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A Virgem Traída Contratou um Gigolô e Ele era um Bilionário romance Capítulo 111

POV: SKY BITTENCOURT

Meu pai estava se contorcendo inteiro no colchão, a espinha arqueada, o rosto pálido e os lábios já arroxeados pela falta de oxigênio, espumando de um jeito assustador pela boca.

No mais puro instinto de sobrevivência e desespero, eu não pensei. Subi em cima dele na cama, ajoelhando-me sobre os lençóis, e enfiei os meus dedos direto na boca dele. Minhas mãos tremiam, mas eu precisava puxar a língua dele para frente, impedindo que ele se engasgasse com a própria saliva ou se asfixiasse no meio daquela convulsão violenta.

— LIGA PARA A AMBULÂNCIA! MOON, LIGA PARA A AMBULÂNCIA AGORA! — gritei a plenos pulmões, a voz saindo rasgada, misturada com o choro que eu tentava prender.

O Gael não ficou parado assistindo. Ele entrou em ação rápido e subiu os degraus invisíveis do meu desespero para ajudar no manejo físico. Enquanto a Moon discava para o resgate aos prantos na sala, o Gael se inclinou sobre a cama e segurou os ombros largos do meu pai com firmeza, ajudando a estabilizá-lo de lado no colchão para que ele não se machucasse com os espasmos brutos. Aqueles minutos pareceram horas, até que o som da sirene finalmente ecoou na rua e os paramédicos entraram correndo com a maca, assumindo o controle com as masks de oxigênio de emergência e levando o meu pai às pressas para a ambulância.

No meio daquela correria, enquanto a gente descia pelo elevador, o Gael foi totalmente calmo e prestativo. Ele me olhou com uma preocupação genuína.

— Sky, eu juro por tudo que eu não fiz nada — ele explicou, a voz macia, pausada e perfeitamente calma. — Eu estava indo em direção ao banheiro, mas no meio do corredor acabei escutando uns barulhos estranhos vindo de dentro daquele quarto. Fiquei preocupado, abri a porta para ver se estava acontecendo alguma coisa e dei de cara com o seu pai. Ele já estava tremendo na cama, Sky. Parecia meio agitado, sei lá. Eu entrei, cheguei perto para ver se ele estava bem e tentei conversar um pouco para ver se ele se acalmazia. Só balancei a cabeça e disse: "Oi, tudo bem? O senhor tem filhas incríveis". Mas ele continuou tremendo, e aí do nada a crise piorou e os aparelhos começaram a apitar feito loucos. Eu só me aproximei para tentar estabilizar ele na cama até você chegar. Eu não toquei em nada, eu juro.

O resto da madrugada virou uma vigília cruel. Passamos a noite inteira em claro, sem pregar o olho por um segundo sequer, sentadas naquelas cadeiras plásticas duras e desconfortáveis da sala de espera do pronto-socorro. Enquanto o meu pai estava lá dentro, eu passava os dedos pelos cabelos ruivos, encarando o chão e rezando com todas as minhas forças para que o plano de saúde antigo ou qualquer assistência remanescente cobrisse aquela internação de emergência. Eu sabia que a realidade era sádica: eu tinha exatamente quarenta e um reais na conta poupança e nenhuma linha de crédito.

A Moon estava em pânico, soluçando baixinho com a cabeça escondida nos joelhos. Por volta das duas da manhã, tentei bancar a irmã mais velha protetora.

— Moon, vai para casa, por favor... Você precisa descansar. Eu fico aqui e te aviso qualquer coisa.

— Não! Eu não vou arredar o pé daqui, Sky! — ela bateu o pé, levantando o rosto vermelho de choro e se recusando terminantemente a sair. — Eu vou ficar com você até o fim.

E o Gael também se recusou a nos deixar sozinhas. Ele se mostrou o companheiro perfeito para aquele cenário de desgraça: foi até a máquina, comprou copos de plástico com café horrível para a gente, segurou a mão da Moon para consolá-la e continuou ali firme, nos dando apoio emotional naquela antessala fria.

O relógio do hospital marcava exatamente quatro horas da manhã quando o médico de plantão finalmente cruzou as portas duplas da ala interna. Ele vinha caminhando devagar, segurando um prontuário e com uma expressão profundamente intrigada, com as sobrancelhas quase coladas.

Me levantei num pulo, com o coração rebatendo na garganta.

— Doutor? Como está o meu pai? — disparei, os dedos cravados na saia social amassada.

— O senhor Otávio está estabilizado, o quadro respiratório foi controlado com a medicação de emergência — o médico começou, ajeitando os óculos. — Mas... nós rodamos uma bateria completa de exames de sangue e o painel toxicológico revelou algo extremamente bizarro e fora do comum.

Olhei para a Moon e depois para o Gael, sentindo um arrepio gélido pinicar a minha nuca.

— Bizarro como? O que ele tem?

O especialista soltou um suspiro pesado e apontou para os gráficos impressos na folha.

— Detectamos traços residuais, mas de caráter crônico e contínuo, de uma substância derivada de cianeto no organismo dele. Mais especificamente, algo compatível com amigdalina, aquele composto que a gente encontra concentrado em sementes de maçã.

— Veneno? — a palavra saiu da minha boca quase sem voz, fazendo meu estômago despencar direto para o concreto do hospital.

— Em microdoses diárias e controladas, não é o suficiente para matar — o médico detalhou, gesticulando com a caneta. — Mas ela funciona no organismo como uma verdadeira camisa de força química.

— O que?.... não entendi o que o senhor quer dizer?

— Bom... pode não fazer sentido prático para você agora, senhorita. Mas a química é exata: alguém estava envenenando ele. Estavam forçando e obrigando o organismo do seu pai a ficar preso nesse estado vegetativo.

Quando o médico virou as costas e começou a caminhar de volta para as portas duplas da ala restrita, a gravidade daquelas palavras finalmente terminou de quebrar a estrutura das minhas pernas.

Eu desabei. Meus joelhos cederam e eu caí sentada direto no chão frio do hospital, encostando as costas na parede pintada de branco. Levei as duas mãos à cabeça, enterrando os dedos entre os fios ruivos, enquanto os meus pensamentos começavam a colidir uns com os outros dentro da minha mente, como um carro desgovernado.

Meu Deus... Meu Deus, quem?

A imagem do rosto do meu pai convulsionando na cama piscou na minha frente. Quem faria uma atrocidade dessas com um homem que já estava derrotado em cima de uma cama? Não entrava na minha cabeça. Naquele apartamento pequeno, a rotina era um relógio: só girava eu, a minha irmã, as enfermeiras contratadas que se revezavam nos plantões e o home-care que o Gouveia mandava...

Fiquei ali, estancada no chão, olhando para o vazio com o peito arfando. Minha mente dava voltas e voltas pelos últimos anos, repassando cada frasco de remédio, cada suplemento manipulado, cada troca de plantão, mas eu simplesmente não conseguia chegar a conclusão nenhuma.

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Coitada da nossa Sky hein....

Cadê as Sherlock Holmes de plantão? Tem teorias???

O que está acontecendo... Hein....

ROCCO? Cadê o nosso garoto cafajeste?

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