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A vida dupla da babá: Santa de dia, Scarlat à noite romance Capítulo 91

"Lorena"

Eu senti o sangue subir para o meu rosto, esquentando as minhas bochechas. O Érick tinha um talento especial para jogar indireta, mas tinha um talento maior ainda para ser direto não importava onde estivesse ou quem estivesse em volta.

- Érick... - Eu sussurrei, olhando em volta, mas as mãos dele na minha cintura areciam ter criado raízes. Elas não me apertavam para machucar, mas deixavam claro que eu não me afastaria nem um milímetro.

- Responda a pergunta, Lorena. - O olhar dele desceu para a minha boca, se fixou ali por uma fração de segundo e depois voltou para os meus olhos com uma intensidade que me deixou arrepiada. - Você decidiu que queria me deixar ainda mais louco hoje e saiu de casa sem uma calcinha por baixo desse vestido?

Eu respirei fundo, tentando organizar os meus pensamentos. Ele me provocou e eu provoquei de volta, eu não podia recuar agora, eu não daria a ele o gostinho de pensar que me dominava assim. A ligação para a Marcelina, o aviso dela, o medo de que a história da Scarlat terminasse mal, tudo parecia desaparecer da minha mente pouco a pouco e ele ia ocupando cada espaço.

- Respira, Albelini. Eu estou usando uma calcinha. - Eu me aproximei bem do ouvido dele e sussurrei: - De tule cor de rosa transparente e laterais duplas de cetim.

Eu senti a lufada de ar quente que ele soprou contra a minha pele quando grunhiu, antes que eu me afastasse.

- Então, Albelini, eu ainda estou usando uma lingerie, mas se você continuar confiscando a minha roupa íntima, eu não vou demorar a ficar... desguarnecida. - Eu o encarei, ele não sorriu, mas seus olhos me devoravam. - E eu também precisava de um corretivo novo, porque o bicho-papão deixa marcas de mordidas.

- Você gosta das mordidas do bicho-papão. - Ele falou cheio de si.

- Gosto. Muito. - Sentindo o clima um pouco menos denso eu acrescentei. - Eu só precisava de um pouco de ar, Érick. A mansão... às vezes parece sufocante com a Adelaide me seguindo e me olhando torto o tempo todo. - Eu tentei manter a voz firme.

Ele segurou meu queixo, o polegar roçando meu lábio inferior com uma possessividade que me fez estremecer. O olhar dele suavizou apenas um milímetro.

- Então vamos respirar outro tipo de ar. Eu já dispensei o Alberto. Você vem comigo, eu quero me certificar de que realmente há uma calcinha sob esse vestido. - Ele decretou, sem me dar opção. - O Julian e o Andrey já foram despachados. O resto da minha manhã pertence a você. Depois nós buscamos a Alice juntos. E eu espero, sinceramente, que o que tem nessa sacola me faça gostar da sua "pequena escapada".

- Ah, isso você terá que merecer ver. - Eu o desafiei e o sorriso confiante aflorou no rosto dele.

- Lô, você sabe que eu sempre mereço! - Ele se inclinou, o hálito quente roçando o lóbulo da minha orelha. - Eu sei exatamente como convencer você a baixar a guarda... e a calcinha.

- Érick! - Eu o encarei chocada.

Ele me soltou, com um sorriso confiante, e pegou a minha mão sem nenhuma cerimônia, me conduzindo para o estacionamento do shopping.

- Para onde você vai me levar, Sr. Convencido? - Eu perguntei quando ele se sentou ao meu lado no banco do carro.

- Eu abuso do seu corpo? Tem certeza, Albelini? Precisa que eu te lembre o que você fez comigo ontem na mesa do seu escritório? - Eu cruzei os braços e o encarei.

- Ah, eu adoraria ser lembrado... a minha mãe tem um escritório em casa, uma mesa bastante sólida, e eu posso...

- Não se atrava, Albelini! Ou você não verá nem a cor do que tem naquela sacola, muito menos o restante da mala! - Eu o ameacei e ele riu.

- Pode apostar que eu vou ver tudo o que tem naquela sacola e o que tem na mala e vou ver tudo no seu corpo, tendo o prazer de arrancar cada peça! - Ele me olhou com uma certeza inquestionável. - Lô, eu continuo sendo o Érick... ou bicho-papão, se você preferir me chamar assim na frente da minha mãe.

Ele parou o carro diante dos portões da casa da mãe.

- Lô, considere isso um teste de resistência. Você me provocou no shopping. Agora vai ter que aguentar o bicho-papão sentado ao seu lado e socializar com a mãe dele, enquanto ele imagina exatamente como vai arrancar esse tule rosa de você em casa mais tarde. Agora, não é porque estamos na casa da minha mãe que eu vou facilitar para você. - Ele sorriu e ergueu as sobrancelhas, como um aviso de que ele estava disposto a continuar me provocando.

- Você é impossível, Albelini. - Eu respirei fundo, ajeitando a saia do vestido.

- Você ainda não viu nada. - Ele desceu do carro e deu a volta para abrir a minha porta. Mas antes de me ajudar a sair, ele se inclinou e sussurrou no meu ouvido: - Comporte-se. Se você cruzar as pernas desse jeito perto de mim na frente da minha mãe, eu não respondo por mim e talvez você volte para casa sem essa calcinha.

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