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A vida dupla da babá: Santa de dia, Scarlat à noite romance Capítulo 82

"Lorena"

Quando a Alice chamou pelo pai, os meus olhos automaticamente buscaram os dele. Eu queria saber o que tinha acontecido, queria que tudo isso estivesse morto e enterrado, queria poder correr e abraçá-lo. Mas a única coisa que eu podia fazer era observá-lo.

Eu observava o homem imponente parado na soleira da porta. Ele ainda parecia totalmente agitado e irritado como eu vi no escritório, embora também parecesse, como sempre, o dono do mundo ao seu redor, com uma calma controlada por uma frieza que poderia congelar qualquer um, o homem que controlava tudo, aquele que nada atingia. Porém, seus olhos ainda brilhavam com os resquícios de uma fúria domada, como um fogo que está se extinguindo, mas ainda pode queimar.

Mas sobre tudo, ele emanava poder e confiança, que, ao mesmo tempo que me fascinava, também me aterrorizava. Mas eu não sentia medo dele, sentia medo do que ele faria quando descobrisse toda a verdade. E o meu maior medo era que ele me expurgasse da sua vida, me afastasse dele e da Alice. O que eu sentia por ele era avassalador, real e profundo demais para o pouco tempo que nos conhecíamos.

- Eu vim ver o que as minhas meninas estão aprontando. - Ele entrou no quarto, sua presença dominando o ambiente amplo. Ele se aproximou e se sentou no chão ao meu lado.

- O papai é um ótimo artista, Lolô! - Alice exclamou com um sorriso doce, feliz pela atenção do pai.

O Érick sentado no tapete colorido do quarto da Alice era uma figura grande e poderosa demais para aquele cenário infantil, e ainda assim, parecia ser o único lugar onde ele realmente desejava estar.

- Vou pegar um desenho pra você, papai! - A Alice correu até a estante do outro lado do quarto.

- Você está bem? - Ele perguntou em um sussurro, enquanto Alice se concentrava em escolher um dos livros de colorir para o pai.

- Estou agora. Graças a ela... e a você! - Eu respondi apontando para a Alice e olhando fixo para ele. Não era mentira, perto dele eu me sentia mais segura.

- Aqui, papai, colore este. - A Alice entregou o livro aberto no desenho de um dragão de olhos simpáticos.

Ele sorriu e esticou a mão para pegar um lápis de cor. As nossas mãos se tocaram por um segundo e o choque elétrico me lembrou de que, embora estivéssemos brincando como crianças, o que aconteceu entre nós no escritório ainda queimava inacabado em nossas veias.

- Lolô, você viu meus adesivos de estrela? - A Alice olhou em volta.

- Acho que você não os pegou no closet, querida. - Eu respondi e ela me deu um beijo antes de se levantar.

- Vou buscar! - A Alice levantou-se num pulo, mas antes que corresse o pai a chamou.

- Só o papai que não ganha beijo? - Ele reclamou. Ela deu um risinho e se atirou no pescoço dele.

- Não me provoque, Lorena! - O aviso dele foi descontraído, com uma deliciosa ameaça.

- Mas eu diria, Sr. Albelini, que o que eu trouxe naquela mala hoje pode tornar a noite... imprevisível.

- Imprevisível? - Ele roçou os lábios nos meus, me me fazendo estremecer. - Eu espero que aquela mala contenha razões suficientes para eu não deixar você ter folga nunca mais.

- Talvez contenha algumas possibilidades que você ainda não imaginou. - Eu respondi cheia de coragem, com um olhar que prometia tudo o que a Scarlat conhecia e o que a Lorena estava ansiosa para entregar. - Se você for um bom menino e terminar o desenho da Alice, quem sabe eu não mostre a primeira delas depois que ela dormiresta noite? No escritório!

Ele soltou uma risada baixa, vibrante, que pareceu reverberar dentro do meu peito.

- Eu nunca fui um bom menino, Lorena. E você sabe disso melhor do que ninguém. - Ele respondeu, pronto para tomar a minha boca quando a Alice gritou do closet.

- Achei! - A voz animada da menina chegou aos nossos ouvidos e eu o empurrei para longe de mim, voltando para o meu lugar no momento em que a Alice apareceu com cartelas de adesivos brilhantes nas mãos.

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