(Um cap, maior para entendermos o lado do Rocco.)
(Horas antes..)
POV: ROCCO BLACKWOOD
Arrumei o nó da minha gravata e limpei o rastro do mel da Sky que ainda cobria os meus lábios. Meu corpo inteiro exalava o cheiro dela, e a sensação das paredes dela se contraindo ao redor da minha língua ainda mantinha o meu membro rígido dentro da calça social. Eu estava flutuando no topo do mundo, possesso de uma obsessão que dominava cada centímetro do meu cérebro. Mas o meu sossego durou exatamente cinco minutos.
O telefone fixo da minha mesa começou a berrar. No mesmo segundo, o meu celular pessoal vibrou no bolso. Atendi a contragosto, sentindo a minha espinha enrijecer quando a voz grave do meu avô cortou a linha, trazendo o peso bruto do subsolo direto para os meus ouvidos.
— Rocco. Sua avó e a Jussara acabaram de embarcar. Elas estão vindo para o Brasil — o velho disparou, sem nenhuma formalidade.
O impacto daquelas palavras fez o meu sangue congelar nas quebras das minhas artérias. Senti os músculos do meu pescoço contraírem como cimento.
— Que porra é essa? — rosnei, chutando o pé da minha cadeira de luxo. — Elas saíram que horas?
— Saíram cedo. Vão pousar aí na sua cidade a noite. E é bom você se organizar, Rocco. Você vai conversar com a Jussara e vocês vão resolver esse casamento de uma vez. O Ravi finalmente voltou a estudar, está firme na escola e se comportando como um homem graças à promessa de que a família vai se estabilizar. Você precisa servir de exemplo paterno para o seu irmão caçula. Já que você passou a vida inteira sem levar nada a sério, faça o mínimo pelo garoto agora.
Desliguei a chamada sem responder, jogando o aparelho contra a mesa de madeira com tanta força que o vidro quase estalou. O estresse e o nervosismo bateram com força total no meu peito, me deixando cego de ódio. Minha própria família queria enfiar uma esposa goela abaixo para manter as aparências de homem de negócios.
Para tentar não quebrar o meu escritório inteiro, saí da sala e usei o elevador para descer até o setor de arquitetura. Eu precisava ver a Sky. Só a visão daquela ruiva farta conseguia arrancar a fúria do meu peito e me trazer alguma calmaria.
Caminhei pelos corredores fingindo fiscalizar as bancadas, mas os meus olhos verdes miraram direto nela. Olhar para a Sky me fazia feliz. Dava um rastro de paz para a minha mente torta. Enquanto observava o jeito focado que ela mexia no computador, jurei para mim mesmo: nada na porra desse mundo vai me fazer abrir mão dela.
Eles que tentem tirar o meu império, que tentem me arrastar para o inferno, mas a Sky é MINHA. E eu não vou ceder.
No final da tarde, eu estava trancado na sala de reuniões da diretoria, cercado por engenheiros e pelo Christian, revisando os custos técnicos da FASE 2. Minha mente estava um caos completo, mas o pior aconteceu quando o meu celular acendeu em cima da mesa.
Sky: Rocco, é hoje. O Gael sugeriu de me levar em casa para a gente conversar, e eu aceitei a carona dele para encerrar isso de uma vez por todas.
Minha divisão ficou completamente preta. Uma onda de FÚRIA POSSESSIVA subiu direto para os meus olhos, fazendo a minha pulsação estrondar dentro dos meus ouvidos.
Digitei um NÃO seco, em caixa alta, sentindo o meu maxilar estalar de tanta força que eu fazia nos dentes. Quando ela respondeu dizendo que ia mesmo assim, eu perdi o resto de controle que me restava.
— Algum problema, Senhor Blackwood? — um dos diretores perguntou, interrompendo a leitura do relatório.
— Eu preciso ir.
— O que Rocco? Não... esper... — Diego tentou intervir.
Nem deixei Diego terminar a frase. Levantei da cadeira em um solavanco bruto, juntei os meus papéis de qualquer jeito e abandonei a reunião sem dar nenhuma explicação profissional. Saí correndo em direção ao elevador executivo, passei pela antessala como um bicho furioso.
— Eu preciso mesmo ir. Depois vocês me passam as informações — disse pegando meu paletó e saindo da sala.
— Rocco? — Christian surgiu ao lado enquanto eu chamava o elevador.
— Preciso ir, cara. Mesmo. Quebra essa para mim.
— POR QUÊ? — Ele quis saber.
— Talvez quando estiver apaixonado de verdade, vai entender...
— O quê? — Christian arqueou a sobrancelha, confuso. — Isso não tem nada a ver, responsabilidade é responsabilidade.
— Sei... vou ajudar a irmã da Moon, o meu céu. Tchau.

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