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A Virgem Traída Contratou um Gigolô e Ele era um Bilionário romance Capítulo 128

POV/ SKY

— Ai... Blackwood... — sussurrei, a lembrança dos lábios dele me causando uma vertigem súbita. Balancei a cabeça com força para afastar os pensamentos. — Tanto faz... Você poderia me dar mais uma dose? Alguma coisa forte.

Arthur cruzou os braços sobre o peitoral rígido, me encarando com seriedade.

— Bom, eu acho que por hoje já está bom.

— Só mais uma — insisti, batendo os nós dos dedos na madeira. — Naquele dia, você disse que se eu precisasse, você me ofereceria um ombro amigo. Esse ombro amigo hoje está disponível?

Arthur desfez o sorriso brincalhão no mesmo instante. O semblante dele mudou para algo genuinamente acolhedor. Ele jogou o pano sobre a bancada, deu a volta por trás do balcão, puxou uma cadeira de madeira de uma mesa próxima e se sentou bem ao meu lado.

— Para você? Sempre. Pode desabafar, noivinha. O que está acontecendo?

Apoiei os dois cotovelos na madeira fria, cobrindo o rosto com as muitas lágrimas quentes que voltavam a vazar pelos meus dedos. Comecei a contar para ele tudo por alto, descarregando a ruína da minha vida, o estado do meu pai preso àquela cama e o sufoco financeiro que parecia não ter fim.

— É horrível, Arthur... Como você consegue ser um adulto assim tão fovido? — solucei, a voz saindo abafada e trêmula. — Eu não sei o que eu faço da minha vida amanhã. Eu não sei nem o que vou ver, como vou viver. Está tudo quebrando e eu me sinto completamente perdida, sem rumo.

Arthur ouviu tudo em absoluto silêncio, deixando que eu colocasse cada gota de dor para fora. Quando terminei de falar, ele suspirou de forma pesada e olhou para o teto do bar antes de responder de forma mansa:

— A vida é difícil, noivinha. Não dá colher de chá para ninguém, sabia? Todo mundo carrega uma cruz pesada e cheia de problemas nas costas. Até o Rocco tem problemas, se você quer saber.

Soltei uma risada extremamente seca e cínica, sentindo um gosto amargo subir pela garganta ao ouvir o nome do herdeiro.

— É, com certeza... Aquela ignorância e a prepotência do Rocco são do tamanho do Everest, de tão grande. Ele deve ter tantos problemas quanto o tamanho colossal da conta bancária dele, só se for. Homens como ele não sofrem por nada.

Arthur soltou uma risada curta, o olhar dele ficando distante e pensativo enquanto apoiava os braços nos joelhos.

— O Rocco... quando ele era mais novo, eu o conheci na escola. Meu pai era o dono legítimo deste bar. Os moleques da escola faziam um bullying pesado comigo por causa disso, me humilhavam todo santo dia no pátio. E o Rocco foi o único cara que meteu a cara, comprou a minha briga e me defendeu usando os próprios punhos contra todo mundo. Quando ele tinha uns dezesseis, dezessete anos, ele vinha correndo para cá para poder se esconder, para fugir da pressão sufocante dos avós e do pai dele... principalmente depois que os pais dele morreram de forma trágica naquele acidente de carro.

Fiquei calada, ouvindo o relato sem querer demonstrar o quanto aquela revelação me pegava de surpresa.

— O Rocco é uma pessoa absurdamente pressionada, noivinha. Ele cresceu cercado de cobranças, cheio de responsabilidades corporativas e com um peso nas costas muito grande que esmagaria qualquer um. Às vezes ele pode não transparecer, se faz de inabalável e durão, mas eu sei que aquele jeito sarcástico e insuportável dele é só uma blindagem. Em todo caso ele tem medo de mostrar quem realmente é.

Fiquei completamente em silêncio, processando a informação enquanto o meu peito apertava ainda mais com a confusão mental. Para cortar o assunto de uma vez e tentar apagar aquela conversa da minha mente, bati os nós dos dedos no balcão de forma impaciente.

— Tanto faz... Você poderia me dar mais uma dose? Alguma coisa forte.

Arthur se levantou da cadeira, colocou o móvel de volta no lugar e balançou a cabeça negativamente.

— Não vou te dar mais álcool, noivinha. Você já passou do limite.

— Só mais uma — insisti, a voz saindo em um fio teimoso.

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