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A vida dupla da babá: Santa de dia, Scarlat à noite romance Capítulo 68

"Lorena"

Chegamos à mansão e o clima era de uma guerra silenciosa. O Érick desceu do carro com a autoridade de quem esperava uma rendição imediata, mas eu apenas lhe lancei um sorriso enigmático enquanto pegava a mão de Alice. Por um segundo eu vi a confusão passando em seu rosto e comemorei por dentro, estava dando certo e até a noite ele esqueceria qualquer coisa que quisesse perguntar.

Mas ao entrar na mansão, o ar mudou. A Adelaide estava parada no pé da escada, com a postura arrogante de sempre e um olhar que me desnudava. No olhar dela havia desprezo e uma condenação silenciosa, como se ela soubesse que eu estava escondendo algo que poderia destruir tudo. Desviei o olhar e subi as escadas depressa levando a Alice pela mão, o coração martelando contra as costelas. Eu odiava ser observada pela Adelaide.

Quando a Alice e eu nos sentamos à mesa para o almoço, o Érick já estava lá, sentado na cabeceira, a imagem perfeita do patriarca imperturbável. Ele já havia trocado o paletó por uma camisa de linho azul, com os primeiros botões abertos, o que significava que ele não voltaria para o escritório.

- Lolô, por que você está tão quietinha? - A Alice perguntou, balançando as perninhas na cadeira ao meu lado. - Desde a escola, você quase não falou. - Ela abaixou a voz e me encarou. - O papai está irritado com você de novo por causa daquele professor chato? O bicho papão gritou com você?

- Ainda não, Alice, mas o bicho papão está pensando seriamente em morder a sua babá. - O Érick respondeu por mim, seu olhar intenso e cheio de promessas queimando a minha pele.

- Papai, não assusta a Lolô! - A Alice falou brava com o pai.

- Alice, o seu pai não me assusta. Ele só tem um jeito intenso de resolver as coisas. - Eu respondi evitando encarar o Érick.

- Intenso é um elogio, Lorena. - O Érick comentou, a voz aveludada.

Eu senti o meu rosto esquentar instantaneamente. Antes que eu pudesse falar qualquer coisa mais, eu ouvi o arrastar pesado da cadeira de madeira maciça. O Érick se levantou da cabeceira, pegou seu prato, seus talheres e sua taça. Em um movimento fluido e autoritário, ele contornou a mesa e puxou a cadeira vazia exatamente ao meu lado, ficando de frente para Alice e colado a mim.

- Eu não estou irritado com a Lolô, pequena. - A voz dele saiu grave, vibrando tão perto do meu ouvido que senti um arrepio percorrer minha espinha, enquanto eu sentia o calor da mão dele, que agora subia discretamente pela minha panturrilha sob a toalha de mesa longa. - Eu apenas cuido do que é meu. E eu detesto invasores. Não quero que aquele professor tente nos roubar a Lolô. Ou você quer isso?

- Nao, papai, de jeito nenhum! Eu já avisei para o professor Renato que se ele continuar querendo tomar café com a Lolô eu paro de jogar futebol. - A Alice respondeu toda convicta.

Mas eu não consegui sequer rir da Alice, eu mantive o olhar fixo no prato, tentando não demonstrar meu nervosismo, enquanto a mão do Érick continuava sua escalada perigosa pela minha perna. Ele não era um jogador principiante.

A Adelaide entrou na sala com a travessa de prata, parando abruptamente ao ver o patrão fora de seu lugar habitual. O rosto dela se transformou em uma máscara de choque e fúria contida. O protocolo da casa, que ela protegia como um cão de guarda, acabara de ser estraçalhado.

- Sr. Albelini... o seu lugar... - Ela começou, a voz trêmula de indignação e confusão.

- Lolô, hoje é dia de piano! - A Alice lembrou, assim que o pai se retirou. - A professora já deve estar chegando.

- É verdade, querida. Vamos depressa, temos que estar na sala de música pontualmente. - Eu me levantei depressa com a manina, deixando a Adelaide para trás sem tempo de destilar o seu veneno.

Enquanto subia as escadas com Alice, ouvi o som da porta do escritório se fechando lá embaixo.

Não demorou para que a Alice e eu estivéssemos na sala de música e logo a professora chegou e começou a aula. Eu tinha uma hora para perturbar o meu "possessivo curioso". E eu faria bom uso desse tempo.

Eu fui para o meu quarto. A sugestão da Marcelina queimava na minha mente. O Érick empresário queria respostas sobre o meu advogado? O Érick dominador queria me mostrar quem mandava? Pois ele teria as duas coisas. Mas de um jeito que ele não esperava.

Então eu me lembrei que ele tinha algo que me pertencia e que prometeu devolver. Rapidamente eu retirei o sutiã de renda que usava e o joguei sobre a cama. Senti o tecido do vestido roçar nos meus mamilos agora despertos. Eu ia recuperar o meu sutiã que ele havia guardado como troféu, mas, antes disso, eu ia mostrar a ele que a babá doce sabia jogar tão sujo quanto a garçonete da Infernal... e mais sujo que ele!

Eu caminhei decidida em direção ao escritório, mas antes de entrar, olhei para os lados e desfiz o primeiro botão do meu vestido. Sem bater, girei a maçaneta e entrei.

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