POV: SKY BITTENCOURT
O estalo da porta de madeira se fechando pareceu ecoar dentro do meu peito, me deixando completamente sozinha na penumbra vermelha daquela suíte. Levei alguns segundos longos para conseguir focar a visão e recobrar a noção exata de onde estava. Eu estava em um quarto de clube erótico, não no céu, embora o meu corpo ainda estivesse totalmente mole, trêmulo e anestesiado pela descarga avassaladora de prazer que eu tinha acabado de sofrer. Meus lábios ardiam, marcados pela minha própria umidade que o homem mascarado havia espalhado ali com os dedos. O cheiro de morango da minha pele se misturava ao aroma abafado do sexo, criando uma atmosfera pesada que me dava profundas náuseas.
— O que foi isso, Sky? — sussurrei para o vazio, sentindo o peito subir e descer. Céu... Eu nunca imaginei que poderia alcançar, literalmente e da pior forma possível, o significado do meu próprio nome.
Porra, o que eu estava fazendo com a minha vida? Quem eu era de verdade?
Caminhei a passos vacilantes até o espelho da suíte e me encarei.
Por um momento de absoluto terror, eu não me reconheci. Quem era aquela mulher de olhar perdido refletida ali? Por que eu estava me sujeitando a isso? A consciência tardia e a noção exata do que tinha acabado de acontecer me atingiram como um soco, empurrando a minha razão direto para o inferno.
Um questionamento doloroso martelava na minha mente: o que é que você está fazendo da sua vida?
Uma vergonha avassaladora começou a queimar por baixo da minha pele, fazendo cada poro do meu corpo se arrepiar de repulsa. Que porcaria de mulher eu estava virando?
Eu passei a vida inteira me sentindo um patinho feio, a garota esquisita de cabelos ruivos acobreados e curvas fartas que nunca se encaixavam em padrão nenhum, sendo chamada de "lunática da favela" no passado por causa do meu nome e da nossa pobreza extrema. Por causa disso, eu sempre fui uma mulher extremamente monogâmica, certinha, totalmente presa à ideia de que precisava de uma conexão profunda e de sentimentos reais para deixar um homem encostar no meu corpo.
Foram dez anos da minha vida me resguardando inteira para o Victor, acreditando cegamente que ele era o meu único porto seguro, para no final ser pisoteada e humilhada daquele jeito cruel no altar.
E agora, a minha mente era um canteiro de obras completamente destruído por quatro homens diferentes, bagunçando tudo o que eu achava que sabia sobre mim mesma. Teve o Victor e a sua traição nojenta. Teve o Gael, com quem eu cheguei a me agarrar e trocar beijos nas últimas semanas, tentando desesperadamente sentir alguma coisa que preenchesse o vazio; mas a verdade nua e crua era que o toque do Gael nunca fez o meu sangue incendiar, nunca gerou aquele arrepio violento que me deixava sem ar. Meu corpo permanecia gélido perto dele.
But com o Rocco Blackwood as engrenagens eram totalmente diferentes. A presença daquele herdeiro prepotente e arrogante me estressava, me tirava do sério a cada segundo, mas a área ao redor dele carregava um magnetismo perigoso que tinha o poder de me desestruturar inteira. E para completar a minha ruína definitiva, eu tinha acabado de me entregar sem restrições aos comandos do Dom Hades no subsolo, deixando um estranho de máscara me ensinar a me masturbar em troca de dinheiro.
Eu não tinha visitado aquele lugar apenas uma vez, mas duas. Eu havia retornado voluntariamente para o abismo. E eu voltaria.
Droga!!
As lágrimas começaram a escorrer pelo meu rosto em um silêncio doloroso, molhando as minhas bochechas sem que eu sequer percebesse o choro. Um nó apertado e sufocante travou a minha garganta. Eu sentia um nojo profundo do meu próprio reflexo no espelho. Estava agindo exatamente como uma piranha, uma piriguete barata que pulava de braço em braço, se perdendo nos próprios desejos. Eu não conseguia mais imaginar um futuro para mim.
Não conseguia ver um amanhã com o Gael, nem com o Rocco, nem com homem nenhum. O que seria do meu futuro a partir de hoje? Será que seria suficiente alguma coisa para consertar o que quebrei em mim?

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