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A Virgem Traída Contratou um Gigolô e Ele era um Bilionário romance Capítulo 113

POV: ROCCO BLACKWOOD

O barulho do canteiro de obras em Natal sumiu no segundo em que o celular vibrou no bolso do meu paletó. Eu estava com o pé na lama, inspecionando a fundação do novo resort, quando a voz da minha avó desabou no meu ouvido, chorando de um jeito que eu nunca tinha escutado antes. O Ravi tinha batido o carro em Londres. Capotado.

Não pensei. Não organizei demandas, não dei aviso prévio para a diretoria e nem sequer consegui olhar para trás para me despedir da Sky ou avisar que estava saindo do país. Larguei a prancheta na mão de um estagiário qualquer, entrei no carro de apoio e rumei direto para a pista de decolagem. Quinze minutos depois, as turbinas do jato privado roncavam alto, cortando o céu em direção ao Atlântico.

O isolamento da cabine executiva é uma m**** claustrofóbica. Quando você voa a dez mil metros de altura sozinho, o silêncio não acalma; ele traz à tona o peso de cada m**** que você tentou soterrar sob toneladas de concreto. Olhei pela janela, encarando o tapete de nuvens, e a minha mente fez o scan completo do dia em que o meu mundo ruiu.

Dez anos atrás. Eu era um menor de idade irresponsável, um moleque sem juízo que achava que o sobrenome Blackwood era uma licença para a imortalidade. Meus pais morreram na hora. E o Ravi... o Ravi era só uma criança que ficou presa no metal retorcido das ferragens, gritando no escuro até o socorro chegar. He sobreviveu, mas as marcas físicas e psicológicas ficaram cravadas na pele dele para sempre.

A verdade é sádica, e eu admito isso para mim mesmo enquanto o jato treme com a turbulência: eu não consigo olhar para o meu irmão caçula sem ver o fantasma de tudo o que eu perdi. Existe uma barreira invisível entre nós, uma dificuldade real de convivência que me esmaga.

E a culpa não é do Ravi por ser um garoto difícil; o problema é que ele é o lembrete vivo e pulsante de que toda a fortuna, o império e a cadeira de CEO que eu gerencio hoje só são meus porque a nossa família foi dizimada. Às vezes, me sinto apenas um herdeiro inútil, um fantasma vestindo os ternos caros do meu pai e vivendo sob a sombra gigante dele.

Peguei o celular satelital e digitei uma mensagem direta, curta e sem rodeios para o meu primo Christian Blackwood:

“Christian. Estou em rota para Londres. O Ravi bateu o carro. Assuma as pontas na empresa em Porto Alegre e dê o suporte que a equipe da Zênite precisar para o concurso. Mas preste atenção: NÃO ME CONTE PROBLEMA NENHUM DA FIRMA. Estou com uma bomba gigante para apagar aqui e preciso de foco total.”

Enviei o comando e bloqueei a tela. Eu precisava do meu cérebro funcionando com precisão cirúrgica.

Quando pisei no hospital em Londres, o cheiro de antisséptico me deu náuseas. Encontrei o Ravi na cama da ala de observação, com o braço enfaixado, arranhões no rosto e aquela expressão de deboche vazia que ele usava para se proteger. O diagnóstico do médico foi o soco de sempre: ele estava bebendo e abusando de substâncias antes de perder o controle do volante.

O meu autocontrole esfarrapou. Avancei até a beira do colchão, sentindo o sangue ferver no pescoço.

— Você ficou maluco, porra?! — rosnei, a voz saindo baixa e letal, os nós dos meus dedos brancos de tanta raiva. — Você quer se matar? Quer terminar o serviço do acidente? Chega! Eu vou assinar a sua internação à força em uma clínica de reabilitação na Suíça amanhã mesmo! Você vai aprender a ter limite em uma jaula se for preciso!

O Ravi nem piscou, apenas sustentou o olhar com aquele cinismo defensivo, mas vi o maxilar dele tencionar. Antes que ele pudesse abrir a boca ou que o clima destruísse o quarto, a mão da minha avó fechou no meu braço com uma força impressionante.

— JÁ CHEGA, ROCCO! — O grito contido da minha avó interrompeu o meu avanço.

Helena Blackwood postou-se entre mim e a cama, os olhos castanhos marejados, mas ditando uma autoridade severa. Ela me empurrou pelo peito, apontando para a saída.

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