"Lorena"
O braço do Érick que envolvia a minha cintura não era apenas um carinho, era uma demarcação de posse clara, feita para que o Professor Renato, e quem mais estivesse olhando, não tivesse dúvidas de quem mandava ali, para que não tivessem dúvidas de que eu era dele.
O Professor Renato empalideceu, dando um passo involuntário para trás. Érick Albelini tinha esse efeito, ele não precisava gritar para dominar o ambiente, ele simplesmente dominava naturalmente.
- Sr. Albelini... eu só estava estreitando a minha convivência com a Lorena, já que ela é a babá da Alice e... - O professor gaguejou, perdendo toda a postura galanteadora de segundos atrás, tropeçando nas palavras sem saber como argumentar.
- Professor, as questões da minha filha devem ser tratadas em reuniões pedagógicas com a presença da diretora, dentro dos muros da escola, e não em calçadas abordando a minha... - O Érick interrompeu, mas ele já tinha enfatizado o "minha" de um jeito que me fez estremecer. - A Srta. Valente. E sobre o número de telefone dela, espero que a diretoria tenha uma excelente explicação para ter violado a privacidade da Lorena.
- Érick, por favor... - Eu sussurrei, sentindo os olhares de outras mães e babás queimando em nós. - Tenho certeza que o professor entendeu que eu não estou interessada em cafés.
- Nem interessada e tampouco disponível. - O Érick completou encarando o professor, que parecia desejar que o chão se abrisse, o desconforto e o arrependimento eram visíveis. - Vá para o carro, Lorena. Agora.
O tom dele, embora calmo, não admitia réplicas. Eu caminhei até o SUV, sentindo minhas pernas bambas. Isso não ia ser bom pra mim e tudo o que neu não precisava é que aquele professor atrevido me causasse mais um problema... eu já tinha muitos.
Pelo espelho retrovisor, eu vi o Érick dizer mais alguma coisa em voz baixa para o professor, algo que fez o homem virar as costas e caminhar apressado para dentro da escola sem olhar para trás.
Segundos depois, a porta do motorista se abriu e o Érick entrou. O cheiro de perfume caro e irritação pura inundou o interior do veículo.
- Eu disse para você usar o motorista, Lorena. - Ele disparou, finalmente virando o rosto para mim. Os olhos estavam de um azul tempestuoso. - Mas você recusou. Se eu não tivesse decidido fazer uma surpresa e buscar vocês, aquele imbecil estaria ainda tentando te convencer a sair com ele. Pior, ia começar a te ligar.
- E estaria ouvindo a minha recusa do mesmo jeito, Érick! Quanto ao telefone, ele disse que pegou o meu número na diretoria. O que eu posso fazer? Mas eu sei me defender sozinha, não precisava daquele show possessivo na frente de todo mundo.
Ele soltou uma risada seca, desprendendo o cinto e se inclinando em minha direção. O espaço no carro pareceu encolher.
- Show possessivo? Aquele sujeito estava praticamente te encurralando. E você... - Seus olhos brilhando com uma intensidade que me fez arfar. - Você é doce demais para entender que homens como ele não aceitam um "não" educado. Eles precisam de um corte bruto.
Eu me lembrei instantaneamente do conselho da Marcelina. Então, ao invés de recuar ou continuar a discussão que não chegaria a lugar nenhum, eu resolvi fazê-lo esquecer o professor.
Eu coloquei a minha mão na perna dele e a deixei deslizar pela coxa, sentindo o tecido caro da calça social e o calor que o corpo dele irradiava. Olhei bem no fundo dos seus olhos, de queixo erguido, desafiando a autoridade que ele exalava. Ele tinha poder sobre o mundo? Eu teria poder sobre ele.


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