POV: ROCCO BLACKWOOD
Eu tentei focar nos relatórios em cima da minha mesa, mas a verdade era uma só: eu estava prestes a quebrar aquela caneta de luxo ao meio. O telefonema sobre a Jussara tinha deixado o meu sangue fervendo, mas o verdadeiro motivo da minha distração era outra ruiva. Fazia pouco mais de uma hora que eu tinha deixado a Sky na esquina do prédio, e a porcaria do meu peito já estava cobrando a presença dela. Me senti um moleque infantil, um imbecil por estar sentindo falta de alguém tão rápido, mas o controle já não era meu.
Peguei a pasta de documentos da Fase 2 e resolvi descer até o andar das equipes. Usei a desculpa mental de que precisava fiscalizar o andamento dos contratos, mas os meus pés sabiam exatamente para onde estavam me levando.
Caminhei pelo corredor de vidro do setor de arquitetura, observando o movimento pelo reflexo. Quando cheguei perto da sala da equipe da Bittencourt, eu parei.
A Sky estava sentada na frente do computador, com o cenho franzido, concentrada em um software de renderização. O coque que ela tinha feito de manhã ainda estava meio bagunçado, e a visão daquele pescoço exposto fez a minha memória dar um salto direto para o sofá da cobertura. Mas o meu transe durou exatamente dois segundos.
Gael se aproximou da mesa dela. O cara parou perto demais, inclinou o corpo e apoiou a mão direto no ombro da Sky, falando alguma coisa no ouvido dela.
A Sky soltou uma risada jogando a cabeça para trás.
O meu sangue subiu para os olhos de bofetão. Uma onda de CIÚME e fúria possessiva bateu tão forte no meu peito que eu perdi o rastro de qualquer profissionalismo. Que porra aquele imbecil achava que estava fazendo tocando no que era meu?
Abri a porta da sala com um baque firme, entrando no recinto com passos pesados. O silêncio foi imediato. Todos os rostos se viraram na minha direção na mesma hora, os sorrisos sumindo das bocas como se tivessem visto um fantasma. Eu não olhei para ninguém além da Sky, que arregalou os olhos castanhos assim que registrou a minha presença.
Parei no centro da sala, cruzando os braços e deixando a minha autoridade máxima ditar o ritmo daquele ambiente.
— Bom dia para todos — comecei, a minha voz saindo mais grossa e fria do que o normal. — Vim pessoalmente liberar as diretrizes para a FASE 2 do projeto de vocês. Os papéis já foram aprovados por mim.
Bati a pasta preta contra a mesa central para chamar a atenção.
— Na primeira fase, vocês entregaram o desenho e a maquete bruta da estrutura por causa do terreno acidentado. Agora o bicho pega. A partir de hoje, vocês precisam entregar o projeto executivo detalhado: quero o plano de aterramento, a viabilidade do modelo que vocês escolheram, a definição exata de quantos andares o prédio vai ter, a quantidade de quartos e a melhor forma técnica de aproveitar cada metro quadrado daquele local.
Olhei fixamente para o grupo, fazendo questão de travar os olhos no Victor por alguns segundos a mais.
— Vocês têm o prazo de exatamente um mês para me apresentar tudo. A regra é simples: o pior projeto entre as três equipes vai ser desclassificado. Vão sobrar apenas duas equipes para a fase final. O vencedor leva o contrato principal da Blackwood CO, e o segundo colocado pode ter a chance de ser terceirizado por nós. Espero que joguem limpo, sem confusões ou sabotagens. Torço pelo melhor de cada um.
Todos assentiram em silêncio, engolindo o seco diante do peso da competição. Descruzei os braços e fixei os meus olhos verdes direto na ruiva.

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