POV: ROCCO BLACKWOOD
Eu estava sentado no chão da sala, com o corpo exausto da Sky aninhado direto no meu colo. Eu estava completamente nu, sentindo a pele dela colada na minha, mas a minha mente tinha entrado em total TELA AZUL. Eu encarava a parede oposta sem conseguir acreditar nas palavras que tinham acabado de sair da minha própria boca.
Eu tinha dito que amava ela.
Eu. Rocco Blackwood. O homem que comanda o subsolo, o cara que nunca se entregou para porra nenhuma de sentimento. O baque foi tão grande que o meu próprio cérebro parecia rejeitar a informação.
A Sky se mexeu no meu abraço, afastando o rosto do meu peito para me encarar com aqueles olhos castanhos gigantes.
— Você tá bem? — ela perguntou, testando o meu terreno.
— Tô bem — respondi rápido, a voz ainda mais rouca que o normal.
— O que foi então?
Passei a mão pelo meu cabelo escuro, soltando o ar com força, me sentindo um completo idiota.
— É que... tipo, saiu sem querer.
A Sky soltou uma risada curta, os olhos brilhando na penumbra da sala.
— Sério?
— Sério — assumi, fechando a cara por puro reflexo de defesa.
— Ah, entendi. Ficou com medo porque depende da minha resposta?
— Sim, claro — bati de frente, sem paciência para joguinho.
Ela sorriu de um jeito leve, um sorriso que desarmou qualquer resquício da minha marra de engenheiro, e colou a testa na minha.
— É recíproco, Blackwood.
Engoli o seco. Ouvir aquilo deveria me acalmar, mas só me deixou mais puto comigo mesmo. Eu estava em dúvida. Será que tinha sido pela emoção do momento? Pelo tesão acumulado da foda? Eu não queria admitir de jeito nenhum que estava tão amolecido, tão entregue na mão de uma mulher. Eu só conseguia ficar puto por ter perdido o controle do meu próprio dialeto.
Segurei a cintura farta dela para ajudar a ruiva a se levantar do chão. Quando olhei para baixo, o meu membro deu um pulo, completamente rígido de novo, sem vergonha nenhuma. Encarei aquela situação e soltei um rosnado abafado.
— Puta que pariu, você é muito safado — resmunguei, falando direto com o meu pau. — Não dá desse jeito, ruiva. Se eu continuar agora, vou acabar te machucando de verdade.
A Sky deu mais uma risada, vermelha de timidez, e correu para o banheiro.
Nós dois tomamos banho em banheiros separados para evitar outro desastre de atraso. Quando ela saiu, estava vestindo um dos vestidos que tinha levado na bolsa. A peça modelava cada curva do corpo dela, me fazendo desviar o olhar para não perder a cabeça outra vez.
O meu celular começou a tocar em cima do criado-mudo. Atendi de pronto. Era um dos diretores da Blackwood CO avisando que eu precisava dar um pulo urgente na empresa para aprovar e assinar alguns documentos de liberação. A FASE 2 da equipe da Bittencourt precisava desses papéis assinados por mim para começar a rodar ainda hoje.
— Beleza, estou chegando em meia hora — avisei e desliguei.
Fomos para a cozinha tentar comer. O misto quente que ela tinha preparado estava totalmente frio e o queijo tinha endurecido na chapa, mas comemos daquele jeito mesmo, dividindo a caneca de café enquanto o tempo corria contra nós.
Reparei no jeito que ela se acomodou na cadeira, se mexendo com um pouco de desconforto. O meu peito apertou na mesma hora.
— Você tá bem, Sky? — perguntou, deixando o talher de lado.
— Tá ardendo um pouquinho... normal, eu acho — ela desviou o olhar, o rosto ganhando um tom avermelhado.
Fiquei muito preocupado, o estômago dando um nó de culpa. Eu sabia que tinha sido bruto demais no sofá, que o meu instinto de animal tinha falado mais alto com uma garota que acabou de passar por tudo aquilo. Segurei a mão dela por cima da mesa, tentando passar algum conforto silencioso.
Dez minutos depois, descemos para a garagem e pegamos o carro. O trajeto até a Blackwood CO foi silencioso, mas a energia no banco do passageiro era outra. A Sky olhava pela janela com um sorriso bobo no rosto, totalmente radiante.
Parei o carro duas quadras antes do prédio da empresa, encostando no meio-fio. Antes que ela pudesse sequer segurar a maçaneta para sair, o meu corpo agiu sozinho. Estiquei o braço, espalmei a mão firme na nuca dela e a puxei para o meu lado do console, cravando a minha boca na dela de uma vez. Foi um beijo lento, profundo, segurando a cabeça dela com cuidado, mas com uma possessividade que eu não conseguia mais esconder.

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