POV/ Moon
A voz dele era baixa, cautelosa, rouca e saía abafada por causa da máscara. Ele profissionalmente puxou meus braços para trás com um movimento ríspido e prendeu algo frio e pesado em mim. Algemas.
— Ei... — protestei, tentando girar os pulsos.
Mas ele não me ouviu. Aperto o metal ao redor da minha pele e me ergueu do chão com facilidade, me colocando direto sobre o seu ombro largo.
Gritei, me debati com todas as minhas forças, batendo com os punhos fechados contra as costas dele, mas ele nem sequer vacilou o passo.
— Se continuar esperniando, vai ser punida — ele deu um tapa firme na minha bunda.
E saiu me arrastando pelo gramado escorregadio. Algumas poucas pessoas da festa passaram por nós no meio da penumbra do jardim externo. Eu tentei falar com eles, gritar por socorro, mas eles estavam chapados demais pelo álcool ou simplesmente acharam que aquela cena era uma brincadeira temática da própria fantasia da Arlequina. Eles apenas sorriram e continuaram andando na direção oposta.
— Preciso avisar minha amiga para onde você está me levando — apelei, sentindo as lágrimas quentes borrarem a maquiagem nos meus olhos.
— Você vai ver. Depois avisa — ele respondeu de forma curta.
Continuou me arrastando sem demonstrar qualquer hesitação. Ele me levou até um canto afastado do estacionamento da fazenda e me jogou dentro de um carro preto com os vidros totalmente escuros. Enquanto eu tentei me debater no banco de trás, chutando a lateral da porta, ele pegou uma corda fina e amarrou as minhas pernas com nós apertados, me deixando deitada de lado, completamente imobilizada sobre o estofado de couro.
— Você é um louco psicopata — esbravejei, sentindo o coração bater acelerado na base do pescoço.
— Se você acha isso, melhor calar a boca. Porque posso ser muito cruel quando resolvem me desafiar — ele respondeu, fechando a porta traseira com um baque firme.
O motor potente roncou e o carro preto arrancou em alta velocidade, deixando a fazenda para trás. Deitada no banco traseiro, a claustrofobia daquela cabine escura começou a apertar o meu peito de um jeito sufocante. Eu não conseguia ver a estrada por causa da posição em que estava presa, o que aumentava a sensação de pânico a cada curva.
Gritei várias vezes, xinguei o Senhor C com todas as forças, forçando os meus pulsos contra o metal das algemas, mas a silhueta dele no banco da frente permanecia totalmente rígida. Pelo espelho retrovisor interno, eu conseguia ver o reflexo daquela máscara de palhaço horrorosa me vigiando em silêncio enquanto ele guiava o veículo.
Depois de um tempo longo, o carro finalmente reduziu a velocidade e entrou em uma área coberta. Pelo reflexo do vidro, reconheci os pilares de concreto da garagem do meu próprio prédio. O meu perseguidor tinha me trazido de volta para casa. Ele manobrou e estacionou o veículo na nossa vaga de sempre, desligando o motor.
— Você não vai me tirar daqui desse jeito — avisei com a voz ríspida, tentando manter a cabeça firme enquanto puxava as amarras das pernas em vão.
— Não. Você vai andando e vai se comportar — a voz dele veio grave do banco da frente, acompanhada pelo clique seco do cinto de segurança sendo destravado. — Minha irmã vai te ver.

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