POV/ SKY
Terminamos o banho maravilhoso.
Neste dia a gente não iria para o local de construção do resort porque a gente teria uma palestra técnica sobre os dados e as medidas do terreno, e tudo isso só aconteceria mais tarde. Por isso, o Rocco e eu resolvemos pedir o café da manhã direto no quarto.
Tomamos café da manhã com pães e frutas, e depois conversamos um pouco sobre várias coisas aleatórias.
Assim que terminamos, o Rocco fez questão de me sentar na poltrona, pegou o secador e começou a secar o meu cabelo com calma, passando a escova pelos fios com um cuidado que quase me fez esquecer quem ele era de verdade.
Logo depois que ele terminou de secar meu cabelo, começamos a nos arrumar para poder ir. Eu estava vestindo uma saia social e uma camisa decente, e o Rocco parecia o próprio dono do capitalismo, mas ele ainda estava no meio do processo, brigando com o espelho. Ele usava uma calça social preta e a camisa branca de botões, e tentava ajeitar os detalhes finais. Estávamos terminando de conferir as pastas com os rascunhos para levar ao local do evento.
— Escuta aqui, Blackwood — falei, parando na frente dele enquanto ajeitava o meu rabo de cavalo. — A gente precisa se comportar. Quando chegarmos lá, nada de olhinhos verdes brilhando na minha direção. A gente se odeia, lembra? Você tem que ser o chefe insuportável e eu a funcionária marrenta.
O Rocco nem olhou para trás, concentrado em passar a gravata escura pelo colarinho da camisa.
— Ser insuportável com você é a minha especialidade de fábrica. Mas já que estamos falando de "estratégia"... o que você vai fazer em relação ao Gael?
O tom dele mudou. O sarcasmo juvenil sumiu e os olhos bicolores se estreitaram pelo reflexo do espelho. Ciúme. Dava para ver a fumaça saindo pelas orelhas do CEO.
— O Gael? Uai, nada. É meu amigo, sabe? Né. Então vai continuar assim.
— Não vai não — o Rocco girou o corpo de uma vez na minha direção, deixando a gravata pendurada nos ombros largos e dando um passo à frente. A voz caiu para aquele tom de rosnado dominante que me dava arrepios. — Você vai terminar qualquer gracinha que tenha com aquele engenheiro de dentes perfeitos. Hoje. Eu não quero aquele sujeito circulando a menos de dois metros da minha ruiva.
Soltei uma risada debochada, cruzando os braços e empinando o queixo.
— Minha? — ri debochando dele, a prepotência dele com certeza era maior que o Everest.
— Sim, minha, toda minha — afirmou sério.
— Ah, pronto! O professor quer ditar as regras do meu status civil agora? Engraçado, né? Você é o bonitão dominador que sai pegando todas na empresa, tipo gogoboy, tem submissa, tem o cardápio completo... e eu não posso continuar com minha amizade colorida? — Senti um certo incômodo pelo pensamento hipócrita dele. — Eu estou livre, Blackwood! Não confunde as coisas. Você é o meu professor, só isso.
O Rocco ficou visivelmente estragado com a resposta. O maxilar dele travou de um jeito tão violento que achei que os dentes iam quebrar, os ombros largos ficaram tensos e ele desviou o olhar para a janela, bufando de pura frustração.
Achei graça daquela cara de criança birrenta em corpo de bilionário. Dei um passo à frente, segurei o colarinho da camisa dele e me estiquei na ponta dos pés, deixando um beijo estalado bem na ponta do nariz dele.
— Calma, Blackwood. Achei que com o seu ego do tamanho do Empire State não se abalaria por uma bobeira dessas, não é? Vamos logo antes que a gente se atrase.
Ele me olhou de soslaio, o canto da boca querendo ceder a um sorriso, mas tentando manter a pose de bravo enquanto voltava a mexer no nó da gravata.
TRIMMM.
O som agudo da campainha do quarto cortou o ar como um alarme de incêndio.
— Pediu serviço de quarto? — perguntei.
— Não, você pediu?
— Não, mas deixa que eu abro.
Caminhei até a porta e a puxei de uma vez, com um sorriso leve no rosto.

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