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A vida dupla da babá: Santa de dia, Scarlat à noite romance Capítulo 85

"Lorena"

A porta do escritório se fechou atrás de mim com um clique suave, mas o som pareceu um estrondo no silêncio da sala. O Érick estava de pé, a mandíbula travada, exalando uma fúria que eu sabia não ser por causa do meu atraso. Aquela irritação não estava ali dez minutos atrás, alguma coisa tinha acontecido e ele estava pronto para descarregar toda a tensão em qualquer coisa que cruzasse seu caminho.

- Você está atrasada! - Ele repetiu.

Eu o encarei, sem sorrir, e, ao invés de recuar diante da agressividade dele, eu dei um passo à frente. A seda pérola do vestido deslizou pelas minhas pernas, e a fenda se abriu, revelando a minha pele nua até o alto da coxa. Eu vi o olhar dele descer, se fixar ali por um breve momento e depois subir, já ciente da ausência do sutiã sob o tecido fino.

- Qual o seu problema com horários? Pequenos atrasos são tão comuns. - Eu falei devagar e vi os olhos dele crisparem.

- Não é um bom momento para ser engraçadinha. - Ele avisou, a voz ainda mais rouca.

- Uuuii! O bicho-papão parece muito irritado esta noite. - Eu sussurrei, caminhando até ele, com uma calma que surpreendeu a mim mesma, mas talvez se justificasse por eu saber exatamente que não havia sido eu a irritá-lo. - Talvez ele precise ser domado antes de ser alimentado. - Eu falei me curvando um pouco em sua direção.

Eu estava parada a poucos centímetros dele. O cheiro de uísque, couro e sândalo impregnavam o ambiente e postura dominante dele era quase um convite a me submeter, mas não esta noite. Esta noite ele teria que se esforçar... por mim. Ele não se moveu, não me agarrou pela cintura como eu esperava.

- Não brinque comigo hoje, Lorena. Não quando eu estou com algo fervilhando em minha mente e tendo deixado algo importante por conta do acaso só para estar com você. - Ele avisou.

- Ah, que honra... a sua! - Eu o encarei séria. - Você me quer, Albelini? - Eu perguntei, meus olhos nos dele, desafiando toda aquela irritação que emanava quente do corpo dele.

- Acabei de dizer que deixei algo importante para estar com você. - Ele repetiu e eu dei um meio sorriso.

Eu passei por ele, devagar, com a suavidade de uma brisa que sopra o cheiro da tempestade. Ele continuava estático perto da mesa, a tensão ainda vibrando em seus ombros largos. Ele esperava que eu fosse até ele como um cordeirinho, que eu me aninhasse em seu peito e pedisse desculpas pela demora. Hoje não, Albelini!

Eu senti a eletricidade que emanava do seu corpo quando toquei levemente o seu ombro ao passar por ele. Ele me olhou com um misto de tensão, curiosidade e incredulidade, quando eu contornei a mesa de carvalho e me sentei na sua poltrona de couro atrás da mesa.

Com um movimento lento, nitidamente desafiador, eu segurei a barra do vestido e o puxei para cima, até que o tecido se amontoasse na minha cintura. Abri as pernas, apoiando cada uma sobre os braços da poltrona, abrindo as pernas de forma que a minha calcinha de renda, praticamente transparente, ficasse exposta aos seus olhos. E como se tivesse sido planejado, como um palco montado, a luz dourada do abajur incidia exatamente sobre ela.

Ele se virou devagar, os olhos dilatando instantaneamente. Eu vi o momento em que a imagem dele da "babá tímida" colidiu com a visão da mulher sentada em seu trono, o desafiando.

Ele me encarou por um segundo, com um olhar de pura incredulidade que logo se transformou em desejo bruto e seus olhos escorregaram lentamente pelo meu corpo até pararem, hipnotizados, na calcinha translúcida.. Ele não esperava que eu fosse até o seu lugar de poder. Não esperava que eu ditasse o ritmo. Ele me observava sem acreditar no meu atrevimento.

Ouvir o fôlego de Érick sumir foi o sinal da minha vitória.

- O que você está fazendo? - Ele perguntou, as mãos grandes espalmadas sobre a mesa.

- O trono parece vago. E eu decidi que queria ver o mundo da sua perspectiva hoje. - Eu provoquei, minha voz saindo mais firme do que eu me sentia.

- Lorena... - O meu nome saiu como um aviso.

Ele não parou. Suas mãos me prendiam ali. Ele usava a língua com a mesma habilidade com que usava o restante do corpo, alternando entre carícias lentas, quase torturantes, e sucções profundas que me deixavam na borda. Ele era insaciável. Eu podia sentir a vibração da sua garganta contra mim quando ele emitia um som de puro prazer. Ele separava as minhas dobras com uma destreza que me fazia ver estrelas. O prazer era uma onda avassaladora se espalhando por todo o meu corpo.

- Mais... - Eu implorei, as minhas pernas já tremendo sobre os braços da poltrona.

Ele intensificou o ritmo, me provando como se eu fosse a coisa mais deliciosa que ele já provou. O clímax me atingiu com a mesma intensidade com que eu fui devorada. Meu corpo se tencionou, o grito ficando preso na garganta enquanto as contrações me sacudiam. Ele não recuou, me segurou firme e garantiu que eu sentisse cada segundo daquele êxtase.

Quando as ondas finalmente começaram a diminuir, ele subiu o rosto devagar. Seus lábios estavam úmidos, seus olhos escurecidos por uma luxúria que beirava a adoração. Ele apoiou os cotovelos na poltrona, o rosto a centímetros do meu.

- Gostou da mordida, fada? - Ele perguntou, a voz tão rouca que era apenas um sopro.

- Foi... uma boa mordida. - Eu ainda tentava recuperar o fôlego. - Mas talvez o bicho-papão ainda esteja com fome.

Ele deu um meio sorriso, aquele que prometia que a noite estava apenas começando.

- O bicho-papão está apenas começando, Lorena.

Ele se levantou, me puxando da poltrona para os seus braços com uma força que me lembrou quem realmente mandava ali. No minuto seguinte eu estava sobre a sua mesa e o seu corpo estava sobre o meu pronto para me enlouquecer.

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