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A Virgem Traída Contratou um Gigolô e Ele era um Bilionário romance Capítulo 197

POV/ ROCCO

— Ainda bem que é ódio. Porque o amor e o ódio andam lado a lado.

— Eu odeio tanto você, a sua cara, tudo o que você é — ela repetiu séria, os dentes cravados no lábio inferior.

Meu coração desandou a bater em um ritmo alucinado dentro do peito. Ele batia tão rápido e com tanta força contra as minhas costelas que eu sentia como se ele quisesse fugir do meu colo para ir parar direto no colo dela. Para sumir dentro do peito dela. Porque eu a amava demais, acima de qualquer lógica ou controle. Eu a amava incondicionalmente, com cada gota de sangue do meu corpo. Porra.

— O ódio ainda é um sentimento — afirmei, a voz descendo ríspida, tentando conter a avalanche interna. — Ouvi em algum lugar que o contrário do amor não é o ódio, mas a indiferença. Então, se você me odeia, significa que você ainda sente algo por mim.

— Pode me dar quantas vias quiser — ela desafiou, apontando para as folhas destruídas no chão. — Eu vou rasgar todas elas.

Minha paciência evaporou por completo. O aviso do Christian martelou na minha mente, quebrando qualquer barreira de cavalheirismo que eu ainda tentava manter com aquela mulher.

Dei um passo largo para a frente. Ela se afastou rápido, recuando até ficar totalmente encurralada, com o corpo colado contra a parede de concreto da sala de oitivas.

— Sai... Sai! — ela começou a se debater, descarregando uma sequência de murros desesperados contra o meu peito.

Segurei os dois braços dela pelos pulsos com firmeza, impedindo que ela continuasse se debatendo, e inclinei o meu rosto até ficar a poucos centímetros do dela. O cheiro cítrico do perfume dela misturado com o suor da carceragem invadiu o meu nariz, bagunçando os meus sentidos.

— Chega de show, Sky! — rosnei, a minha voz saindo grossa, pesada e preenchendo todo o espaço entre nós. — Eu me importo com você pra caralho! Eu nunca levou absolutamente nada a sério na minha vida inteira, mas com você é diferente. E eu não vou ficar assistindo você se destruir por causa desse seu orgulho estúpido!

Me afastei o suficiente para que ela passasse.

— Preciso ler. Primeiro — ela disparou, a voz trêmula, tentando recuperar o fôlego.

— Ok — caminhei até a porta de saída. — Eu volto em meia hora.

Bati a porta de ferro atrás de mim e o barulho ecoou alto pelo corredor cinzento e deserto da delegacia. Minhas mãos ainda tremiam de leve, a adrenalina correndo solta pelas minhas veias. Caminhei alguns passos sem rumo, sentindo o meu peito subir e descer rápido, enquanto o ar-condicionado gelado batia na minha nuca suada.

Eu não conseguia acreditar no que tinha acabado de fazer ali dentro. Eu tinha falado demais. Tinha jogado todas as minhas cartas na mesa, entregando o meu ponto fraco da forma mais bruta possível para a única mulher capaz de me destruir.

Levei as duas mãos à cabeça, afundando os dedos nos meus cabelos, e apoiei o peso do corpo contra a parede de azulejos encardidos do corredor. Bati a testa contra o reboco frio três vezes seguidas, descontando a raiva de mim mesmo.

Idiota. Idiota. Idiota.

— Tudo bem por aí, moço? — uma funcionária da limpeza passou empurrando um carrinho plástico, parando o movimento para me olhar com total estranhamento.

Soltei uma risada anasalada, curta e sem nenhum humor, afastando o meu corpo da parede e tentando recompor a minha postura de qualquer jeito.

— Não, não está nada bem — respondi, passando a palma da mão pelo rosto para limpar o suor frio.

— Tem café fresco ali na recepção se quiser se acalmar — ela apontou com a cabeça na direção do saguão e continuou andando com o carrinho.

Caminhei até o balcão da entrada, peguei um copo de plástico pequeno com o líquido preto e amargo e engoli tudo de uma vez só, sentindo a queimação descer rasgando pela minha garganta seca. Fiquei ali parado no canto, contando cada segundo no meu relógio de pulso, deixando o tempo correr até dar a meia hora exata que eu tinha prometido.

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