POV: SKY BITTENCOURT
Enquanto ele passava o cartão magnético no caixa com uma carga absurda de créditos, a minha mente começou a queimar em um impasse infernal. Eu percebi ali, vendo ele de costas, que o meu coração já era dele. Eu estava completamente rendida. Mas o pânico me deu um soco no estômago quando lembrei que na quinta-feira eu tinha a próxima sessão com o Dom Hades no subsolo do clube.
Se o Rocco descobrisse que eu vendia o meu corpo e me emprestava para outro homem em uma sala vermelha, ele poderia ter nojo da minha cara. Ia achar que eu sou uma vagabunda. O suor frio desceu pelo meu pescoço com esse pensamento, mas fui arrancada do surto quando o Rocco esticou o cartão na minha direção com um sorriso predatório.
— Fechado. Prepara o lombo, Bittencourt, porque eu vou te esmagar nesses jogos.
A nossa primeira parada foi na pista de mini-boliche. Eu decidi que ia dar um show. Peguei a bola preta compacta, fiz uma pose de jogadora profissional, dei o passo regulamentar para trás e peguei impulso.
O problema é que a bola escorregou dos meus dedos suados antes da hora. E quando eu digo antes da hora, quero dizer MUITO antes da hora. A maldita escapou da minha mão igual meleca escorrendo entre os meus dedos. Caiu no chão com um estrondo, quicou duas vezes, bateu na canaleta e começou a voltar lentamente na minha direção.
Lentamente. Devagar.
Num ritmo tão humilhante que eu tive tempo de passar pelas cinco fases do luto enquanto assistia. Negação. Raiva. Barganha. Depressão. Aceitação. Quando a bola finalmente parou nos meus pés, eu queria ser atropelada por ela.
O Rocco ficou olhando para a bola. Depois para mim. Depois para a bola de novo.
— Você acabou de perder para um objeto sem vida — ele zombou.
— Cala a boca.
— Nem chegou na pista.
— Eu sei.
— Nem perto da pista.
— ROCCO.
Ele deu uma risada alta, passou a mão no cabelo para tirar os fios da testa e pegou a bola dele. Ele nem fez força. Jogou com uma mão só, com a maior arrogância do mundo, e a bola voou direto no centro, fazendo um STRIKE perfeito que ecoou pelo parque todo.
— Claro, Bittencourt. O problema é a pista — ele desdenhou, passando o cartão na máquina seguinte. — O avental rosa está ficando bem longe do meu closet.
Ele jogou de novo e foi STRIKE de primeira em todas as pistas seguintes. O desgraçado era bizarramente bom de mira.
— Viu como se faz? — ele perguntou, com aquele sorrisinho de canto de boca.
— No — respondi, fingindo olhar para o outro lado para ignorar o meu próprio fiasco.
Ele fez de novo e de novo, sorrindo e tirando sarro de mim em todas as vezes. Na minha terceira tentativa, respirei fundo e joguei com tudo. Para a minha completa surpresa, a bola bateu torta, ricocheteou em um dos lados e conseguiu derrubar dois pinos.
DOIS.
PINOS.
Eu fiquei tão feliz que qualquer pessoa assistindo de fora pensaria que eu tinha acabado de ganhar uma medalha olímpica.
— ROCCO! VOCÊ VIU?
Comecei a pular na plataforma igual uma criança que tinha tomado energético demais.
— Eu vi.
— EU DERRUBEI DOIS!
— Sim.
— DOIS!
— O placar também já está decidido. Eu venci.
— PARA DE ESTRAGAR O MOMENTO!
— Estou tentando, mas você está comemorando dois pinos como se tivesse descoberto a cura do câncer.
Dei dois t***s nele, um pouco mais forte dessa vez.
— Desculpa — ele disse, a voz vibrando de um jeito divertido enquanto fechava as mãos grandes em volta dos meus prováveis alvos, segurando meus movimentos no ar. — não precisa me bater.
— Ah, desculpa... — recuei o corpo, sentindo o meu rosto queimar de vergonha. — É que eu fiquei empolgada e depois nervosa.
O Rocco sorriu, os olhos verdes brilhando com uma intensidade que fez o meu estômago dar voltas, e continuou segurando os meus braços, me puxando um milímetro mais para perto dele.
— Você pode me bater sempre que quiser, Bittencourt. Pode me agredir, me xingar... eu sou todinho seu para o que você quiser fazer.

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