(POV: ROCCO BLACKWOOD)
Eu andava de um lado para o outro no carpete do meu escritório, sentindo os meus músculos rígidos de pura frustração. A imagem da Sky entrando na carceragem daquele distrito policial não saía da minha cabeça. Eu já tinha acionado a banca de advogados, mas o final de semana batendo na porta travava qualquer trâmite comum.
O toque estridente do meu celular cortou o silêncio do ambiente. Olhei para a tela e o nome do Christian brilhava no visor. Deslizei o dedo e atendi, jogando o aparelho contra a orelha.
— Fala — soltei, com o tom de voz seco.
— Só liguei para avisar que agora nós temos algo em comum além do sobrenome Blackwood, primo — a voz do Christian veio pelo alto-falante, arrastada, fria e carregada de uma diversão sombria.
Eu soltei uma risada curta, sem o menor humor.
— O que foi? Descobriu mais uma conta bilionária nas Ilhas Cayman?
— Não. Estou falando das irmãs Bittencourt — ele disparou, fazendo o meu corpo travar no meio do escritório. — A partir de hoje, qualquer decisão relacionada à vida, ao bem-estar ou aos passos daquelas duas precisa ser comunicada entre nós. Acabei de fechar um contrato exclusivo de um ano com a Moon no subsolo do Ambrosia Club. Ela é minha propriedade agora.
O impacto daquela informação me fez parar perto da janela, observando o trânsito lá embaixo. O Christian tinha encurralado a irmã mais nova. Ele não perdia tempo.
— Como você fez isso? — perguntei, estreitando os olhos.
— O desespero financeiro faz milagres, Rocco. Eu joguei as cartas e ela aceitou os meus termos para tentar salvar a família. Mas o que me impressiona de verdade é a sua lerdeza. Você está há meses rondando a Sky feito um cachorro faminto e não teve a capacidade de fechar o cerco. Cara, você é muito mole. Você é difícil demais.
— Não fode, Christian. Você não sabe de nada.
— Eu sei o que vejo pelas câmeras e pelo seu comportamento — ele subiu o tom, a voz ficando mais ríspida. — Você nunca levou nada a sério na sua vida inteira. Sempre foi o irresponsável, o sem-vergonha que pulava de galho em galho. E agora que encontrou a garota que te desperta algo de verdade, você vai ficar parado assistindo ela se afundar no inferno? Vai deixar o orgulho dela destruir o que resta da vida dela por pura covardia de assumir a responsabilidade? Deixa de ser frouxo, Rocco. Se você quer a mulher para você, assuma as rédeas e force o controle. Ou você dita as regras, ou o mundo esmaga ela.
A ligação caiu na minha cara com um clique seco.
Afastei o celular do rosto, com o peito subindo e descendo em uma pulsação acelerada. As palavras do Christian entraram como agulhas na minha mente. Ele tinha razão.
O meu histórico de cara irresponsável e tarado estava me paralisando, me fazendo pisar em ovos com medo de que a Sky me odiasse ainda mais. Mas o tempo dela tinha acabado. Se eu continuasse jogando o jogo dela, ela terminaria destruída.
Caminhei até a mesa, liguei a impressora e montei um documento totalmente novo. Eu conhecia o temperamento explosivo daquela ruiva. Sabia que ela reagiria como um animal encurralado. Por garantia, imprimi cinco cópias idênticas do arquivo, enfiei os papéis dentro do meu paletó e saí do prédio pisando firme.
Liguei para o chefe da minha equipe jurídica enquanto entrava no carro.
— Eu não quero saber se o fórum fechou ou se o juiz de plantão está em casa — ordenei, despejando a minha autoridade na linha. — Achem o magistrado, paguem a propina que for necessária para os escrivães, subornem quem estiver no caminho, mas eu quero o alvará de soltura da Sky Bittencourt assinado e emitido nas próximas duas horas. Movimentem os fundos da empresa. Façam acontecer.
Girei a chave na ignição e arranquei com o veículo em direção à delegacia. Enquanto cortava o trânsito, não pude deixar de pensar em como este mundo é uma completa merda hipócrita. A lei serve para prender os miseráveis, mas o sobrenome Blackwood e alguns milhões em espécie dissolvem qualquer barreira burocrática em pleno final de semana. O que a Moon não tinha conseguido fazer mesmo entregando o corpo no subsolo, o meu dinheiro resolveu com um único telefonema.
Estacionei o carro na guia do distrito policial e entrei pelos fundos, usando o acesso que os meus advogados já tinham liberado com a chefia do plantão.
Caminhei pelos corredores internos, sentindo o ar-condicionado gelado bater no meu rosto. Meu coração estava completamente desandado contra as minhas costelas, uma batida pesada que dificultava a minha própria respiração. Eu sentia medo. Um medo real de olhar para o rosto dela e ver o asco definitivo nos seus olhos verdes, mas eu não tinha outra escolha.
Um dos inspetores me conduziu até uma sala de oitivas privada, localizada nos fundos da carceragem. Segundos depois, a porta de ferro correu e a Sky foi empurrada para dentro.
Ela estava com os cabelos ruivos bagunçados, o rosto pálido pelo cansaço da noite na cela e as roupas levemente amarrotadas. Mesmo naquele estado de vulnerabilidade, ela mantinha o queixo erguido, os olhos fuzilando a minha presença assim que me viu parado perto da mesa de metal.
Eu não dei tempo para ela falar. Puxei a primeira cópia do contrato de dentro do paletó e joguei o papel na frente dela.
— O que é isso? — ela perguntou, a voz saindo ríspida, cheia de desconfiança.
— O seu passaporte para fora deste lugar — respondi, mantendo a minha voz o mais firme possível.
Sky gargalhou, jogando a cabeça ruiva para trás em um movimento brusco que fez alguns fios cobrirem o seu rosto pálido.
— Por que você não vai se foder? — ela cuspiu as palavras, os olhos verdes faiscando de puro ódio contra mim.
— Eu iria se fosse com você — respondi, mantendo a minha voz grossa, sem recuar um único centímetro. — Na verdade, eu iria para qualquer lugar com você, Sky.
— Para... Rocco — ela sussurrou, a voz falhando por um segundo enquanto tentava desviar o olhar do meu.

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