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A Virgem Traída Contratou um Gigolô e Ele era um Bilionário romance Capítulo 231

(POV: MOON)

Eu precisei segurar a minha ansiedade e esperar uma semana inteira antes de colocar os pés para fora de Porto Alegre. A dor do piercing novo na minha intimidade dava fisgadas incômodas a cada passo mais largo que eu dava. A profissional do estúdio tinha sido bem categórica antes de eu sair de lá: a higienização precisava ser impecável e a aplicação da pomada cicatrizante tinha que acontecer rigorosamente três vezes ao dia.

A região ainda estava levemente inchada e sensível. Vesti roupas íntimas de algodão bem largas para não criar atrito e passei os primeiros dias caminhando devagar pela casa, com medo de que qualquer movimento brusco fizesse a pele rasgar. Se eu viajasse logo em seguida, no auge daquela dor inicial, nem conseguiria caminhar direito pelos pontos turísticos, muito menos aproveitar a viagem.

Durante essa semana de espera forçada, aproveitei para organizar toda a minha vida profissional e pessoal. Passei horas no escritório ao lado da equipe da Zenit, finalizando os últimos detalhes dos desenhos técnicos dos brinquedos do parquinho da prefeitura. Nós calculamos as distâncias de segurança, escolhemos as estruturas de ferro galvanizado mais resistentes e deixamos as plantas totalmente prontas para a fase de montagem.

Acompanhei de perto a rotina do meu pai no hospital. Fui à ala médica todos os dias no final da tarde para ver as sessões de fisioterapia e acompanhar os treinos com a fonoaudióloga. Ver o meu pai sentado naquela cadeira de rodas, tentando mover os dedos e forçando a garganta para emitir os primeiros sons guturais, trazia uma mistura de alívio e aperto no meu estômago.

O tratamento que o Blackwood estava custeando era impecável, mas o inquérito policial que o hospital tinha aberto para descobrir quem o drogou no passado continuava correndo em segredo, o que me deixava com o peito apertado de preocupação por mim e pela minha irmã.

Eu tentei de todas as formas convencer a Sakura a ir comigo para a Bahia. Insisti bastante durante o almoço de quarta-feira, dizendo que a gente podia dividir o quarto e curtir uns dias de sol na praia. Mas a Sakura balançou a cabeça e negou, argumentando que a agenda da logística da empresa estava um caos completo com a ausência do Rocco e que o Diego não conseguiria segurar todo o volume de relatórios sozinho. Ela teve que recusar o meu convite, o que significava que a minha jornada no Nordeste seria estritamente solitária.

À medida que a sexta-feira do meu voo se aproximava, uma culpa amarga começou a roer o meu peito por dentro. Eu olhava para a minha irmã Sky, vendo o quanto ela trabalhava, o quanto andava estressada e com os olhos marejados pelos cantos da casa por causa do sumiço do Rocco, e me sentia uma pessoa horrível por estar planejando uma viagem de descanso.

O meu pai estava preso em um leito de hospital, se recuperando de anos de envenenamento lento, e eu estava arrumando as malas para gastar dinheiro no litoral.

Eu estava me forçando a ser feliz. Estava executando os itens daquela lista do Senhor C como quem cumpre uma ordem militar, tentando desesperadamente encontrar a tal garotinha sapeca do passado, mas a verdade era que a minha consciência me punia a cada segundo. Eu me sentia egoísta. Sentia que não tinha o direito de sorrir ou de me divertir enquanto a minha família carregava um fardo tão pesado nas costas.

Mesmo com a mente cheia de nós e dilemas, no final daquela semana, fechei a minha mala pequena e fui para o aeroporto.

Abri o aplicativo de viagens no meu celular e tomei uma decisão deliberada e meio maluca: escolhi de propósito a rota que fazia o maior número possível de escalas antes de chegar ao destino final. O voo sairia de Porto Alegre, pararia em Curitiba, faria outra conexão em Guarulhos e só depois seguiria para Porto Seguro. Eu nunca tinha viajado de avião sozinha na minha vida inteira.

Como a minha missão era cumprir o item de comer exatamente o que quisesse sem sentir nenhuma culpa ou olhar a etiqueta de preço, decidi que usaria cada uma daquelas escalas para parar nas lanchonetes dos terminais.

Comida de aeroporto era famosa por ter preços abusivos, e eu comprovei isso logo na primeira parada em Curitiba. Parei em um café refinado no saguão de embarque, olhei para o cardápio e senti o meu queixo cair. Um pão de queijo pequeno e meio murcho custava vinte e dois reais. Uma garrafa de água mineral sem gás saía por doze reais. Um folhado de peito de peru com um café expresso duplo ultrapassava a marca dos quarenta e cinco reais.

CAP. 252 - "Aproveite cada segundo." 1

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