(CAP. CONFORTOS e com muita rivalidade para vocês)
POV: SKY BITTENCOURT
Assim que saímos do restaurante, a minha cabeça parecia que ia rachar em duas de tanta preocupação. A Moon tinha avisado que iria almoçar na casa da Sakura, e o Rocco ficou de me levar para casa após o almoço.
Eu me escorei contra o vidro da janela, totalmente aérea, vendo a cidade passar do lado de fora. Tudo parecia estranho, como se o mundo estivesse rodando em CÂMERA LENTA, ou talvez rápido demais, eu nem sabia dizer direito. Eu estava tão mergulhada no desespero daqueles cento e cento e cinquenta mil reais que fiquei encarando o asfalto, completamente desligada da realidade.
— Você vai acabar esmagando as suas têmporas com os próprios dedos se continuar apertando a cabeça desse jeito — o Rocco comentou, sem tirar os olhos da estrada.
— Eu sei. É que eu estou muito preocupada — confessei, afundando o corpo no banco de couro.
— Deixa para resolver o que você não pode mudar hoje em outro dia, Bittencourt.
Como é fácil para ele falar, não é? Bilionário, poderoso e com um sorriso tentador que resolvia qualquer problema com um estalar de dedos. Eu pensei em argumentar, mas preferi ficar quieta. Se eu dissesse isso em voz alta, o ego dele iria inflar tanto que não sobraria espaço para mim dentro daquela Mercedes.
Fiquei olhando a cidade passar pela janela. Estava tudo cheio e bonito por causa do domingo.
O Rocco cortou o fluxo do trânsito, parou o carro em frente a uma farmácia no meio do caminho e desceu sem falar absolutamente nada. Ele voltou dois minutos depois segurando uma cartela de remédio para enxaqueca e uma garrafinha de água gelada.
Olhei fixamente para ele, e ele apenas revirou os olhos em resposta, arqueando a sobrancelha enquanto me entregava as coisas.
— Toma. Agora.
— Sabe, Blackwood, eu não sou um dos seus funcionários para você ficar me dando ordens desse jeito — retruquei, enfiando o comprimido na boca e virando a garrafa de água para dar um gole enorme, decidida a ignorar a pose dele.
— É, você tem razão — ele respondeu, e o tom de voz dele mudou para algo bizarramente calmo. — Não é um funcionário. É a garota que eu gosto.
A água foi direto para o canal errado e eu ENGASGUEI de um jeito completamente violento.
Comecei a tossir feito uma condenada, com o peito queimando e os olhos lacrimejando enquanto o meu rosto ficava vermelho de tanta falta de ar e de vergonha. O Rocco teve que firmar o corpo no banco, segurando o volante com uma mão enquanto usava a outra para dar dois tapinhas firmes nas minhas costas, soltando uma risada baixa do meu colapso.
— Respira, Bittencourt. Não morre engasgada no meu banco de couro novo não — ele zombou, embora o olhar dele estivesse fixo em mim.
Quando a crise de tosse passou e o ar finalmente voltou para os meus pulmões, o meu cérebro simplesmente entrou em CHOQUE.
Minha boca secou tanto que o som nem saiu. Depois de tantos episódios, brigas e mistérios, ele simplesmente tinha soltado aquilo ali, na maior calmaria do mundo. Fiquei totalmente sem saber o que dizer, apenas escutando o meu coração bater acelerado no peito, em um ritmo desordenado que parecia gritar um EU TAMBÉM de volta para ele.
Desviei o meu rosto depressa para a janela, tentando ignorar o peso do olhar dele cravado em mim enquanto tentava me recuperar do maior baque da minha vida.
Eu achei que a gente estava voltando para a cobertura depois daquilo, mas o Rocco pegou a avenida em direção à zona sul de Porto Alegre e entrou direto nas rampas do BarraShoppingSul. Quando ele estacionou, me puxou para dentro do shopping e paramos bem na fachada barulhenta da HotZone, eu fiquei completamente confusa, sem saber o que falar. O barulho dos simuladores de corrida, as luzes de neon piscando e as músicas eletrônicas dos jogos de dança criavam um caos completo naquele lugar gigante, que estava lotado de pessoas, a maioria crianças correndo para todos os lados.

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