POV/ ROCCO
— Dá um jeito nessa merda. Tira ela de lá agora. Vê o valor da fiança, sei lá o que for necessário — ordenei, sentindo a minha traqueia fechar de tanto nervoso.
— Não funciona assim, Rocco. Calma — Alencar pediu, mantendo o tom técnico e paciente. — O escrivão estão registrando o termo de lavratura do flagrante agora. Ela vai ter que ficar presa na carceragem do fórum por algumas horas até que o delegado de plantão receba os papéis e o juiz determine o valor da fiança. Ela não vai sair imediatamente. Vai ter que passar pelo procedimento legal detida.
Aquilo acabou com o resto do meu oxigênio.
— Consiga uma autorização de visita — mandei, cravando os meus olhos nos deles. — Use o nome da Blackwood, faça o que for preciso no balcão, mas eu quero entrar naquela carceragem. Agora.
Alencar assentiu e sumiu em direção ao balcão da secretaria judicial.
Esperei por longos minutos no corredor, andando de um lado para o outro enquanto as minhas mãos fechavam em punho dentro dos bolsos da calça. A Moon continuava chorando em um banco próximo, recusando-se a sair dali de jeito nenhum.
Tirei as mãos do bolso e caminhei na direção dela. Parei bem na frente do banco de madeira.
— Moon, tudo bem? Como você tá? Eu quero...
— Sai daqui, Rocco! — ela me cortou antes que eu terminasse a primeira frase, erguendo o rosto vermelho e me encarando com uma fúria idêntica à da irmã. — Você quer ajudar? Então some da minha frente e não atrapalha! Vai embora daqui de uma vez!
Pelo jeito, o orgulho era de família.
Ela se levantou do banco em um sobressalto, limpando o rosto com as costas da mão. Passou direto por mim, raspando o ombro no meu paletó, e soltou em um sussurro ríspido:
— Eu vou resolver isso agora mesmo. Vou resolver no clube.
— O que você pensa que vai fazer, Moon? — perguntei alto, girando o meu corpo na direção dela.
Ela não me respondeu. Fingiu que eu nem estava ali e apertou os passos pelo corredor de granito em direção à saída principal, sem olhar para trás nenhuma vez.
Com certeza eram irmãs.
Meu estômago contraiu em um nó apertado com a suspeita que bateu na minha mente. Aquela garota estava indo fazer exatamente a mesma merda que a Sky fez para arrumar dinheiro.
Puxei o celular do bolso com pressa e digitei uma mensagem direta para o Christian.
"A sua garota acabou de sair do fórum desgovernada. Ela tá indo pro clube fazer uma estupidez. Dá um jeito."
A resposta dele piscou na tela dois segundos depois. Apenas um "ok" seco.
Finalmente, as portas da secretaria se abriram e o Alencar voltou pelo corredor, trazendo um crachá de identificação na mão e me dando um aceno de cabeça.
Desci as escadas internas que levavam ao subsolo do fórum. O ambiente ali embaixo era gelado, com paredes de concreto nu e um cheiro forte de desinfetante barato misturado com umidade. Um inspetor de polícia checou o meu crachá, girou uma chave pesada e abriu a grade de ferro que dava acesso à sala de custódia provisória.
— Cinco minutos, Blackwood — o homem alertou, fechando a grade atrás de mim com um estalo metálico pesado que ecoou pelo corredor subterrâneo.
Entrei na sala pequena.
A Sky estava lá dentro, sentada em um banco de cimento chumbado na parede. Os pulsos dela já estavam livres das algemas, mas a pele alva estava marcada por listras vermelhas e vivas onde o metal tinha apertado. Ela estava de cabeça baixa, com os dedos enfiados nos cabelos ruivos bagunçados, o peito subindo e descendo em espasmos de um choro silencioso.
O som dos meus sapatos contra o chão de cimento fez ela erguer o rosto num sobressalto.
No segundo em que ela me reconheceu, as feições pálidas dela se transformaram em ódio. Ela ficou de pé num salto, avançando até o limite do espaço, os olhos castanhos injetados de sangue mirados direto nos meus.
— O que você está fazendo aqui, seu maldito psicopata? — ela rugiu, a voz saindo esganiçada, raspando nas paredes frias da cela. — Veio rir da minha cara de camarote de novo?
— Sky, me escuta... — dei um passo à frente, estendendo as mãos de leve, mas recuei ao ver a reação dela.
— Não! Não fala o meu nome! Não encosta em mim! — ela gritou, com o corpo inteiro tremendo em uma fúria cega. — Você me enganou! Você me deixou chorar de culpa enquanto se deliciava por trás daquela máscara! Você me usou.
Ela deu um soco contra a parede de concreto ao lado dela, ignorando a dor física do impacto.
— Nem você acredita nisso — soltei, a voz firme.

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