POV: SKY BITTENCOURT
Tomei banho, me arrumei e, depois de pronta, olhei para o meu reflexo no espelho, vendo a maquiagem pesada que a Moon passou ao redor dos meus olhos para disfarçar o inchaço e as olheiras arroxadas da noite em claro. Ajeitei a bolsa no ombro, ciente de que estávamos indo para o tribunal sem un centavo no banco e com a certeza de que não íamos ceder.
O táxi nos deixou em frente ao Fórum Cível de Porto Alegre debaixo de um céu ensolarado. O vento minuano batia frio contra o meu rosto, mas a dormência na minha cabeça era maior. O saguão do prédio cheirava a papel velho, café barato e burocracia. Uma multidão de pessoas andava de um lado para o outro com pastas debaixo do braço, todas carregando suas próprias desgraças cotidianas.
Andamos pelos corredores compridos de piso de granito até encontrarmos a Dra. Márcia, a defensora pública designada para o nosso caso. Ela estava escorada perto de uma pilastra, com os olhos fixos em uma pilha de processos impressos, parecendo tão exausta quanto eu.
Havia um homem de pé bem ao lado dela.
Ele vestia um terno de corte impecável, sob medida, com um relógio de ouro que brilhava discretamente sob as luzes fluorescentes do hall geral. A postura dele era imponente, fria, destoando completamente da pobreza que cercava o balcão da defensoria.
No segundo em que nos aproximamos, o homem se virou na nossa direção, ajustando a gravata com calma.
— Senhorita Bittencourt? — ele perguntou, com uma voz firme e treinada. — Sou o Dr. Alencar. Fui designado diretamente pela diretoria executiva da Blackwood CO. para assumir a sua defesa.
O nome Blackwood ricocheteou no meu cérebro como um tiro. Uma repulsa violenta e imediata subiu pela minha garganta, fazendo o meu sangue ferver.
O desgraçado do Rocco achava que podia resolver a humilhação que me causou mandando um funcionário de luxo limpar a sujeira com dinheiro.
Cortei o advogado no meio da frase, com a voz mais fria que consegui extrair dos meus pulmões:
— Eu dispenso. Não quero nada que venha da Blackwood CO. Não quero esse nome envolvido no meu caso, no meu apartamento ou na minha vida. Vou seguir com a assistência exclusiva da defensoria pública.
A Dra. Márcia ergueu os olhos do papel, alternando o olhar entre mim e o terno caro do homem, claramente sem entender o motivo de eu recusar uma salvação daquelas.
O Dr. Alencar não mudou a expressão. Ele apenas deu um passo à frente, adotando um tom técnico e grave, quase paternal na sua arrogância corporativa:
— Com todo o respeito à sua posição pessoal, senhorita, preciso ser pragmático. A defensoria não terá recursos técnicos ou tempo hábil para barrar a liminar de penhora forçada que os advogados dos Gouveia vão pedir hoje. Sem o depósito integral da garantia que eu trouxe da Blackwood, os Gouveia vão reter o seu imóvel e o juiz pode determinar medidas restritivas severas contra a senhora por ocultação de patrimônio ou fraude. É um risco alto demais para correr por orgulho.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Virgem Traída Contratou um Gigolô e Ele era um Bilionário