"Érick"
Cinco minutos pareciam uma eternidade!
Eu estava contando cada segundo no relógio enquanto servia uma dose generosa de uísque. Quem diria que a babá doce e contida me deixaria nesse estado de ansiedade. O gelo estalou no copo de cristal e eu entornei o líquido com um meio sorriso idiota no rosto. A Lorena tinha me deixado no corredor com uma promessa que estava fazendo meu sangue queimar nas veias.
"Eu quero ser mordida por ele". As palavras dela no jantar voltaram para mim. Aquela mulher ia ser a ruína do bicho-papão em mim, e eu estava ansioso para deixar isso acontecer.
Eu já tinha tirado o paletó e afrouxado a gravata, a impaciência me transformando no bicho-papão que ela tanto provocava, quando o celular sobre a mesa vibrou.
Julian. Que péssima hora! Eu não estava mais intreressados em noitadas em boates ou mesas de poker e ele já deveria saber disso. Eu pensei em ignorar, mas o meu instinto me dizia que era importante.
- O que foi, Julian? Eu espero que seja importante. - Eu atendi, com certa irritação na voz.
- Érick, o Andrey... - O Julian suspirou do outro lado. - Ele não levou à sério o seu aviso. Ele acha que a sua reação foi só por estar estressado com o conselho. Ele está indo para a Infernal, ele está obcecado e não vai parar até conseguir a Scarlat. Ele acha que você não vai se importar porque já se cansou da capetinha. Eu só estou avisando para você não ser pego de surpresa. Eu sei que você falou bem sério com ele.
Eu senti um gosto amargo na boca. O nome "Scarlat" era como um fantasma me assombrando. Eu odiava o poder que aquela mulher teve sobre os meus pensamentos e como a minha mente ainda me traía às vezes e me fazia ver um rastro dela, especialmente quando eu estava com a Lorena, como hoje no jantar, quando ela sussurrou no meu ouvido cheia de ousadia, uma ousadia que me lembrou aquela "capetinha". Eu odiava a forma como a lembrança dela ameaçava a paz que eu estava tentando construir com a Lorena.
O Andrey era meu amigo, mas era um idiota, um idiota que eu conhecia bem a persistência. Se ele continuasse insistindo com a Scarlat, ele acabaria trazendo aquela mulher de volta... se ele trouxesse aquela confusão para perto das minhas meninas... não, eu tinha colocado uma pedra sobre o assunto Scarlat, aquela mulher era um veneno e ela podia destruir o que eu tinha com a Lorena.
- Julian, já notou que nos últimos dias você só me liga com más notícias? - Eu perguntei, a voz baixa e lenta, mas por dentro eu estava fervendo de raiva.
- Eu não gosto nem um pouco de ser o mensageiro dessas más notícias, geralmente o mensageiro tem a cabeça cortada. Mas alguém tem que fazer o trabalho sujo. - O Julian se justificou.
- Cara, qual o problema do Andrey? - Eu me sentei e bati o copo sobre a mesinha de centro.
- Érick, não seja idiota! Sua sorte é que o meu interesse naquela boate usa uma peruca verde e vermelha ou você teria que lidar com dois amigos cobiçando o que você jogou fora. Cara, a Scarlet é uma coisa! - O Julian me lembrou e eu bufei. Eu não precisava me lembrar do quanto aquela mulher era... infernal!
- Não começa, Julian! - Eu avisei irritado.
- Ele vai aprender da pior forma que eu não blefo, Julian! - Eu grunhi, a fúria crescendo em mim. - Se ele continuar insistindo nisso eu não vou ter consideração pela nossa amizade. E se ele trouxer essa obsessão para perto da Lorena... eu acabo com ele.
- Érick, você já teve muitos problemas, deixa que eu lido com o Andrey. Eu só quis te avisar porque sei que você odeia ser o último a saber.
Eu estava possesso. Prestes a pegar as chaves do carro, encontrar o Andrey e arrancar aquela ideia da cabeça dele à força. E era isso o que eu ia fazer, eu ia até aquela boate garantir que o Andrey nunca mais colocasse os pés lá. Eu tinha acabado de me levantar, quando a maçaneta girou.
O ar sumiu dos meus pulmões.
A fúria que me consumia foi substituída por uma corrente de desejo que correu todo o meu corpo em menos de um segundo. A Lorena entrou no escritório como uma visão de outro mundo.
O vestido de seda pérola moldava-se ao seu corpo sem revelar nada e, ao mesmo tempo, revelando tudo. Ele tinha alças muito finas, com uma fenda que subia até o alto da coxa da perna direita. Mas foi a forma como o tecido marcava a ausência de sutiã que me fez travar no lugar. A fada tinha chegado para realizar desejos.
- Deixe que ele cave a própria cova, Julian. Mas o avise para não se aproximar da minha casa com essas histórias. - Eu desliguei o celular e o joguei sobre a mesa. - Você está atrasada! - Eu dei um passo na direção dela, a tensão da ligação ainda vibrando sob a minha pele. - E eu estou sem paciência nenhuma, Lorena. O que quer que você tenha trazido nessa mala, é melhor que seja o suficiente para aplacar o bicho-papão.

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