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A Virgem Traída Contratou um Gigolô e Ele era um Bilionário romance Capítulo 143

POV: SKY BITTENCOURT

O Rocco saiu da HotZone agindo como se tivesse acabado de conquistar um império. Ele andava pelo estacionamento do shopping com as mãos nos bolsos da calça social, o peito estufado e um sorriso tão convencido que dava vontade de socar. Assim que entramos na Mercedes, ele começou a batucar os dedos no volante de couro, no ritmo de uma marchinha boba.

— Eu sou o campeão — ele cantarolou, a voz rouca ecoando pelo espaço fechado do carro. — Campeão, campeão...

Revirei os olhos, mas o meu estômago deu uma cambalhota idiota só de ver o perfil dele iluminado pelas luzes do painel. Aquele homem era bonito demais, um absurdo.

— Você perdeu para o polvo, Blackwood — provoquei, escorando a cabeça no banco e olhando de canto. — Aceita que dói menos.

— Aquilo foi só um detalhe técnico, Bittencourt.

— Um detalhe de trezentos e cinquenta reais.

O Rocco soltou uma risada gostosa, jogando a cabeça um pouco para trás. O som vibrou baixo, direto no meu ouvido, me causando um arrepio incômodo pelo pescoço.

— O que importa é o placar final — ele rebateu, piscando para mim de um jeito rápido antes de focar na avenida. — E eu destruí você no resto do parque. Aceita sua má perdedora.

Fiquei quieta, apenas olhando o trânsito passar enquanto tentava acalmar a bofetada de adrenalina que ainda corria nas minhas veias.

O Rocco dirigiu até o meu bairro e parou a Mercedes em frente ao meu prédio. Subi correndo para pegar as minhas roupas. Quando abri a porta do apartamento, encontrei a Moon jogada no sofá, com as pernas para cima, digitando feito uma maluca no celular. Ela parou no mesmo milésimo de segundo quando me viu pegar uma mochila pequena no armário do corredor.

— Vai para onde com essa pressa toda, Sky? — ela perguntou, sentando-se de uma vez.

— Vou dormir fora hoje — respondi, jogando três calcinhas e um moletom velho dentro da bolsa.

A Moon largou o aparelho no estofado. Os olhos dela se arregalaram.

— Com o Blackwood?

— É.

— Isso é o que eu estou pensando? — Ela se levantou, caminhando até mim com passos rápidos. — É sério mesmo?

— Não sei, Moon. É por causa de uma aposta idiota do fliperama. Eu perdi.

O semblante da minha irmã mudou na mesma hora. O tom brincalhão sumiu, dando lugar a uma seriedade que me fez travar com o zíper da mochila na mão. Ela segurou o meu braço, apertando os dedos na minha pele.

— Toma cuidado, Sky. Muito cuidado.

— Eu sempre tomo.

— Não vai deixar nada impactar o nosso projeto — ela insistiu, olhando fundo nos meus olhos. — Você sabe o quanto isso é importante. Não só para você. Para mim também. É a nossa única chance de respirar.

Um nó gigantesco apertou a minha garganta. O peso dos cento e vinte mil reais que eu precisava conseguir até o próximo sábado pareceu esmagar os meus ombros de uma vez só.

— Eu sei, Moon — sussurrei, sentindo o ar rarefeito. — Eu não vou estragar nada. Juro.

O olhar dela suavizou aos poucos, e os cantos dos lábios dela se curvaram em um sorriso morno, quase cúmplice. Ela soltou o meu braço e passou a mão pelos meus cabelos, ajeitando uma mecha atrás da minha orelha.

— Mas eu fico feliz por você, sabia?

Olhei para ela, confusa.

— Feliz por quê?

— No tempo em que você namorava o Vitor... você era estranha, Sky. Ficava calada, na defensiva, sempre isolada naquele mundinho quadrado de vocês. Agora não. Você parece viva. Parece que voltou a ter sangue correndo nas veias quando está perto desse homem. Você sorri de verdade. Eu gosto de ver você assim.

Engoli o seco, sem saber direito o que responder.

— Só toma cuidado por causa do projeto, tá? — ela repetiu, dando um passo para trás.

Concordei com a cabeça, dei um beijo rápido na bochecha dela e saí dali antes que o choro que estava preso no meu peito subisse. Desci as escadas correndo, com a mochila pesando nas costas. O Rocco estava lá dentro, com o motor da Mercedes roncando baixo na calçada escura. Entrei, joguei a bolsa no chão do carro e bati a porta.

O Rocco passou a mão pelos cabelos escuros, desalinhando os fios com força antes de se virar para mim. Ele me avaliou de cima a baixo, com aquela intensidade verde que parecia ler até os meus pensamentos mais escondidos.

— Tudo bem lá em cima? — ele perguntou, a voz descendo um tom.

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