POV: CHRISTIAN
A única pessoa que me teria por completo seria a minha siriema. Ela não era mais aquela garotinha desengonçada do colégio; transformou-se em uma jovem bonita, sorridente, mas com olhos carregados de uma tristeza profunda. Minha ratinha tristonha.
Eu a faria sorrir novamente.
O apelido fazia sentido perfeito na minha mente. Um camundongo ou um rato assustado pode correr pelos cantos, tentar se esconder nos buracos das paredes ou tentar fugir, mas ela acabou de entrar por vontade própria no labirinto que eu construí.
E eu sou o gato. Vou persegui-la sem pressa, encurralá-la em cada canto escuro e devorá-la em todos os sentidos possíveis.
A Moon não tem opções. Ela não tem escolha. Ela se tornou minha propriedade exclusiva no segundo exato em que estendeu a mão pequena para me salvar naquele chão batido, e nada neste mundo vai mudar esse destino.
Eu serei tudo na vida dela a partir de agora. Serei o seu pior algoz, o monstro oculto atrás das ordens daquela tela preta, mas também serei o seu único porto seguro. Serei o homem forte, o herói implacável que vai usar cada cifra$ do sobrenome Blackwood para salvá-la das dívidas e deste mundo cruel que tentou esmagá-la.
A vida finalmente vai funcionar do meu jeito. Eu tenho o dinheiro e o poder necessários para arrancar a família dela da lama. Colocá-la submissa na minha cama será apenas o meu prêmio por ter a esperado todo esse tempo.
Não sei se ela me reconheceu. Acho que não.
No fim tanto faz.
Não muda o fato que ela é minha.
Quando pisei em solo brasileiro para auxiliar o Rocco na gerência, ganhei acesso irrestrito ao sistema integrado de monitoramento e às câmeras. Foi assim que descobri que a Sky tinha se associado ao subsolo do Ambrosia Club por causa das promissórias antigas. Eu vi os relatórios de presença e as imagens das telas. Pouco depois, fui visitar o Rocco no prédio dele e dei de cara com a Sky entrando na portaria.
Notei na hora a mudança nas feições do meu primo. Ele carregava a expressão nítida de um homem apaixonado, logo ele, que sempre tinha sido sem-vergonha, tarado e irresponsável.
Continua sem-vergonha e irresponsável. Mas tarado não mais.
Eu não gostava de frequentar o salão principal do Ambrosia Club. O ambiente comum não me atraía, as garotas dali não faziam o meu estilo e o meu fetiche operava em uma frequência muito mais agressiva, carnal e violenta. Mas o Rocco me garantiu que a gerente da casa sabia trabalhar sob absoluto sigilo, já que servia à organização desde o tempo do antigo Imperador.
Duas semanas atrás, decidi testar a capacidade dela e marquei uma sessão privada. Prendi a Eleonora de braços abertos no pelourinho de ferro da sala escura e descarreguei o meu estresse sem qualquer vestígio de paciência. Usei um chicote de borracha rígida para castigar as nádegas dela, desferindo golpes contínuos até deixar marcas roxas profundas que a fariam ter dificuldade para sentar por dias, antes de fodê-la por trás e ela gozar no meu pau. Eu tinha outra sessão agendada com ela dali a três dias, mas aquele arranjo era apenas uma descarga para aliviar os meus músculos.
Meu verdadeiro anseio era outro. Eu ficava possesso, o sangue correndo quente de raiva pelas minhas veias só de imaginar outro homem tocando na pele da minha lua ou beijando os lábios dela. Eu precisava que ela fosse virgem, intocada, exclusiva. Eu não toleraria nenhum rastro de outro toque no corpo dela.
Porque, senão, eu teria que usar os meus contatos e fazer algumas pessoas desaparecerem.
Eu já tinha cruzado com a Moon na recepção da diretoria da empresa semanas atrás quando cheguei. Ela até esbarrou em mim, exalando um cheiro doce e misturado de sabonete floral. Era perfeito. Também a vi no Ambrosia Club algumas vezes, e em uma delas não estava com a irmã ou com o pessoal da empresa. Procurei saber e eram herdeiras ricas, provavelmente colegas de faculdade.
Fiquei confuso, paralisado na fresta da porta apenas observando o perfil dela. Avisei à gerente que a Moon talvez acabaria descendo os degraus do clube atrás de recursos mais cedo ou mais tarde, assim como a irmã fez. Como eu disse, garotas inseridas nesse meio não têm muitas escolhas.
"Se ela pisar aqui procurando ajuda, o contrato é meu. Ninguém encosta nela", ordenei na ocasião.
Infelizmente para ela, mas para mim, graças a Deus. Dito e feito, e aqui estou eu.
Estacionei o utilitário na guia dos fundos do Ambrosia Club, desci do carro e entrei pela porta privativa da diretoria. Caminhei direto para a sala da Eleonora, empurrando as portas duplas sem bater.
A mulher estava sentada atrás da escrivaninha de vidro, ajeitando alguns papéis. Ela ergueu os olhos e manteve a postura impecável, embora tenha ajustado o peso do corpo na cadeira com um leve desconforto pelas marcas que eu tinha deixado na pele dela.
Puxei os cinco maços de notas de cem reais de dentro do meu paletó e joguei o volume em cima da mesa dela com um estalo seco.
— Vim apenas lembrar o nosso acordo — soltei, a minha voz saindo grossa, sem margem para contestações. — O dinheiro do adiantamento está aqui. Cinquenta mil em espécie.
Eleonora olhou para as notas e abriu um sorriso contido.

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