundo. - Ele sussurrou.

Ele trilhou beijos pelo meu pescoço até chegar aos meus seios. Enquanto seus movimentos iam ganhando velocidade e meus gemidos iam ficando mais altos. E como se ele não conseguisse mais se conter, ele segurou forte a minha cintura e acelerou os movimentos, me levando com ele num frenesi delicioso.

Ele rosnou, um som profundo e animal que vibrou no meu peito. Ele deu as últimas estocadas, rápidas e desesperadas, antes de se entregar também. Eu senti o jato quente dele dentro de mim, uma invasão final que selava aquele pacto silencioso de luxúria. Ele desabou sobre mim, o peso do seu corpo sendo a única coisa que me mantinha ligada à realidade.

O silêncio que se seguiu foi preenchido apenas pelo som dos nossos corações, batendo em um uníssono frenético. Ali, deitada sob o homem que poderia me destruir com uma palavra, eu percebi que a Lorena que entrou naquela pequena casa de pedras já não existia mais. Eu tinha me deixado consumir pelo fogo dele. E eu não me arrependia, porque não havia mais como negar e eu já tinha admitido, eu pertenbcia a ele.

Algum tempo depois, o único som na sala era o da nossa respiração voltando ao normal. Ele havia nos virado e eu estava deitada sobre o peito dele, envolta em uma manta macia, sentindo o seu coração bater ritimado sob o meu ouvido. Os dedos de Érick desenhavam círculos preguiçosos nas minhas costas nua.

- Nós precisamos buscar a Alice. - Eu murmurei, nos tirando daquele silêncio confortável e tentando me mexer, embora meu corpo implorasse para não se mover nunca mais. Ele me apertou contra o seu corpo e me deu um beijo no topo da cabeça.

- Não precisamos. - Ele respondeu, a voz carregada de uma satisfação preguiçosa. - Eu mandei uma mensagem para a minha mãe. Ela vai levar a Alice para passar a tarde com ela. Nós temos o dia inteiro, Lorena. Só nós dois aquino meio do nada e sem ninguém nos interromper.

Eu ergui o rosto, surpresa. Ele tinha planejado tudo. Ele realmente queria esse tempo a sós. Sorri, sentindo uma paz que nunca achei possível ao lado dele. Naquele momento eu estava no paraíso. Eu me inclinei para beijá-lo e ele me puxou mais para cima dele. Foi um beijo diferente dos outros, sem a urgência, sem a necessidade iminente de provar alguma coisa. Foi apenas um beijo de quem tinha a tarde inteira para saborear o momento.

Nós passamos as horas seguintes em uma bolha de calma e entrega. O Érick tinha preparado tudo. Havia comida e bebida na geladeira. Nós comemos, conversamos sobre coisas bobas, as travessuras da Alice e até o silêncio da mata ao redor daquela casa. Ele me levou para o quarto e me possuiu outra vez. E quando a tarde começou a cair, nós precisávamos voltar.

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