POV: SKY BITTENCOURT
Quando cheguei ao auditório do hotel para a palestra, o meu estômago ainda estava dando nós. Eu fui a primeira a entrar, tentando me esconder nas fileiras do fundo, mas não demorou muito para que as outras pessoas chegassem. A Sakura e a Moon se sentaram ao meu lado.
Um tempo depois, através do vidro do corredor, vi o Rocco se despedindo da Letícia. Eles demoraram uma eternidade e ainda ficaram conversando no corredor antes de ela ir embora. Fiquei encarando aquela cena com um aperto esquisito no peito, a mente fritando, tentando adivinhar o que caralhos eles tinham ficado fazendo trancados naquele quarto depois. Senti uma pontada quente e incômoda.
Será que isso é ciúme?, meu subconsciente perguntou, e a simples possibilidade de ter ciúme de um brutamontes prepotente daquele me irritou tanto que dei três murrinhos na minha própria cabeça para ver se o juízo voltava para o lugar.
— Para com essa merda, Sky. Foco no que importa, Sky — ordenei a mim mesma, respirando fundo quando as luzes começaram a apagar.
A palestra começou. Quem assumiu o projetor foi o Nathan, desfiando dados de solo e fundação enquanto o Diego acompanhava do lado como suporte. O Rocco sentou na primeira fileira. Ele não abriu a boca, mas eu conseguia sentir o peso do olhar dele. Toda vez que eu me mexia na cadeira, sentia o par de esmeraldas dele me mapeando por completo e me deixando totalmente desconfortável.
Eu não aceitaria passar por aquilo, não depois de ter sido rebaixada ao status de "apenas uma funcionária" na frente da morena de alta-costura. No meio do intervalo, puxei a Sakura e a Moon pelo braço num canto do corredor.
— Meninas, tem como eu dormir no quarto de vocês hoje à noite? — perguntei, a voz saindo meio arrastada pelo nervosismo.
— Uai, Sky? Aconteceu alguma coisa? — Moon franziu o cenho, confusa.
— Nada, é que a gente precisa focar muito no projeto e trabalhar duro a partir de agora — disfarcei rápido.
— Ok então! Vamos arrasar! — Moon afirmou com o mesmo otimismo de sempre, saindo na frente para pegar um café.
Assim que minha irmã se afastou, a Sakura cruzou os braços e me barrou no canto do corredor, me medindo com aquele olhar clínico de quem já tinha lido todas as entrelinhas da minha cara de choro.
— Onde é que você está dormindo? — ela perguntou direto, baixinho.
Engoli em seco, olhando para os lados antes de me render.
— No quarto com o Rocco Blackwood.
— Eu sabia! — Sakura levou a mão à testa, soltando um riso soprado. — O que está rolando entre vocês dois, afinal?
— Eu não sei, Sakura... A gente se pegou de um jeito absurdo, mas hoje de manhã uma morena maravilhosa bateu na porta atrás dele, cheia de intimidade.
Sakura balançou a cabeça, num misto de pena e irritação.
— O Rocco é um safado, um cafajeste de primeira. Não fica triste por causa dele, não.
— Eu não estou triste, estou puta. E não quero que ninguém saiba disso. Eu acabei de ser traída pelo Victor, e já me envolvi com alguém complicado...
— Mas eu acho melhor assim — Sakura ponderou. — Se o pessoal da empresa souber que está se envolvendo com o CEO, sua carreira vai direto para o ralo. Seu trabalho vai perder todo o valor, vão te acusar de favoritismo e dizer que só passou no concurso por causa dele.
— Você tem toda razão. É a melhor coisa no momento. Não posso complicar ainda mais a minha vida — afirmei, embora meu coração apertasse de um jeito estranho.

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