POV - ROCCO BLACKWOOD
— E eu não estava te usando — interrompi com rispidez, dando um passo para o lado da mesa de metal para fazê-la focar na minha voz. — Mesmo que você não queira saber e nem acredite em mim, escute bem o que vou falar. A partir do momento em que você assinar, eu vou cobrir absolutamente todos os seus gastos pessoais, as dívidas da construtora, as despesas da sua casa e o valor integral da cirurgia do seu pai. Vou estruturar a vida da sua família de novo.
— Eu não quero o seu dinheiro — ela rebateu, o queixo tremendo, mas os olhos fixos nos meus.
— Não se preocupe, não vai ser de graça.
Dei mais um passo contornando a quina da mesa estreita, encurralando o espaço dela contra a parede fria de concreto. Ela recuou até sentir o cimento nas costas, sem ter para onde fugir naquela sala de audiência apertada do fórum.
— Desde quando eu te conheci pela primeira vez naquele bar vestida de noiva cadáver, você nunca mais saiu da minha cabeça — joguei as palavras, sentindo o meu peito subir e descer rápido. — Depois eu te vi naquela praia e, logo em seguida, você chegou ao Ambrosia Club precisando de um Dom e eu não sabia. Eu só exigi uma ruiva na casa porque eu não conseguia tirar você da mente, mas quando cheguei lá, era você. Então eu fechei o contrato com você. No começo foi porque eu achei engraçado, eu estava completamente fixado por você, mas depois eu descobri a sua real situação e as coisas ficaram muito confusas. Você foi trabalhar na empresa e virou minha funcionária. Eu nem imaginei que a gente ia se juntar, que a gente ia se envolver e que eu teria sentimentos tão profundos por você.
— Não mente para mim — ela disse baixinho, me interrompendo com a voz embargada.
— Eu não estou mentindo. Acabou que tudo aconteceu rápido demais, intenso demais, e eu não tive coragem de falar nada por covardia. Como meu próprio primo me disse, eu fui um covarde. Eu nunca levei nada a sério na minha vida inteira.
Aproximei o meu rosto do dela, vencendo a distância sobre a mesa até sentir o calor da respiração dela falhar contra a minha pele.
— Mas eu quero cuidar de você. E mesmo que você não queira e mesmo que você não acredite em mim. Eu sempre deixei você fazer as suas coisas, tomar as suas decisões sozinha. Eu vi você se afundar em dívidas, se afundar em problemas sendo que eu poderia resolver todas as pendências com um único telefonema. Eu aceitei ser apenas o seu ficante, aceitei esse seu carinho de fresta e fiquei só olhando você se destruir porque eu queria ser o cara que te dava espaço. Mas eu percebi que esse espaço está acabando com você. Está te destruindo. E eu gosto demais de você para poder aceitar ver você se autodestruir desse jeito por causa de orgulho.
Sky balançou a cabeça, os olhos verdes marejados acumulando as lágrimas que começavam a descer pelo seu rosto pálido.
— Eu não quero ouvir isso — ela desafiou, erguendo o queixo trêmulo.
— Eu precisa falar, só uma vez. Me deixa te ajudar.
— E aquela mulher? — ela disparou, a mágoa quebrando a rigidez da voz dela.
— Era uma amiga da Inglaterra, e os meus avós acham que eu preciso casar com ela, mas eu não quero.
— Você não parecia... não tão interessado.
— Ela me beijou, eu tentei afastar, eu não tenho interesse nela. A única pessoa que me interessa é você, Sky. Eu juro.
— Seu juramento não faz diferença.
— Ok — me afastei dois passos para trás, contornando a mesa de metal novamente e levantando os braços em rendição. — Mas eu sou a sua única e melhor opção.
Sky não respondeu. Num surto de frustração e esgotamento físico, ela deu um passo rápido até a mesa de metal e bateu a testa contra a superfície fria com força. Um soluço alto e dolorido ecoou pelas paredes daquela sala apertada, um choro pesado, carregado de meses de sofrimento acumulado. Mas o pranto logo se transformou em uma gargalhada alta, um som amargo que ricocheteou no concreto.
Retirei a primeira cópia do documento do bolso do paletó e coloquei o contrato sobre a mesa de metal, bem diante dela. Ela olhou para o papel com total desdém.
— E o que você quer em troca disso, Rocco? O meu corpo em uma bandeja pelo resto da vida?
— Dez sessões privadas comigo — ditei, olhando fixamente nos olhos dela. — Apenas dez. E eu vou respeitar os termos que você mesma estipulou na nossa primeira conversa. Não haverá penetração se você não quiser. O seu livre-arbítrio está garantido em cada um dos nossos encontros, desde que as suas escolhas não envolvam nenhum risco físico à sua integridade ou à sua vida. É pegar ou largar.
Ela não pensou duas vezes. Sky estendeu a mão com rapidez, pegou a folha de papel, amassou o documento com força até transformá-lo em uma bola compacta e jogou direto no meu peito.
— Nunca — ela cuspiu a palavra, com os olhos brilhando de raiva.
Eu mantive a expressão neutra. Enfiei a mão novamente no paletó, puxei a segunda cópia idêntica e a coloquei exatamente no mesmo lugar, em cima da mesa de metal.
Sky deu mais um passo à frente, agarrou o papel com as duas mãos e rasgou a folha ao meio com um estalo ríspido, espalhando os pedaços pelo chão sujo da sala.
— Eu já disse que não! — ela gritou, a respiração dela ficando curta enquanto o peito subia e descia com violência. — Eu prefiro apodrecer nessa cela do que virar o seu brinquedo de luxo! Eu odeio você!

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