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A Virgem Traída Contratou um Gigolô e Ele era um Bilionário romance Capítulo 142

POV: SKY BITTENCOURT

Para tentar me recuperar do quase tombo, arrastei o Rocco pelo braço até a máquina de garra para pegar ursinhos. Tinha um polvo de pelúcia com uma cara amarrada e brava bem perto do vidro, e eu apontei na mesma hora.

— Aquele ali é a sua cópia cuspida e escarrada, Blackwood. Eu quero ele.

Gastei metade dos créditos do cartão tentando posicionar aquela garra de metal frouxa. Toda vez que a pinça maldita levantava o polvo, soltava o bicho no último segundo. Comecei a bufar de frustração, e o Rocco foi ficando visivelmente irritado do meu lado. Ele assumiu o controle, empurrou a minha mão, colocou uma ficha e mirou com precisão. A garra soltou. Tentou a segunda, a garra soltou de novo.

Na quinta tentativa fracassada, o Rocco já não estava tentando ganhar o brinquedo. Aquilo tinha se tornado pessoal. Muito pessoal. Eu vi o exato momento em que o cérebro dele parou de enxergar uma pelúcia e começou a enxergar um INIMIGO mortal.

— Sai — pedi, rindo da cara de psicopata dele.

— Não.

— Sai daí, Rocco.

— Não.

— Bittencourt, eu comando empresas multinacionais.

— E está perdendo para um polvo de pelúcia.

O músculo do maxilar dele chegou a tremer de nervoso. As veias do pescoço dele saltaram e ele continuou encarando o polvo de pelúcia dentro do vidro com os olhos semicerrados.

— Eu vou pegar esse polvo.

— Rocco...

— Eu vou pegar esse polvo.

— Está ficando preocupante.

— Eu comando uma holding multinacional.

— E continua perdendo para um molusco de pelúcia.

— Eu vou pegar esse polvo. Só preciso tentar mais uma vez.

— Você já gastou trezentos e cinquenta reais tentando.

— Não é sobre dinheiro.

— O que me preocupa é que essa frase geralmente aparece no começo de um documentário sobre pessoas que perderam tudo.

Ele bufou, afastando-se da máquina com um ódio que dava para sentir de longe. Eu estava me segurando para não explodir de rir daquela cena ridícula.

— Não fala do polvo — ele avisou, apontando o dedo indicador na minha direção quando percebeu o tamanho do meu sorriso.

Aproveitando a brecha da irritação dele, puxei o Rocco pelo braço direto para a máquina de dança PUMP IT UP. Meu objetivo era claro: destruir de vez a postura de mafioso engomado e sério dele na frente de todo mundo. Mandei ele subir na plataforma cheia de setas coloridas.

A música eletrônica rápida começou. Nos primeiros cinco segundos eu ainda parecia uma pessoa normal. No décimo segundo, parecia alguém lutando desesperadamente pela própria vida. No vigésimo, eu já parecia uma GIRAFA RECÉM-NASCIDA tentando andar sobre uma pista de gelo lisa. Eu pulava para os lados de um jeito desajeitado, errava completamente o tempo das setas e fiquei morta em menos de um minuto, fazendo um fiasco completo no meio do fliperama.

Virei a cabeça esperando encontrar o Rocco passando a maior vergonha alheia. Porque aquilo era justo. Aquilo era correto. Aquilo era o meu plano perfeito.

Em verdade, encontrei o desgraçado executando a coreografia com uma precisão sobrenatural. O homem parecia ter sido treinado pela CIA especificamente para destruir a minha autoestima. Ele estava ali, de calça social e camisa preta, mantendo uma expressão de tédio absoluto no rosto, mas as pernas dele se moviam com uma rapidez bizarra, acertando cada seta luminosa perfeitamente no ritmo.

— Como você sabe jogar isso? — gritei, bufando de cansaço enquanto a música finalmente terminava e eu tentava recuperar o fôlego.

— Aprendi com a vida — ele respondeu, com a voz firme, sem dar uma única gota de suor.

— Isso não responde absolutamente nada, Blackwood.

— Nem todas as experiências traumáticas precisam ser explicadas.

Eu apoiei as mãos nos joelhos, completamente acabada e com o doze de inveja dele. Dei as costas para ir para o próximo jogo, mas parei e olhei de canto, soltando um risinho de escárnio.

— Você está sorrindo por quê? — ele perguntou, estreitando os olhos, desconfiado.

— Nada.

— Está pensando no polvo?

— Talvez.

Fomos então para a máquina de soco para resolver aquela disputa de vez. Tinha aquele saco de pancadas estofado pendurado e um placar digital gigante em cima. Juntei o resto de forças do meu corpo, peguei impulso com o quadril, fechei o punho e deu o soco da minha vida no saco estofado.

O placar demorou tanto para subir que achei sério que tivesse quebrado. Não tinha quebrado. Só estava visivelmente DECEPCIONADO comigo. Parou em uma pontuação ridícula que equivalia a um abraço de uma criança de cinco anos.

O Rocco se aproximou com passos lentos, parando bem na minha frente e me encarando de cima com deboche.

— Parabéns.

— Obrigada.

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