( Um cap bonûs especial e enorme para vocês- aproveitam...)
POV/ SKY
Eu tinha entrado no táxi e pedido para o motorista acelerar, mas quando estávamos dobrando a esquina, a ficha caiu: eu tinha deixado as outras duas caixas com o resto da minha vida profissional e as referências do meu pai no meio do corredor da empresa.
Tive que pedir para voltar. A humilhação de atravessar a recepção novamente, sentindo o peso dos olhares de quem já sabia da minha demissão, foi como caminhar sobre brasas. O motorista do táxi, um senhor que parecia ter percebido o tamanho do meu naufrágio, desceu do carro e me ajudou a carregar as caixas pesadas para o porta-malas. Eu não disse nada, apenas agradeci com um aceno de cabeça, tentando manter o que restava da minha espinha ereta.
Cheguei em casa com as mãos ainda trêmulas. Moon me recebeu na porta com aquele rosto inchado de quem passou a noite em claro debruçada sobre os projetos da faculdade. Ela me olhou, olhou para as caixas sendo empilhadas na sala e o silêncio dela me doeu mais do que qualquer grito do Paulo Gouveia.
— Como foi lá, Sky? — ela perguntou, tentando forçar um tom de normalidade que nenhum de nós sentia.
— Eu fui despedida, Moon. — Tentei dar um sorriso leve, o tipo de sorriso que as irmãs mais velhas usam para dizer que o mundo não está acabando, mesmo quando está. — O Tio Paulo achou melhor a gente seguir caminhos diferentes. É o ciclo natural das coisas, né?
— É... a gente dá um jeito... — ela sorriu. — E a gente vai ganhar aquele concurso e vamos superar as dificuldades.
Escondi a pasta de couro com o contrato abusivo por baixo das pastas de desenho. Ela não precisava saber agora que o nosso chão estava arrendado e que eu devia quase um milhão de reais para o homem que chamávamos de família.
— E sobre o concurso, parte dele eu fiz usando o computador da Gouveia. E por isso... a gente não vai poder usar mais aquele projeto.
— Ok. A gente vai dar um jeito, né? — disse, me seguindo até o quarto enquanto eu empurrava a caixa principal para um canto.
— Eu vou ter que começar do zero. O que estava naquelas máquinas não era o melhor que eu podia fazer. — Menti, sentindo o gosto amargo da decepção. — Agora, eu só preciso de um banho e de dez minutos para não pensar em nada.
Me tranquei no quarto e deixei o corpo cair na cama. Eu não tinha mais o projeto, não tinha o salário e o dinheiro que o financeiro vai depositar nos próximos dias será o último. Eu precisava de um plano, ou de um milagre.
Alex chegou pouco depois. Ele entrou no quarto com aquele jeito prático, jogando as chaves em cima da escrivaninha. Ele tinha visto as caixas na sala e não precisou de explicações para entender que a guerra tinha começado. Eu tinha mandado um e-mail para ele ver o reembolso da viagem de lua de mel que passei doze meses pagando.
— Liguei para a agência da sua viagem de lua de mel — ele disparou, direto ao ponto. — Para a Itália não tem reembolso total. Eles devolvem 80% do valor, mas o estorno só cai na sua conta em sessenta dias.
— Sessenta dias? Alex, eu preciso desse dinheiro para a enfermeira no mês que vem! — Senti o pânico subir pela garganta.
— Eu sei. Mas eles oferecem crédito imediato se você converter para destinos nacionais. Você pode usar o valor integral agora, sem perder nada.
— Eu não quero viajar, Alex! Eu preciso de um emprego. Vou procurar qualquer coisa, no bar do centro, na padaria da esquina, não importa.
— Você não vai trabalhar em balcão de bar, Sky. Você vai ganhar essa seletiva da Blackwood e provar que o seu cérebro vale mais do que qualquer hardware da Gouveia — ele disse, com aquela autoridade de quem não aceita rendição. — A Moon me falou desse Simpósio de Arquitetura Orgânica e Urbanismo Sustentável em Florianópolis que você queria ir. Vá para lá. Use o crédito da viagem, pegue os sete mil reais que você não gastou com o gigolô e invista no seu talento.
Moon apareceu na porta do quarto, abraçando os próprios braços.


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Os comentários dos leitores sobre o romance: A Virgem Traída Contratou um Gigolô e Ele era um Bilionário