POV: ROCCO BLACKWOOD
Estacionei a Mercedes na minha vaga privativa da garagem subterrânea do prédio. Desliguei o motor e o silêncio que se instalou no carro foi quase imediato, quebrado apenas pela respiração pesada e descompassada da Sky ao meu lado. Ela continuava completamente apagada, afundada no banco de couro legítimo, parecendo um pequeno fardo ruivo sob o meu casaco preto.
Dei a volta, abri a porta do carona e me inclinei para soltar o cinto de segurança. Quando a puxei com cuidado para os meus braços, ela deu um leve sobressalto. Os olhos claros se abriram minimamente, cobertos por uma névoa densa de confusão.
— Roco...cco... o teto do carro... tá cheio de minions — ela balbuciou, a voz saindo arrastada, as palavras completamente sem nexo. — Manda parar de rodar o carrossel, tá me dando tontura.
— Shh... Fica quieta. O carro já parou — sussurrei de volta, ajeitando a cabeça dela contra o meu ombro.
Ela soltou um resmungo incompreensível e voltou a fechar os olhos, deixando o corpo amolecer totalmente contra o meu peito. Fechei a porta da Mercedes com o pé e caminhei em direção ao elevador do hall social, carregando-a sem o menor esforço.
Quando as portas de vidro do saguão se abriram e eu dei de cara com o Seu Valdir, o síndico insuportável e fofoqueiro do condomínio, que estava terminando de vistoriar as câmeras da portaria àquela hora da madrugada.
O homem travou no lugar, arregalando os olhos ao me ver entrar com uma mulher completamente desacordada nos braços, vestida apenas com um vestido amassado e coberta pelo meu casaco.
Ajeitei a Sky no meu colo e estufei o peito, deixando a minha postura de Imperador assumir o controle absoluto do espaço. Fixei os meus olhos verdes nele com uma frieza cortante, um olhar predatório que dizia claramente para ele manter a boca fechada se quisesse continuar no cargo.
— Algum problema, Seu Valdir? — rachei a pergunta, o tom saindo grave, pausado e perigosamente calmo. — Ela é minha namorada está tudo bem.
O homem engoliu em seco, a cor sumindo do rosto dele no mesmo segundo. Ele deu dois passos para trás, ajeitando os óculos com os dedos trêmulos.
— N-Nenhum, Senhor Blackwood! Boa noite... digo, boa madrugada. Quer que eu segure o elevador?
— Não é necessário. Vá para a sua sala — ordenei de forma ríspida.
Ele acenou positivamente três vezes e praticamente correu para os fundos da portaria. Entrei no elevador, apertei o botão da cobertura e soltei o ar com força pelos lábios.
Só faltar sair por aí dizendo que tenho uma namorada que gosta demais, demais, mesmo tipo muito de uma birita.
Ou pior, que sou aproveitador de mulheres.
As portas abriram e caminhei, até meu apartamento abrindo a porta com dificuldade, mas consegui entrar.
— Alexia ligar luzes.
O ambiente amplo se iluminou. Caminhei até o sofá de couro italiano de três metros e deitei a Sky ali com o máximo de delicadeza que consegui reunir.
Me afastei para tirar o paletó, o celular dela começou a tocar de forma estridente no bolso da minha calça onde tinha guardado.
A tela brilhava com o nome da Moon ♥️.
— Alô — soltei, o tom baixo para não despertar a ruiva.
— Alô quem é? — a voz da Moon veio carregada de uma surpresa misturada com desconfiança.
— Sou eu Rocco.
— O que? Por que você está com o telefone da minha irmã? Onde a Sky está?
— Ela está bem. Fica tranquila.
— Como assim? Deixa eu falar com ela.
— Bom... e que ela .... é... — antes de eu tentar pensar em uma desculpa ela me interrompeu.
— Moon, preciso desligar. Agora! — disparei, jogando o celular na mesa de centro e correndo em direção ao sofá.
Aproximei-me num tranco, me ajoelhando no tapete felpudo de luxo. Amparando as costas dela, puxei o corpo mole da ruiva para cima, sentando-a no estofado.
— Sky? Ei, respira. Olha para mim, vai ficar tudo bem. Você vai ficar bem — falei com uma mansidão que eu nem sabia que possuía, passando as minhas mãos pelas bochechas quentes dela.
Ela abriu os olhos por um microssegundo, piscando de forma vacilante.
O rosto pálido dela, emoldurado pelos fios ruivos bagunçados, parecia a coisa mais linda e preciosa do universo.
Fiquei completamente hipnotizado por aquela expressão indefesa, sentindo o meu peito se encher de um sentimento protetor esmagador.
— Você é tão linda, fofa, tão..... — Minha frase foi interrompida pelo soluço sem aviso prévio que ela soltou.
Ela enterrou a cabeça direto no meio do meu peito.
— Você está dormindo assim e tão ....... — Nem tive tempo de terminar ou formular qualquer pensamento.
Senti líquido quente atravessando minha camisa.
E era Sky vomitando de novo em cima de mim.
— Caralho! — esbravejei — De novo isso?
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COITADO DO ROCCO!!! KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK

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