POV/ ROCCO
A frase saiu da minha boca antes que eu pudesse frear. Minha mente trabalhou rápido no rastro daquela declaração. Se eu falasse que a Sky era uma "ficante", a minha avó ia achar uma imundície e desvalorizar a mulher na hora.
Se eu usasse o termo "namorada", ia soar formal demais e a velha ia exigir o nome, o sobrenome e o contrato social da família dela no mesmo segundo.
E se eu inventasse que ela era a minha "noiva", a Sky me matava assim que descobrisse. Deixei a informação no ar, genérica, apenas para marcar território.
Jussara mudou de postura, descruzando as pernas e demonstrando uma tranquilidade que me surpreendeu.
— Por mim, está tudo bem, Rocco — ela interveio, dando de ombros com total leveza. — Eu também tenho uma pessoa lá fora. A gente pode fazer um acordo bem amarrado. Um casamento de fachada, cada um vive a sua vida e os nossos negócios se unem da mesma forma. Pode ser um contrato bem vantajoso para os dois lados.
— Eu não tenho interesse, Jussara. Não estou a fim de fechar contrato de casamento com ninguém — cortei seco, sentindo o essaustão cobrar o preço depois de um dia longo e de uma semana desgraçada. — E eu não quero conversar sobre isso agora. O dia foi pesado. Vocês duas vão ficar para dormir?
Minha avó se levantou, ajeitando o casaco fino sobre os ombros com aquela pose intocável de sempre.
— Eu vou para o hotel, Rocco. Já agendei a minha estadia. Mas a Jussara vai ficar aqui na cobertura. Vocês dois têm muito o que conversar e alinhar sobre as empresas, então vou dar privacidade para vocês resolverem isso de jovem para jovem.
Tentei intervir na mesma hora, abrindo a boca para dizer que a cobertura só tinha a minha suíte ativa e que era melhor as duas irem juntas, mas a minha avó me cortou com um olhar severo.
— Seja um homem educado, Rocco. Ofereça um lugar para a sua convidada passar a noite. Ela viajou horas para estar aqui.
Engoli o meu xingamento em seco, sentindo o suor frio incomodar o meu pescoço.
— Ótimo — resmunguei.
Peguei a chave, acompanhei a minha avó até o elevador e a levei até o carro de luxo que a esperava na portaria do prédio. Garanti que o motorista a deixaria em segurança no hotel e usei o caminho de volta para tentar clarear a minha mente. Eu precisava sobreviver àquela noite sem deixar que nenhuma sujeira respingasse na Sky.
Quando a porta do elevador abriu de volta no hall da minha sala, travei o passo.


Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Virgem Traída Contratou um Gigolô e Ele era um Bilionário