POV: SKY BITTENCOURT
O Rocco avançou como um bicho faminto, esticou os braços grandes e cravou os dedos grossos direto no colarinho da camisa social do Gael. Com um arranco bruto, ele empurrou o corpo do Gael duas vezes seguidas para trás, fazendo o cara perder o equilíbrio na calçada e tropeçar de costas contra o capô de metal do próprio carro.
Antes que o Gael pudesse levantar as mãos, o Rocco girou o quadril e desferiu um soco violento, com o punho fechado, direto no meio da cara dele.
O som seco ecoou alto na rua deserta.
O IMPACTO foi tão pesado que jogou a cabeça do Gael para o lado esquerdo com violência, e o corpo dele desabou de lado sobre a lataria. Gael levou a mão trêmula até os lábios partidos, soltando um gemido sufocado de dor antes de inclinar a cabeça para a frente e cuspir uma poça grossa de SANGUE escuro direto no asfalto cinza.
O Rocco se virou para mim, a respiração dele vindo em lufadas rápidas, os punhos ainda fechados.
— Você está bem? — ele perguntou, os olhos verdes varrendo o meu corpo para ver se eu tinha algum arranhão.
— Hum-rum — acenei com a cabeça, a minha voz sumida, tentando processar o rastro de destruição que estava acontecendo na calçada da minha casa.
Ele voltou a focar no Gael, dando mais um passo intimidador na direção dele.
— Toca nela de novo e eu mato você. Estou falando muito sério.
O Gael limpou o canto do lábio com as costas da mão, encarando o Rocco com os olhos injetados. Ele forçou uma risada sarcástica, mesmo com a boca sangrando.
— Você vai fazer o quê, Blackwood? Vai me demitir?
— Experimenta aparecer na Blackwood CO amanhã para você ver se eu não arranco você e o seu projeto de lá em dois minutos — o Rocco rebateu, a autoridade máxima dele esmagando qualquer tentativa de defesa do outro.
O Gael olhou de mim para o Rocco, juntando as peças na cabeça dele. Ele viu a fúria possessiva nos olhos do chefe e o jeito que eu estava encolhida ali. O maxilar dele caiu de leve antes de ele soltar um deboche estalado.
— Ah... entendi tudo. Pelo jeito que você está defendendo a ruiva... você alcançou alto, né, Bittencourt? Envolvida logo com o mais alto da diretoria. É por isso que você quis encerrar comigo do nada?
O peito do Rocco subiu com força, os olhos dele quase pretos de ódio. Ele abriu a boca para rugir que eu era dele, que eu era a mulher dele, e eu soube que se ele falasse aquilo, a minha vida profissional estaria desintegrada. Meu concurso, o dinheiro para a cirurgia do meu pai, tudo ia sumir.
Em um ato de puro desespero, dei um passo à frente, me enfiei entre os dois e espatifei a palma da minha mão direto em cima da boca do Rocco, selando os lábios dele. Senti o hálito quente dele e o aperto rígido do seu maxilar contra a minha pele úmida de suor.
— Não tem nada entre a gente, Gael! Cala a porcaria da boca! — berrei, olhando para o Gael por cima do meu ombro.
O Rocco recuou um milímetro, os olhos verdes fuzilando o Gael e se virou para mim.
Vi o desapontamento profundo nos olhos do Gael. Eu senti que tinha magoado ele com aquela humilhação e com a mentira, mas eu não tinha nenhuma escolha.
— Eu só vim trazer uns papéis do projeto, te vi você a forçando contra o portão e eu reagi — ele respondeu sério, a voz dura e compassada, sem olhar para mim, mantendo o teatro profissional.
— Vai embora, Gael. Por favor, vai embora agora!
O Gael me encarou, depois olhou para os olhos assassinos do Rocco que continuavam cravados nele como duas miras prontas para o abate.
— Me desculpa, Sky... de verdade — ele resmungou com dificuldade, limpando o rastro vermelho do queixo. Ele deu as costas, entrou no carro dele com pressa e arrancou cantando pneu pela rua, sumindo da minha vista na escuridão do bairro.
Recolhi a minha mão da boca do Rocco devagar, os meus dedos ainda tremendo tanto que mal conseguia controlar os movimentos. Minhas pernas pareciam feitas de gelatina, o peso do corpo cobrando o cansaço, e a dor em aperto no meu peito ainda me fazia buscar o oxigênio com muita dificuldade.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Virgem Traída Contratou um Gigolô e Ele era um Bilionário