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A Virgem Traída Contratou um Gigolô e Ele era um Bilionário romance Capítulo 135

POV: SKY BITTENCOURT

O clima na cozinha mudou num piscar de olhos quando ele deu mais dois passos compridos, parando bem na minha frente. Ele apoiou as duas mãos na bancada de madeira e se inclinou na minha direção, me encarando sério.

— A sua irmã ligou do hospital hoje cedo — ele disparou.

O nome da Moon foi como levar um soco direto no meio do peito. Toda a minha marra de garota durona, a raiva fingida e a energia que eu estava gastando para disfarçar a humilhação sumiram na mesma hora. Minha postura desabou e eu afundei de volta na cadeira, sentindo o peso do mundo esmagar os meus ombros outra vez.

O pavor me cobriu inteira, feito uma sombra. Os exames finais do meu pai ficavam prontos amanhã. Eu passava os dias olhando para aquele homem naquela cama de hospital, apagado, cheio de tubos, sem poder fazer absolutamente nada a não ser assistir à destruição da nossa família. E a certeza torturante de que o Gouveia estava por trás de toda essa armação só me deixava mais doente. Para completar o desespero, a audiência já era na próxima sexta-feira, e eu não tinha advogado, não tinha dinheiro e nem uma luz no fim do túnel para me ajudar.

Senti meus olhos arderem e as lágrimas querendo subir, mas engoli o choro à força, apertando os dedos contra as minhas coxas até os nós ficarem brancos.

Rocco contornou o balcão da cozinha em silêncio. Ele parou bem na minha frente, reduzindo a distância entre nós a quase nada.

— Você sabe que pode contar comigo para resolver qualquer coisa, não sabe, Bittencourt? — ele perguntou, e a voz dele não tinha um pingo daquele deboche ou da ironia de sempre.

Ergui os olhos para ele, lutando contra o nó entalado na minha garganta.

— Não — menti, com a voz saindo fraca. Meu orgulho idiota chiou lá no fundo, tentando me proteger do tamanho da dependência que eu estava criando dele. Desviei o rosto para o lado. — Não é porque você bancou o herói me tirando bêbada de um bar que significa que eu posso simplesmente confiar a minha vida ou os meus problemas a você. Eu não posso me apoiar em você. Isso não tem nada a ver com você.

— Sky. Olhe para mim — ele mandou, usando o meu primeiro nome num sussurro tão firme que me fez encolher os ombros. — Você pode confiar em mim. Se você me pedir para resolver essa história, eu vou até o inferno se for preciso. O que você me disser para fazer, eu faço. No que você mandar eu acreditar, eu vou acreditar.

Fiquei em choque com o peso daquelas palavras. Meu coração disparou tanto que parecia que ia sair pela boca. Para tentar cortar aquela proximidade sufocante que estava me fazendo perder o chão, agarrei a xícara de café com as mãos trêmulas e dei um gole rápido e desesperado.

Péssima ideia. O café ainda estava pelando. O líquido queimou a minha língua na mesma hora, me fazendo tossir, cuspir e engasgar feio. O café espirrou pelo meu queixo e escorreu direto pelo colo do vestido novinho que ele tinha acabado de comprar para mim.

Rocco soltou uma risada baixa, achando a maior graça do meu papelão típico.

— Você é inacreditável, Bittencourt. Consegue ser um perigo para si mesma até tomando um café da manhã.

— Eu sei que sou desastrada, inferno! — esbravejei entre uma tossida e outra, tentando limpar o tecido com as mãos, sentindo o meu rosto queimar de tanto nervoso. — É você que me deixa assim!

Ele parou de rir na mesma hora. Os olhos dele escureceram, brilhando com um jeito predador que me deu um frio instantâneo na barriga. Dei dois passos para trás por puro instinto de sobrevivência.

— Ah, é? — ele avançou, me encurralando. — Eu te deixo nervosa, Bittencourt?

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