POV/ SKY
Olhei para a Moonque se aproximava de mim sentando-se na minha frente. Ela parecia carregar uma expressão terrivelmente triste, com o olhar perdido. Tentei arrancar alguma verdade dela, mas a conversa tomou um rumo que destruiu o resto da minha sanidade.
Minha irmã caçula olhou nos meus olhos e disparou a mentira mais lavada do mundo, porque a Moon não faria isso. Ela não era assim.
Disse que tinha entrado para o Ambrósia Club por curiosidade. Que tinha assinado um contrato de submissão de um ano com um Dom.
Quando ela jogou aquela sacola de lona pesada cheia de maços de notas de cem reais em cima da mesa da cozinha, o chão pareceu sumir debaixo dos meus pés. Cinquenta mil reais.
Naquele instante eu entendi uma coisa.
Eu tinha passado a noite inteira, dias inteiros me sentindo culpada por amar o Rocco. Mas a culpa verdadeira era outra.
Eu estava tão ocupada afundando na minha própria dor, nadando sem sair do lugar tentando resolver nossos problemas ... que não percebi que a Moon afundava ao meu lado.
Eu era uma irmã péssima. Uma fracassada omissa que não conseguiu sustentar a própria casa, forçando a caçula a entregar o próprio corpo e a liberdade nas mãos de um desconhecido para que não fôssemos despejadas.
Não aguentei o impacto.
Senti o estômago revirar de forma violenta, levantei da mesa com as pernas trêmulas, peguei o meu celular e saí correndo dali, ignorando completamente os gritos dela chamando o meu nome.
Bati a porta do apartamento com força e desci os lances de escada tropeçando nos meus próprios sapatos.
O ar faltou nos meus pulmões no segundo em que ganhei a calçada. Corri pelas ruas sem rumo, com a visão embaçada pelas lágrimas que desciam quentes pelo meu rosto. O choro subia pela minha garganta como um nó apertado, me sufocando. As pessoas passavam por mim, mas eu não enxergava ninguém.
Só conseguia ver o rosto triste da Moon e os maços de dinheiro empilhados na mesa.
Eu precisava apagar a minha mente. Precisava parar de pensar antes que o meu peito explodisse. A culpa martelava dentro do meu crânio com a força de uma marreta.
Chamei um taxi e pedi que dirigisse.
Sem nem saber ou prestar atenção para onde iria.
Voltei para o prédio do Rocco.
Passei pelo senhor da recepção como um rastro borrado, sem conseguir soltar uma única palavra de cumprimento, e entrei no elevador esmurrando o botão do painel.
Meu coração batia tão rápido que eu conseguia ouvir o som no meu pescoço.
Saí no hall da cobertura e esmurrei a porta de madeira com toda a força que me restava nos punhos. Bati sem parar, chutando a base da madeira, desesperada, até ouvir o som do trinco girando por dentro.
Assim que o Rocco abriu a porta, com o semblante confuso e ainda vestindo a mesma calça de moletom cinza, eu não dei tempo para ele processar absolutamente nada.
Pulei direto no pescoço dele, enterrando os meus dedos nos seus ombros largos com uma força desesperada. Juntei a minha boca na dele em um beijo bruto, molhado, quebrado pelo gosto salgado das minhas próprias lágrimas.
O impacto do meu peso de surpresa fez o corpo do Rocco recuar dois passos com o impulso. Cambaleamos sem nenhum controle pelo corredor até nós dois cairmos pesadamente em cima do sofá de couro da sala de estar. O baque foi abafado pelo estofado, mas o meu desespero não diminuiu. Eu continuei puxando os lábios dele com fúria, chorando alto no meio do beijo, arranhando a pele do pescoço dele com as unhas enquanto despejava toda a minha agonia ali.
Rocco usou as mãos grandes e firmes para segurar os meus pulsos com força total, afastando o meu rosto por alguns centímetros com uma precisão cirúrgica. Ele jogou o peso do seu corpo por cima do meu, me imobilizando contra o couro do sofá para me fazer parar. Os olhos verdes dele varreram o meu rosto borrado de maquiagem, lendo o tamanho exato do meu estrago.

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